O CONTEÚDO DESTE BLOG É ESPELHADO DO BLOG BARATA CICHETTO. O CONTEÚDO FOI RESTAURADO EM 01/09/2019, SENDO PERDIDAS TODAS AS VISUALIZAÇÕES DESDE 2011.
Plágio é Crime: Todos os Textos Publicados, Exceto Quando Indicados, São de Autoria de Luiz Carlos Cichetto, e Têm Direitos Autorais Registrados no E.D.A. (Escritório de Direitos Autorais) - Reprodução Proibida!


Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

22/08/2019

Barata: Biografia Brutal (Um Falso Texto Sobre Pessoas Verdadeiras)

Barata: Biografia Brutal
(Um Falso Texto Sobre Pessoas Verdadeiras)
Barata Cichetto

Quem sou eu? Sou Barata porque assim me chamaram. Com minúsculas. Depois dei uma de bacana, criei um site e botei um artigo na frente e o substantivo transformei em nome e em adjetivo. Sou  Barata e fui batizado Luiz Carlos, pelo meu pai escroto que odiava o Prestes e quis se vingar em mim.  Sou Barata e mais que isso sou desigual. Feito barata branca, que é assim por ser albina. Sou diferente. Não busco a igualdade na humanidade. Ninguém é igual. Busco a desigualdade como fim social. Sou anormal. Já fui chamado de tudo: de filho da puta por ser um e de filho da puta de bom. "Ai quero mais seu filho da puta. Me fode, seu filho da puta!" Fui chamado Baratinha por amigos chegados e Baratão por amigas fudidas! Nunca fodi com amigas. Não misturo negócios. Casei quatro vezes. Todas as quatro de supetão. Elas queriam e eu não. Mas casei. Trepei. Fiz filhos que hoje chamam Lula de pai. Nunca fodi com viado. Nem dei o rabo, por falta de vontade. Ou seria de oportunidade, ainda não sei direito. De qualquer forma já fui chamado de bicha, de tarado, de viciado. Detesto maconha, mas já fui chamado de maconheiro. Sempre fui fiel a uma única puta. Acredito que nem todas as mulheres são putas, apenas minha mãe e as que se casaram comigo, ou que me deram a buceta. O resto são santas. Já fui cafetão. Já fui cristão. Nunca fui ladrão. Deus é uma piada de mau gosto. Nem gosto de piadas. Sou mal humorado. Fumo três maços de cigarro e com isso morrer de câncer é uma lógica. Mas quem sabe antes. De tiro na testa. Ou de desgosto. Sou anticomunista. Conservador no que me interessa conservar. Sou contra o aborto, mas por nenhuma questão religiosa. O corpo lhe pertence, feminista imbecil, mas a criança dentro da porra do seu útero não é corpo seu. Então, por que deu? Não é meu. Não fui eu. Fiz vasectomia aos trinta. Foda-se a humanidade. Sou misógino, misantropo e até miss Brasil se achar que isso não afeta sua autoestima. Me chamem do que quiserem. Não luto contra a humanidade, mas muito menos por ela. Sou individualista, mas não egoísta: aprenda a diferença crucial. Nunca fui crucificado, só apedrejado. Nasci no dia de Natal. Do anticristo. Mas não sou demônio. Sou um moleque de sessenta. Sou o que escarra na tua cara, o que cospe no próprio rosto e o que esporra na tua cara e depois te mostra a face no espelho toda gozada. Tem nojo? Então engole. Tudo. E ainda quer mais? Mais de mim? Vai comprar na padaria. Compra uma dúzia de sonhos, depois me lambe feito aquele creme. Como disse, sou Barata, mas não qualquer Barata, aquela sobe nas tuas costas e que voa no seu quarto numa noite escura. Te assusto? Não tenha medo. Mais que rima poética medo é um segredo que não se conta. O medo que se aponta. Esqueci-me de dizer que sou um bosta. E de quem gosta um manjar. Me chama pra jantar? Prometo me comportar. Sei usar os talheres. E prometo não peidar durante a janta. Só arrotar. Mas sei segurar a faca com a mão direita e o garfo com a esquerda. E diferenciar copo de vinho do de requeijão. Sou sofisticado quando quero. Não prometo mais nada. Nem que não vou querer te foder sobre a toalha de cetim quando acabarmos de jantar. Sou assim: uma agulha que pode te furar ou te costurar a pele. Bordar até. E prometo não te chamar de puta, não te chamar de santa. E nem de mãe. Prometo te chamar. Para ir beber, para foder, para conversar sobre teus gatos e nossos gastos. Falar sobre tua menstruação e minha constipação. Quero poder segurar tua mão para descer do ônibus e abrir a porta do carro, sem com isso querer te comer. Quero te comer sem precisar fazer nada disso. E fazer tudo isso apenas por querer. Gosto de te agradar. Sou saudosista. Queria estar à meia noite em Paris ou em Lisboa. Fumando ópio com Baudelaire ou na Tabacaria com Pessoa. Sou ator. Cantor. Sou idoso. Alto, magro e gostoso. Cabeludo e barbudo. Tesudo. Tenho pau grande. Gosto de oral. Lá e cá. Laika? Sou laico. Bardo. Tenho Facebook, Whatsapp, Instagram. Só não tenho dinheiro. Se cobra pra trepar eu pago com poesia. Ou com orgasmos líquidos. O que é a mesma coisa. Escrevo poesia com a língua na tua depilada. Ou com meu canivete nas tuas costas. Topas? Te espero na esquina. Só até amanhã. De manhã. De short desfiado com a polpa da bunda de fora. Sei esperar. Mas só um minuto. Quer um gozo líquido? Pergunte-me como. Enfim, sou Barata, já fiz de tudo. Até amor. Já fui tudo, menos santo. Já fui. Agora sou. E se quiser saber mais de mim veja as rugas no meu rosto, que são minhas cicatrizes. Atrizes do desgosto. Quer saber o que eu sou? Não seja eu e eu serei seu. 

18/08/2019

15/08/2019

Morto Sim, Poeta Castrado Nunca

Morto Sim, Poeta Castrado Nunca
Barata Cichetto
A Ary de Souza, Poeta Português

" Os que entendem como eu / as linhas com que me escrevo / reconhecem o que é meu / em tudo quanto lhes devo:"
Imagem: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bf/Der_M%C3%B6rder_des_j%C3%BCdischen_Blutzeugen.jpg/718px-Der_M%C3%B6rder_des_j%C3%BCdischen_Blutzeugen.jpg

Falaram de mim, que eu tinha que ser morto,
Até reclamaram porque eu não era um aborto,
E também disseram que deveria ser enforcado,
Com uma corda forte e um nó cego e apertado.

Disseram que eu era um escroto sem cultura,
E que, portanto, não seria poeta à sua altura.
Pediram que eu fosse ainda vivo queimado,
E então dariam as cinzas a seu deus amado.

Instigaram minha morte antes do fim do dia,
E mesmo que lhes dissesse ser pura covardia,
Ainda assim eu concordei em morrer, desanimado,
E trajei minha melhor roupa com a morte animado.

Prepararam o cadafalso e o padre pediu por clemência,
Mas lhe disse que nunca darei perdão a sua indecência.
E quando desceu sobre o meu pau a lâmina do machado,
Matei-o, pois morro mas jamais serei um poeta castrado.

15/08/2019

14/08/2019

A Uma Poeta Triste Por Causa de Ti

A Uma Poeta Triste Por Causa de Ti
Barata Cichetto


Que sejas tão bela quanto Pagu, em ordem inversa,
E que das bodas de Lucrécia seja madrinha reversa,
Feito Hypatia, a apedrejada nas ruas de Alexandria,
Ou que sejas Francisca Júlia tratando a hipocondria.

Que sejas quem quiseres, da Dominique até a Cristina,
E  que sejas o que quiseres, mulher, poeta ou menina.

Que não sejas o que querem por capricho e covardia,
E se não desejas, não sejas apenas poeta por um dia,
Não sejas apenas mulher, mas o verso de uma poesia,
E não sejas a santa, dentro do universo da hipocrisia.

Que sejas baronesa, que sejas a condessa ou regina,
Nunca deixes de ser o que és, e tudo o que imagina,

Que sejas Ales, e se preciso, dos males sua perfídia,
E quanto aos desprezíveis, não desprezes a insídia,
Faças dos teus cabelos a corda, dos teus nós a saída,
E lembres que fracos são os que tem-lhe por decaída.

Que sejas a fruta, que sejas a astuta, e até prostituta,
Mas que sejas sempre a quem quer é quem te escuta.

14/08/2019

Mulher Amada Cagando


Mulher Amada Cagando
Barata Cichetto

Eu gosto de ficar junto da mulher amada cagando
Gloriosos momentos são de uma deusa defecando
Odores pouco importam, mas sim a glória suprema
Em participar da intimidade da liberdade extrema.

Sim, eu gosto de estar junto de minha amada a cagar
Fisiológicas necessidades em qualquer hora ou lugar
Amada de calcinhas nos joelhos, de dor e gozo a feição
Em momentos de prazer e glória que beiram a perfeição.

A delícia da imagem de suas mãos segurando o higiênico
Olhos fitando a cerâmica das paredes brancas, que cênico!
Amada cagando, tirando de dentro aquilo que lhe maltrata
Cagando, cagando! Cagando é do jeito que a mim ela trata!

Deixa que eu limpe seu cu, que erga sua calcinha rendada
E jogue na latrina o papel, sou sua propriedade arrendada
Deixa eu olhar a minha amada cagando no latrina de cor
Porque sua liberdade pertence a mim e é minha sua dor!

07/09/2009

12/08/2019

20 Segundos de Coragem

20 Segundos de Coragem
Barata Cichetto

Perguntam o que eu faria em segundos de insana coragem
E respondo que diante de tão tola e inusitada cabotinagem,
Diante de tão hediondo algoz, e seu constrangedor desafio,
Que jamais cometeria um ato que me colocasse por um fio,
E que jamais, nesses segundos tais, eu mataria a confraria,
Mas que sim, diante de tal audácia cometeria uma covardia.

12/08/2019

08/08/2019

Ah, Se Eu Fosse Igual...

Ah, Se Eu Fosse Igual...
Barata Cichetto

Não fosse idiota podia ser tão famoso quanto Paulo e suas filhas,
E ser uma estrela da poesia, feito Alice em Paris das Maravilhas.
Ou se não fosse tolo, quem sabe seria tão conhecido como Piva,
Daí eu estaria morto, mas ao menos minha poesia estaria viva.

Não fosse eu um pai seria apenas um filho, mesmo que da puta,
E seria astro da literatura falando sobre a dureza da minha luta.
Pelas feiras literárias eu seria chupado por um par de proscritos,
E as editoras pagariam adiantado pelos romances nunca escritos.

Se eu fosse um tanto esperto estaria em Paraty igual a um artista,
Circulando de chapéu e gravata borboleta entre a elite comunista.
Eu nem lembraria o que tinha dito, mas leriam minhas memórias,
E o que tinha escrito todos pensariam ser parte de suas histórias.

Fosse um malandro, desses que colocam "Poeta" antes do nome,
Eu daria entrevistas na televisão e explicaria o meu sobrenome.
Comeria um par de putas vesgas, e eu seria famoso até o jantar,
Onde poriam minha cabeça na bandeja depois de me acorrentar.

Ah, se eu não fosse tão otário seria tão bom quanto a Medeiros,
E esconderia meus versos mortos debaixo de dois travesseiros.
 Seria chamado de "Bukowski de Araraquara" ou outro truque,
E exibiria o pau em público e postaria na página do Facebook.

Se fosse esperto eu seria como o Diego, ou até como o Morais,
E contaria uma história triste com sórdidos contornos morais.
Enfim, fosse eu diferente do que sou, poderia ser um alguém,
Mas não seria o que sou, e no final seria apenas um ninguém.

07/08/2019


07/08/2019

As (4) Filhas da Fantasia

As (4) Filhas da Fantasia
Barata Cichetto


Um dia o poeta encontrou uma bela,
E que era conhecida ali por Fantasia.
Mas o homem não sabia que era ela,
E tolamente ele a chamou de Poesia.

Outro dia o poeta encontrou uma puta,
Que também era chamada de Fantasia.
E ele também não sabia que era astuta,
E também chamou a piranha de Poesia.

Houve outro em que encontrou uma santa,
Na cidade também conhecida por Fantasia.
Mas também não conhecia a tal sacripanta,
E também a ela chamou pelo nome Poesia.

E no fim o tal poeta descobriu uma morta,
Que no local também se diziam ser Fantasia,
Mas ele, sempre ingênuo, abriu-lhe a porta,
E jamais o poeta chamou alguém de Poesia.

06/08/2019

05/08/2019

As Mil Faces de Ales

As Mil Faces de Ales
Barata Cichetto
"- 'A boca úmida eu tenho e trago em mim a ciência / De no fundo de um leito afogar a consciência. / As lágrimas eu seco em meios seios triunfantes, / E os velhos faço rir com o riso dos infantes. '" - "As Metamorfoses do Vampiro" - Charles Baudelaire, França, 1861

Queria ter a coragem de apenas uma das tuas faces,
Assim eu não teria desistido dos Gatos e das Alfaces.
A poesia que brota de apenas um de teus mil lábios,
E assim seria tão belo quanto aos lobos e aos sábios.

Ah, eu queria tanto conhecer todas as faces de Ales,
E assim, quem dera assim, enxergar os meus males.
São mil faces, mil rostos, mas apenas uma realidade,
E todas são belas, mesmo quando falam de maldade.

Queria conhecer cada uma das tuas mil guerreiras,
Um exército indestrutível marchando pelas fileiras.
Rasgando as roupas finas e bordadas do imperador,
E exibindo a nudez cruel que veste qualquer ditador.

Ah, queria tanto ter coragem de amar qualquer uma,
Entre as mil, a que pudesse ser a outra ou nenhuma.
Mil faces e mais duas, um desejo ou mais de dois mil,
E eu que não consigo me olhar no espelho sem ser vil.

Ales tem mil faces e nenhuma delas usa maquiagem,
Todas foram pintadas à semelhança de sua imagem.
A libertina liberta do papel todas suas almas sadistas,
E todas são belas, todas são poetas, todas são artistas.

Ah, e eu feito um pobre Baudelaire pouco requintado,
Colocaria todas tuas personas num bordel encantado.
E as amaria além de como se ama a abóboda noturna,
No universo dos seus versos, minha "grande taciturna.".

Li sobre ti antes mesmo de conhecer tuas mil Lucrécia,
Nos livros dos poetas embalsamados da antiga Grécia.
Predestinado ao caminho dos tolos feito escravo liberto,
Segui escrevendo errado em um tempo que era incerto.

Espero que não me queiram por meus versos apedrejar,
Mas que o faça sem desprezo, alguma que assim desejar.
E que feito a lua ofendida, não me privem da sua alcova,
Antes do final, ou que da vulva temporal também chova.

05/08/2019

02/08/2019

Verve Voraz, Vulva Veloz

Verve Voraz, Vulva Veloz
Para e Por Ales Menon
Barata Cichetto



1 - (Por Ales)

Guardo ainda, no bolso traseiro da minha calça,
O retrato de uma mulher que caminha descalça.
Com uma carteira e um maço de cigarros vazios,
Eu caminho sem destino andando pelos desvios.

Digo bom dia, e ela me declama um de seus versos,
Minha heroína vadia conhece de cor meus universos.
Eu não tenho o que fumar, nem tenho dinheiro vivo,
Mas tenho a imagem guardada, e dela eu sobrevivo.

Ela conta uma história que me condena e me absolve,
Uma lira mundana, verbo que me excita e me absorve.
A verve venenosa busca as vagas da minha consciência,
E eu, verme vadio, acho no verbo a verdade da ciência.

A vulva viva rasga a manhã que nem me parece um dia,
E versa voraz em verso vivo a viuvez da minha covardia.
Mas agora te vejo vertendo a vastidão voraz da tua ira,
Virando vozes vazias como vingança viva da minha lira.


2 - (Para Ales)

Voraz vivente vendo a vida que invento,
E vou vendo vulvas em chuvas de vento.
Vulgarmente vadio, venero as vacas vãs,
E vendo vagas a vista, às vitoriosas vilãs.

Venho de vetustos vastos vales, vate servil,
E vejo vir um vulto vadio de vingança viril.
Visto a verdade voraz e vou vivendo,
Sem ver a vaidade vaga se vendendo.

Veja a vitória vindo e vá-te vestir de atrevida,
E voe na vertente da veia viva que foi servida.
Cadavérico, visto as vestes do vilipêndio vão,
E vou varrendo a volúpia nas vigas do vagão.

Vamos vadiar, vistosa vate de vontade prevista,
E ver a vertigem vulgar a vagar vil e imprevista?
Vista o vestido de voal e venha ver o Universo,
E viver o verbo na velocidade voraz do inverso.

02/08/2019


31/07/2019

20 Livros de Barata Cichetto/Luiz Carlos Cichetto, para Leitura e Download Gratuito


20 Livros de Barata Cichetto/Luiz Carlos Cichetto, para Leitura e Download Gratuito

Tudo que escrevi e publiquei - artesanalmente - desde 1997, com algumas coisas de poesia ainda dos anos 1970 e 80, incluindo poemas, crônicas, autobiografia, os textos das três óperas Rock e até o livro infantil, estão disponíveis gratuitamente, para leitura e download em PDF pelo site Archive.Org, que se propõe a compartilhar obras artísticas do mundo inteiro. Uma imensa biblioteca pública.

São 20 livros ao todo, a maioria já publicado pela extinta Editor'A Barata Artesanal, que criei em 2010 e que em quase nove anos, publicou, além dos meus, mais cinquenta títulos de vinte autores.

O objetivo não é altruísta, mas sim tentar tornar meu trabalho conhecido, além de afastar eventuais abutres que podem se achar no direito de usufruir pelo que não produziram, e sequer apoiaram. A publicação está de acordo com os critérios da Creative Commons, embora todos os textos tenham sido registrados no Escritório de Direitos Autorais.

Para acessar todo esse material - mais de três mil páginas - acesse: 


28/07/2019

Toda Poesia Que Eu Pude Carregar 1978-2015

Toda Poesia Que Eu Pude Carregar 1978-2015
Barata Cichetto
37 Anos de Poesia em Um Único Arquivo Digital Grátis

"Toda Poesia Que Eu Pude Carregar", reúne todos os poemas escritos por Barata Cichetto, seja com esse nome literário, ou como "Carlos Cichetto" como constava na capa do meu primeiro livro, mimeografado, lançado em 1981, chamado "Arquiloco (lê-se aquíloco. Nome de um poeta-soldado grego da antiguidade). Com exceção desse, e de "Cohena Vive!", lançado pela Multifoco do RJ, todos os outros 13 foram editados e artesanalmente e lançados pelo projeto próprio chamado "Editor'A Barata Artesanal". 
São quase mil poemas e mais de mil páginas, onde o sexo, poesia e o Rock são tratados de forma filosófica, num profundo mergulho aos subterrâneos da mente humana.
Escatológico, verborrágico, tenso e muitas vezes cruel, a poesia de Barata nunca alcançou grande número de leitores, e entre os motivos, como afirmam alguns, por colocar o leitor de frente a um espelho; ou mais que isso, já que no espelho a imagem é invertida, mas na poesia honesta, cristalina e profundamente pornográfica de Barata Cichetto, não é o reflexo, mas a verdadeira face tanto do autor quanto do leitor. E enxergar a nós mesmos, como meras criaturas moralmente deformadas, com segredos e medos, expostos como sangue e vísceras, é realmente um tanto assustador.
A presente coletânea foi editada com exclusividade para o projeto Internet Archive, e todo seu conteúdo foi registrado no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional. A publicação, desde que mantida autoria, é livre, de acordo com os critérios da Creative Commons, mas vedado qualquer uso de forma comercial, sem a participação do autor.
Com este, são dezessete (17) livros de a minha autoria e edição que coloco à disposição gratuitamente.

28/07/2019

25/07/2019

DOWNLOAD FREE - 10 Livros de Barata Cichetto

DOWNLOAD FREE - 10 Livros de Barata Cichetto

Aos amigos que afirmam gostar dos meus escritos, e que não puderam ou não quiseram comprar meus livros: acabei de colocar 10 deles - anteriormente lançados em papel - no Internet Archive para leitura e/ou download grátis. Os livros são:
- O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei uma Porrada
- Troco Poesia Por Dinamite
- Syd Barrett Não Mora Mais Aqui!
- O Poeta e Seus Espelhos
- O Cu de Vênus/O Câncer, o Leão e o Escorpião
- Manifesto Sem Eira Nem Beira
- Manual do Adultério Moderno
- Imprinting
- Falo
- Poemas de Pau Duro

O link: https://archive.org/details/@luiz_carlos_cichetto

Não deixem de comentar/favoritar. Enjoy

20/07/2019

Família

Família
Ao meu irmão Genecy Souza e a minha filha Joanna Franko

Aos meus pais, a meus filhos e a qualquer um que seja:
Família não é o que se empresta, nem o que se deseja.
Respeito é o que importa, e irmão é o que lhe respeita,
O restante tem o sangue, igual ao pernilongo e a seita.

Aos meus filhos, pais e todos que se afirmam parentes:
Família não é sorriso de fotografia de pasta de dentes,
É dividir a dor em partes idênticas, reduzir as cargas,
O resto é peso morto que carregamos nas costas largas.

A meus pais e filhos, que batem punheta a comunistas:
Família não é um luxo lixo aos interesses capitalistas.
É fluxo fixo de trocas, sem perdas ou lucros cessantes,
Sem saldo em conta bancária, e nem juros incessantes.

A filhos meus e pais seus, que roubaram noites e dias:
Família não é herança genética dos úteros das vadias.
É estar perto mesmo que longe, junto até que separado,
Ser o que precisar ser, e não aquilo que lhe é esperado.

A meus filhos que não são pais, e a pais sem filhos:
Família não é rua sem saída, nem trem sem trilhos.
É a estrada de mão dupla e um caminho sem culpa,
A quem não se precisa pedir perdão e nem desculpa.

Aos meus filhos sem mente, e meus pais sem coração,
Família não é a escolha, uma democracia sem eleição.
É um direito ao dever e um dever àquilo que foi feito,
E nem sempre perfeito é justo, ou não pode ser eleito.

Aos meus filhos, da puta ou da santa, e nunca abortados:
Família não é cuidar dos pais ou de filhos não adotados,
É dar aquilo que não foi pedido, agradecer o oferecido,
Sabendo que a troca é um valor há muito desaparecido.

E aos meus pais, que abortaram de mim antes de nascer:
Família não é sobrenome, ou algo que se possa esquecer.
Não é escolha, mas conquista; individual, e não coletivo,
É capital do ser, trabalho do estar; e essência do ser vivo!

20/07/2019


09/07/2019

Matemática

Matemática
Barata Cichetto

Um poeta não é um ser, é apenas um estar,
E poesia um zero menos um do que restar.

Não é um poeta um que possa ser posto,
Junto a um escritor, em seu lado oposto.

Um poeta é indivisível por dois, só por si, não a esmo,
Mas dois poetas são divisíveis por dois e por si mesmo.

Um poeta nunca é igual a outro poeta na adição,
Mas ao retirar um de dois a sobra é a contradição.

Multiplicar um poeta por outro é igual um problema,
Sendo o resultado da conta apenas um falso teorema.

Divida um poeta por dois e não lhe sobrará resto algum,
Um meio é igual a um nada, que é igual a um nenhum.

Subtraia a poesia de um, e a sobra é a matemática pura,
A sobra é um zero e nada é diferente na gramática dura.

Um poeta não é um um, nem um zero, nem um dois,
Nenhum poeta é um número, nem antes, nem depois.

08/07/2019

30/06/2019

Homem-Barata

Homem-Barata
Barata Cichetto
Imagem: Barata - Clker-Free-Vector-Images por Pixabay

Eu não quero ser o herói da classe trabalhadora,
Ou morrer em nome de uma causa dominadora.
Não quero ser o herói além de mim de ninguém,
Enriquecendo ou morrendo às custas de alguém.

Não quero usar capa, foice e martelo ou armadura,
Com a estrela no peito de um general da ditadura.
Eu não desejo ser chamado pelo sinal do delegado,
Deixando a cidade à mercê do meu próprio legado.

Quero salvar apenas a mim mesmo do meu perigo,
E ser meu próprio herói e o próprio arqui-inimigo.
Apenas por um dia, deixar de salvar a humanidade,
Pensando em salvar minha própria individualidade.

Sou super, mas nunca serei um herói de brinquedo,
E escondido atrás da capa de um miserável segredo.
Sem asas, casas a sobrevoar, com meu jeito de viver,
Apenas Homem-Barata, um anti-herói do sobreviver.

30/06/2019

12/06/2019

Deus Oposto

Deus Oposto
Luiz Carlos Cichetto, AKA  Barata 
Imagem: James Chan por Pixabay 

O poeta é um deus oposto: escreve torto por linhas retas. Um santo oposto que não faz milagres, traz desgosto. O poeta é um guerreiro oposto: não defende a luz, ofende a escuridão. É um crente oposto, que desacredita de deuses e de santos, mas tem fé no universo. O poeta é um deus inverso: escreve prosa como se fosse verso. O poeta é um deus torto: escreve vivo como se estivesse morto. Por fim o poeta é um deus oposto ao morto. Que se estivesse vivo não seria poeta.

30/05/2019

11/06/2019

Barata Cichetto | Poesia | Spleen

Spleen
Barata Cichetto
Imagem: Ractapopulous  By Pixabay

Era um poeta ultra-romântico de tão pouca sorte,
Que apenas muito idoso pode encontrar a morte.

11/06/2019

23/05/2019

Um Poema Dedicado a Você (Mas Você Não Vai Ler)

Um Poema Dedicado a Você (Mas Você Não Vai Ler)
Luiz Carlos Cichetto, Aka Barata, que você não conhece...

Longe da pretensão vaidosa dos poetas sem entendimento,
Eu não espero de ninguém que leia esse meu pensamento,
Como não leram outros tantos que escrevi em cinquenta anos,
Pois enquanto eu morria de dores tolas, tinham outros planos.

E agora, que chego à idade de estar de pijama, jogando dominó,
Com um frasco de soro pendurado no braço e sob olhares de dó,
Não espero que ninguém leia poesia de adolescente de sessenta,
Que achou de ser moleque apenas quando chegou aos cinquenta.

Então, escrevo poema resmungando, apenas para tirar sarro,
Antes que a enfermeira traga o remédio para soltar o catarro,
Ou ainda que mesmo morto me tragam as contas do hospital,
E eu tenha que depender de esmola de uma assistente social.

Então, leitor que não me lê, este poema é a você dedicado,
Por um poeta que já foi um sujeito simples, sem predicado,
Que de sua poesia nunca ganhou um troféu ou premiação
Mas que dela sempre fez sua dúvida, sua crença e oração.

24/05/2019

14/05/2019

Inspirados (Poemas Para Cheirar)

Inspirados (Poemas Para Cheirar)
Inspirados no Titulo do Livro de Dimitri Brandi, "Baseados - Poemas Para Acender"
Barata Cichetto

Há tanta poesia pairando no ar,
Que sequer a podemos respirar.

E tanta poesia a nos inspirar,
Que mal as podemos respirar.

E tanta que possamos cheirar,
Que mal pagamos por esperar.

E há tanta poesia a nos mirar,
Que nem podemos as acertar.

15/05/2019

03/05/2019

Eu Queria Comer Martha Medeiros

Eu Queria Comer Martha Medeiros
Barata Cichetto


"Roupa Velha" - Comida Típica Gaúcha

Eu queria cheirar a Martha Medeiros, pensou o gaucho, estudante da PUC, que também queria ser, como ela, cronista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros, não era flor de que se cheirasse.

Eu queria escutar a Martha Medeiros, falou o carioca, analfabeto do morro, que também se dizia, como ela, poeta. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros não dizia nada, também.

Eu queria pegar a Martha Medeiros, imaginou o baiano, sonhador da Cidade Baixa, que também achava ser, como ela, romancista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros também não era.

Eu queria ver a Martha Medeiros, sonhou o mineiro, olhando a capa de um livro em Belorizonte, que se via, como ela, contista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros também não via.

Eu queria comer a Martha Medeiros, ruminou o paulista, que também gostava de ser, como ela, poeta, contista, romancista e cronista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros não tinha gosto.

02/05/2019