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05/06/2012

Mediunidade


Mediunidade
(Trecho de "Barata: Sexo, Poesia & Rock'n'Roll - Uma Autobiografia Não Autorizada"

O processo de criação literária é algo muito interessante. Acredito que todos que escrevem com paixão, especialmente poesia, já se depararam com o fato de algum tempo depois ler suas próprias criações, não lembrar de as ter escrito. Estar certo que escreveu, mas não lembrar como, de que forma ou quando o fez. Plínio Marcos dizia que todo escritor é um tanto médio. E como Plínio era um esotérico, acredito que se referia mesmo a mediunidade espírita. Eu concordo em parte, mas acredito que a coisa funciona um pouco diferente. Um texto, um poema, uma obra qualquer de um artista é um pedaço de sua alma. Não essa alma apregoada nos escritos religiosos, mas a alma que todo artista coloca em sua criação. Quando lemos um livro de um determinado escritor, por exemplo, pegamos ali um pedaço da alma dele.  O mesmo acontece quando falamos, escutamos - pessoalmente ou não -, fazemos sexo ou tocamos outras pessoas: carregamos conosco um pedaço das almas delas.  Algumas tribos indígenas acreditam que a fotografia aprisiona a alma do fotografado. Até certo ponto estão certos. Mas um livro de um escritor tem decerto um grande pedaço de sua alma aprisionada. E quando lemos seu livro, libertamo-la e ficamos com parte dela integrando a nossa. Depois quando alguma pequena lamparina de inspiração acende e começamos a escrever, todos esses pedaços de almas "baixam" em nós e com eles todos juntos, construímos nossa própria obra.  Nossa própria alma.


03/06/2012

Direito de Herança


Direito de Herança
(Trecho do Livro: "Barata: Sexo, Poesia & Rock'n'Roll")
Editor'A Barata Artesanal - 2012 - 140 Páginas
Lançamento Oficial: 8/7/2012

Acho o Direito de Herança uma das coisas mais sórdidas e injustas que o sistema capitalista criou. Filhos, esposas e etc, recebendo dinheiro por algo no qual nem sempre (aliás na maioria das vezes) participou. Esse tal direito tornou milionários muitos preguiçosos. Seres que, enquanto o pai ou marido se arrebentava de trabalhar tinham vidas totalmente dedicadas à vagabundagem. E depois da morte do sujeito, passaram a mão em quantias vultuosas em bens e dinheiro. E quando tratamos de arte, então, a coisa piora em quinhentos por cento. A maioria dos artistas, principalmente escritores e poetas, foram humilhados e rechaçados em suas próprias famílias. Foram tachados de preguiçosos, folgados e vagabundos. Mas aí, quando mortos, essa mesma família recebe por frutos que, se dependesse inteiramente dela, nunca teriam amadurecido. São casos clássicos de direitos de herança na literatura, particularmente. Franz Kafka por exemplo, nunca ganhou porra nenhuma com seus escritos e mandou, à beira da morte, que seu melhor amigo queimasse seus livros. Max Brod, o tal amigo, não cumpriu o chamado ultimo desejo de um moribundo, e o mundo então conheceu a obra magnífica de Kafka. Mas, não sei se ele ou quem mais ganhou, mas o fato é que muita gente lucrou e lucra com aquelas obras. Raul Seixas morreu sozinho, implorando pelo retorno de uma companheira que atualmente ganha um monte de dinheiro em cima do nome daquele a quem ela desprezou. E como essas, um monte de outras referências a isso. E mesmo comigo. Meus pais sempre me rotularam de esquisito e preguiçoso... “Esse aí, ah, ele é poeta..” Num tom descaso e como querendo dizer: “Ah, esse aí,  Ah, esse é um bandido!”.

Minha primeira mulher me “obrigou” a jogar fora uma mala cheia de poesias e, depois de 15 anos, quando retornei a escrever, passou a afirmar que odiava o personagem principal de “O Feijão e o Sonho”, tachando a ele, e por tabela a mim, de “irresponsável”. Um detalhe: trabalho desde os 12 anos, quando comecei a ajudar meu avô empurrando um carrinho de vasos pesado pelas ruas. E nunca, com exceção de algumas épocas em que fiquei desempregado por poucos meses, deixei de trabalhar e manter família. Mas é certo que, acaso minha poesia, minha literatura rendesse um bom dinheiro, as coisas seriam diferentes. Filhos? Ah, filhos querem pais bem sucedidos, gordos, carecas e ricos para que possam confrontar, confortar e no fim... Serem idênticos... Enfim, é justo que após a morte, essas pessoas obtenham lucro com algo do qual, além de não terem participação alguma, sempre execraram? Sou da seguinte opinião: o “lucro” de um trabalho artístico deve ser dado apenas e tão somente ao artista enquanto pagamento por seu trabalho. Morto o artista, o lucro advindo da venda de seu trabalho deveria ser administrado por um fundo destinado ao financiamento de outras obras artísticas, assim mantendo-se, alimentando-se a arte da própria arte.. Isso é um assunto complexo e extenso, reconheço, mas de minha parte, é meu desejo que, acaso um dia, minhas obras tenham algum rendimento pecuniário, que seja ele destinado ao financiamento de outras. Nada mais! Se meus filhos desejam obter algum rendimento sobre arte, que façam suas próprias, usando a herança maior que poderia lhes dar: a genética e o incentivo às artes, à leitura e ao pensamento livre.



31/05/2012

Barata: Sexo, Poesia & Rock'n'nRoll, por Viegas Fernandes da Costa


Trecho  do prefácio, por Viegas Fernandes da Costa

"Barata: Sexo, Poesia e Rock’n’Roll” contribui para compreendermos os deslocamentos nas margens paulistanas, no underground cultural. Luiz nos leva a passear pelos cinemas pornográficos, convida-nos a uma transa em um puteiro, a bebermos o desespero e a mágoa e a dançarmos enlouquecidamente ao som de uma banda de Rock jamais alçada ao mainstream. Seu texto muitas vezes equilibra-se entre um Bukowski embriagado (êita pleonasmo maldito!) e um Bataille revelando-se na “História do Olho”. É desabafo e monumento de um homem ciente do tempo, este lugar miserável que nos traga em sua superfície porosa e movediça. É testemunho de entrega a uma causa que sabe perdida, mas nem por isso menos necessária." - Viegas Fernandes da Costa, Escritor e Historiador, Blumenau, SC

29/05/2012

Silêncio

Sófocles disse que há algo de ameaçador num silêncio prolongado. Acho que qualquer silêncio é muito ameaçador, pois é nele que há a verdade.

22/05/2012

Amyr Cantusio Jr. (Alpha III Project)


Amyr Cantusio Jr. é formado em Música Erudita pela Unicamp e autodidata em música eletrônica com teclados e estruturas de orquestração, música experimental progressiva e Canterbury Fusion. Tem cursos nas áreas de Psicanálise Integral, pela Escola Analítica Existencial do Dr.Victor Frankl em Viena, extensivo em Psicanálise Trilógica ministrado pelo Dr. Norberto Keppe e nas áreas de Musicoterapia, Ocultismo, Meditação & Filosofia Oriental de Teosofia e Yogas 

Foi crítico musical e colunista do Jornal Diário do Povo de Campinas e em revistas nacionais (Zen, Pendulum, Bons Negócios) e internacionais como a Background Magazine (Holanda) e Paperlatte (Itália) e na revista germano-brasileira Hard Valhalla.

Como artista plástico, desenhou a maioria dos logos e capas de seus próprios LPs e CDs e é Pintor de surrealismo gótico, com vários desenhos para capas e telas.

Na área musical, foi co-fundador do primeiro selo do Rock Progressivo e Música Eletrônica Experimental do Brasil em 1986 (Faunus), coordenador de vários projetos musicais em Campinas, entre eles “Rock Todas as Vertentes” (1986). Produziu inúmeras bandas no Brasil e no Exterior, trabalhou na trilha sonora do alemão de Holger Kernstein “Jesus Viveu na Índia” (1996) e também criou jingles, spots e trilhas sonoras na Junta de Rádio e Televisão e na Rádio e Televisão Bandeirantes.

O músico Amyr Cantusio Jr. produziu independente 20 CDs e 7 LPs desde 1974. Amplamente premiado no Brasil e no exterior, recebeu a Medalha Carlos Gomes (Campinas) por representar a cidade em mais de 15 países do mundo com seus discos e foi o primeiro lugar de arranjo e composição do Projeto Guarani. Além disso, foi considerado melhor Tecladista e melhor Projeto do mundo em vários festivais internacionais: Espanha/1986; Japão/1986, e Canadá/1991, Itália/1993, Escandinávia e Holanda. 

Atualmente desenvolve projetos de World Music e ritmos árabes e hindus no Espaço Cultural Lince Negro, com Filosofia Oriental, Instrumentação, Teosofia e História da Música, com sua esposa Cáthia Cantúsio.

Discografia:
LPs:
1983 - Mar de Cristal
1986 - Sombras
1987 – Agartha
1988 - Ruínas Circulares
1989 - Temple of Delphos
1989 - The Aleph
1990 - The Seven Spheres

CDs:
1993 - Voyage to Ixtlan
1995 - The Edge
1995 - Acron
1996 - Grimorium Verum
1996 - Oásis
1999 - The Edge of Vortex
2000 - Book of Sacred Magik
2001 - Live Destroyer – (Studio)
2001 - Spectro
2002 - Lord of the Abyss
1998 - The Aleph
1999 - New Voyage to Ixtlan
2000 - Seven Spheres
2004 - Ruinas Circulares
2004 - Temple of Delphos
2008 - Mar de Cristal
2008 - Sombras
2008 - Live-Shades of Windows
2010 – Vitória, ou a Filha de Adão e Eva (Libreto de Barata Cichetto)

Livros:
- Rock, Filosofia & Ocultismo
- Musicoterapia
- Anjos, As Sentinelas do Universo
- A Era da Escuridão
- A Era da Escuridão II
- A Música Erudita de Todos os Séculos
- Led Zeppelin (Compilação)

Sites Oficiais:
www.myspace.com/amyrcantusiojr
www.myspace.com/projectalpha3
www.myspace.com/alphaiii

Contato:
lunardraco@gmail.com
F(19) 3243.8647