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09/07/2012

Cedo ou Tarde...


Cedo ou Tarde...
Luiz Carlos Barata Cichetto

Acordou tão cedo, que nem o Sol ainda despertara
Cansado do dia, dormia ainda sob o manto da noite
Tão cedo que até a Lua cansada da noite se deitara.

Era cedo, e de tão cedo, sequer o dia lhe disse bom dia
Porque dormia ele, o dia, ainda sereno entre as colchas
De retalhos de sereno úmido das coxas da madrugada.

Mas nem tão cedo era assim, pois acordada feito a morte
A lhe sorrir a amante, com uma xícara de café nas mãos
Mas então era tarde, porque nunca dorme cedo a solidão.


08/07/2012

07/07/2012

Manifesto da Contra-Acultura


Manifesto da Contra-Acultura
Luiz Carlos Barata Cichetto



A Contracultura foi um movimento que teve origem na década de 50 com a Geração Beat, os chamados “Beatniks”, onde intelectuais, principalmente artistas e escritores, contestavam o consumismo e o otimismo do pós-guerra americano. Os líderes desse movimento foram Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. Mas o auge da Contracultura se deu nos anos 1960 com a explosão do Rock. Na segunda metade dos anos 60, Ken Kesey, Alan Watts, Timothy Leary e Norman Brown criaram a teoria e as práticas da Contracultura, ganhando destaque e transformando-se em lideranças do movimento. Muitos acreditam ainda que a deflagração desse movimento se deu bem antes com Jean Paul Sartre, através de seu engajamento político, defesa da liberdade e pessimismo pós-guerra, mas de fato a Contracultura começou a tomar forma e estender suas bases para além das fronteiras, chegando em todas as partes do mundo, onde pensadores como Luiz Carlos Maciel era um dos estandartes mais visíveis. O ponto alto da Contracultura é definido como sendo o Festival de Woodstock em 1969, mas outros festivais de Musica e Arte, nos Estados Unidos, na Europa e até mesmo no Brasil, representaram uma amostra do que poderia ser uma sociedade baseada em princípios simples de convivência em harmonia.

A contracultura, também chamada de cultura underground, cultura alternativa ou cultura marginal, pode ser definida como um movimento que questionava valores centrais vigentes e instituídos na cultura ocidental, aí incluídos todos os padrões de comportamento, como religião, educação e família dos modelos convencionais. A Contracultura buscava, através de formas alternativas, uma transformação da sociedade como um todo, através da tomada de consciência, da mudança de atitude e do protesto político. O Rock foi a trilha sonora, e mais que isso, o catalisador desse movimento, com sua vocação natural à rebeldia e a quebra de tabus.

De um modo geral, podemos citar como características principais deste movimento:
- Arte Auto-cognitiva;
- Valorização da Natureza; 
- Vida Comunitária;
- Antibelicismo;
- Vegetarianismo;
- Respeito a Minorias;
- Liberdade Sexual;
- Anticonsumismo;

Mas acredito que as principais características da Contracultura sejam, crítica aos meios de comunicação de massa como, por exemplo, a televisão; e principalmente a discordância com os princípios do capitalismo e economia de mercado. O uso de drogas psicodélicas, baseado nos estudos de Timothy Leary, principalmente, tinham um contexto diferente: eram usadas como fonte de inspiração e liberação da mente, preparando-a para novas e ricas experiências humanas, e juntamente com os outros elementos chave que formavam a base da Contracultura, estariam transformando o ser humano e a forma como ele enxerga e interage com o mundo, criando assim uma sociedade mais justa e benéfica a todos.

Mas com a chegada dos anos 1980 e o crescimento da tecnologia e da massificação intensa das comunicações, o Movimento Contracultura foi perdendo força, até que, no final do século passado passou a representar apenas um verbete de dicionário, uma referência histórica e nada mais. Os deflagradores desse movimento abandonaram o esse objetivo, provavevel mente cooptados pelo sistema que combatiam, usando o antigo jargão "se naõ pode com eles... 

Sem referências e sem guias, nasceu e cresceu uma juventude sem objetivos, sem porquês e principalmente sem questionamentos válidos e sem "talvez", aceitando de pronto o que os esquemas de massificação lhes oferecia. O mundo parecia mais colorido, sob o ponto de vista do consumo. Cores berrantes, primárias, sem meios tons e sem sobre tons... E a vocação natural de rebeldia, inerente á juventude e aos artistas, perdeu lugar para uma sociedade de consumo sem precedentes. E a velocidade é necessária à industria do consumo. Tudo tem que ser consumido rapidamente para que se compre o que vem a seguir. E essa regra foi alimentada ferozmente, instalada em todos os níveis. Dos bens simples de consumo às artes, tudo passou a ser criado para ser devorado rapidamente. E dentro desse panorama, foi criada uma cultura que, pior que leite instantâneo, sem nem necessidade de colocar nem a água... Tudo pronto para consumo. 

Chegamos ao Século XXI, a Internet explodiu no mundo inteiro. A realização do sonho de compartilhamento livre de informação, em tempo real, sem censura, sem intermediários. Não precisávamos mais depender da grande mídia, dos grandes esquemas de produção e comercio de cultura. Uma biblioteca e um arsenal ao mesmo tempo. Ao alcance dos dedos, dos olhos. Em lugar de uma máquina de escrever, um amontoado de folhas em um mimeógrafo, pernadas, dinheiro de Correio, apenas teclas e cliques. Seria o paraíso da Contracultura... Acaso seu espírito ainda existisse. E não era apenas o espírito da Contracultura que fora soterrado debaixo de toneladas de lixo. Os tempos eram outros, disseram, e trataram de transformar também em um produto de consumo fácil. No início ainda podia se sentir o cheiro de liberdade, mas depois o perfume do consumismo tomou conta. As chamadas redes sociais, que tomaram de assalto aniquilaram qualquer sonho cultural. Acabou com os sites de cultura de uma forma geral, acabou com os Blogs, que eram uma espécie de “panfletos” ampliados. Tudo, a partir de 2004, ficou reduzido à telas azul bebê, com pessoas fúteis e hipócritas, falando sobre futilidades, frivolidades e unhas pintadas...

Junto com isso, as ondas do politicamente correto e da sustentabilidade, - termo que muita gente usa sem saber porra nenhum do significado – transformou tudo em uma massa plástica e uniforme. As pessoas foram reduzidas a meros consumidores, embalados em músicas descartáveis, de refrão fácil, sem nenhuma mensagem. Tudo construído com o único intuito de consumo fácil e rápido. A busca desesperada por uma identidade, em meio a tantos rostos sem faces, transformou a comunicação em algo insuportávelmente chato e sem nenhum conteúdo. Falar de algo mais profundo que a cor da calcinha de uma atriz, ou citar uma frase que não seja de Caio Fernando Abreu ou trecho de poesia de Drummond, acabou sendo perigoso, muito perigoso. O humor se transformou em caso de polícia e os humoristas em bandidos. Uma censura disfarçada de “respeito” à minorias, de todas as matizes. E assim nos transformamos em zumbis apertando teclas de computadores, clicando em desenhos mal elaborados, sem a menor responsabilidade. Dentro das redes sociais, todos ou são belos, ou são inteligentes ou são revolucionários. Todos comparecerem em todos os eventos descolados e na prática ninguém sai da frente do computador. Escutando sem ouvir, quilos e quilos de emepetrês sem a menor qualidade musical. Vendo música, em lugar de escutar... Enfim, tudo em plástico azul do fundo das milionárias redes sociais, criadas por garotos que não tem outro objetivo a não ser amealhar fortuna.

- “Chegou a hora de uma nova revolução de Contracultura?” - Perguntei ao amigo Amyr Cantusio Junior, um dos maiores, mais capacitados e estudiosos músicos do Brasil, que, por seu desejo de se manter íntegro, de se manter fiel às duas idéias e conceitos, muito próximos à Contracultura, luta com dificuldade para mostrar sua arte e manter suas contas.  

- “Não, está na hora de criar a Contra Acultura, pois não existe uma cultura a ser contra, mas sim um aculturamento total e absoluto. Apenas lixo” – Respondeu ele.

E eu concordo!

Quando coloquei acima as definições e conceitos sobre a Contracultura dos anos 60 e 70, percebemos que existiam conceitos pré-estabelecidos dentro da cultura de uma forma geral. A euforia do pós guerra era o pano de fundo para uma cultura estagnada, antiga e sem horizontes. E baseados em conceitos filosóficos de pensadores que enxergavam o mundo sob uma ótica humanista, perscrutando o futuro e temendo o amanhã, lançaram as bases de um movimento que se propunha a carregar a humanidade a um estágio mais avançado, seja através das portas abertas pelas drogas psicodélicas, seja pela assimilação de doutrinas como o budismo, pelo uso da arte como veículo de crescimento e prazer humano.

Mas e agora? O que temos? Não temos nada. E principalmente, não somos nada. A arte se transformou em produto banal, as drogas em anestésicos sociais e as doutrinas em fanatismo religioso. A música, a mais nobre das artes, foi transformada num veiculo para o dinheiro, o estoicismo e a egolatria. Pensar, conforme previu George Orwell, se transformou em crime. A “crimidéia”, as palavras passaram a ser maltratadas e não estar de acordo com os padrões do “politicamente correto”, passou a ser um pesadelo. Sem a censura formal, de coturnos e fardas, passamos a sofrer a Censura do Processo, onde “tudo que você disse pode e será usado contra você”, numa distorção e ampliação, dos limites jurídicos. Achar que faz parte de sua liberdade denunciar alguém cuja opinião não é favorável passou a ser encarado como normal. O aborto, a ser tratado como apenas uma questão de direito feminino, Os conceitos de liberdade foram deturpados, estropiados e estuprados.

Falhamos e falimos enquanto seres pensantes num mundo sem perspectivas, sonhos e objetivos. O capitalismo, cujas bases fincadas no individualismo, faliu ao permitir a ingerência do socialismo, que também faliu. Todos os sistemas políticos faliram, todos os sistemas religiosos faliram, transformados em grandes negócios dominados por uma fé cega e perigosa, todos os sistemas culturais faliram. Enfim, todos os sistemas, de todas as tendências, das religiosas às artísticas, das políticas ás sexuais, também faliram. E o ser humano também faliu, não como sistema, não como tendência, mas como ser pretensamente dominante do Planeta.

Estamos entregues literalmente às baratas e nosso destino é morte, não apenas a morte física de cada um, mas a morte da humanidade. Ainda resta uma esperança? Quem sabe... O que nos jogou nesse ponto, no fundo de um poço escuro não foi o individualismo, mas o egocentrismo, e principalmente a falta de uma cognição mais ampla de nosso papel enquanto criadores de nossas histórias e nossos destinos. Construindo nosso destino através de atos individuais, mas não egocêntricos, estaríamos construindo, cada um de nós, um pedaço de um caminho que carregaria a humanidade ao bem comum. Mas abrimos mão disso, em prol de uma busca por uma segurança financeira falsa, uma beleza falsa e uma sexualidade falsa.

Então, continuamos sentados, esperando que a humanidade acabe, numa noite escura, ou retornemos a busca de nós mesmos dentro do quarto escuro que a deixamos no passado, quando ainda não tínhamos computadores, redes sociais e telefones celulares? Talvez seja mesmo a hora de uma nova revolução cultural, pois a cultura é a base de todo e qualquer desenvolvimento humano, seja no plano físico como no intelectual. Talvez seja a hora de um novo movimento de Contracultura, mas não para rechaçar a existente, pois não existe nenhuma, mas para criar uma nova, uma verdadeira. Não uma “Nova Consciência” como pregavam os Hippies, mas uma “Consciência Verdadeira”, que evolva cada indivíduo. De dentro para fora. Da construção a partir de um. Um país, um planeta, uma Humanidade feita não apenas de seres idênticos, com cor azul bebê, mas uma humanidade de cores diferentes, de matizes e gestos diferentes. Uma humanidade que seja a união de bilhões de “UNS”. E não de bilhões de seres idênticos, entalados e envasilhados, embalados e prontos para consumo.

Estão lançadas as sementes. Da sobrevivência ou da aniquilação. A semente da Contra-Acultura é o UM. Colhamos o que possamos.

Os Poetas e a Farsa dos Dominadores (Manifesto Parco Capitalista ou Vive La Différence)


Os Poetas e a Farsa dos Dominadores
(Manifesto Parco Capitalista ou Vive La Différence)
Luiz Carlos Barata Cichetto
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. – Ayn Rand

Após ler o pensamento acima, acredito que o leitor estará pensando: “Em que sociedade eu estou”? Que espécie de mundo eu ajudei a criar? Que espécie de mundo é este, que por omissão ou interesse eu ajudo a manter?

Estou certo que muitos terão a frase escrita por Ayn Rand, a filosofa de origem judaico-russa, como um retrato do Brasil... Que à mercê de um populismo da mais baixa instância, disfarçado de “socialismo moderno” nos atirou a vala mais comum da pobreza. E pobreza de todas as matizes, transformando este país numa terra de favelados e esmoleiros. Em geral disfarçam sua ganância, seu “coletivismo” primário e hipócrita sob o manto nem tão sagrado de uma Democracia fraudulenta, que sobrevive devorando aqueles que ainda ousam produzir e pensar. A produção e o pensamento – ou a produção do pensamento ficaram à disposição de velhacos corruptos e gananciosos, que as usam em prol de seus próprios e escusos desejos. E através de benesses, favoritismos e leis estapafúrdias, as converteram em moeda de troca. A produção, tanto de bens materiais, como a cultural deixaram de ter importância, usando, aqueles velhacos, de artimanhas sórdidas para controlá-las, escravizando todos os tipos de produtores, deixando-os a mercê de um esquema que favorece sempre os dominantes e seus tutelados.

Particularmente, o pensamento individual ficou perigoso, “politicamente incorreto”. A livre expressão de pensamento, antes tratada corretamente por censura era execrada pelos mesmos que hoje a usam em prol de seus próprios interesses. Massacram-se os pensadores e os verdadeiros artistas, destituem o caráter humano do pensamento, sob uma vã desculpa de uma igualdade que na prática não existe. Criaram então essa falsa idéia “coletivista”, que engana a todos, podando as asas dos criadores, transformando em crime tudo aquilo que não é aceito pelo mesmo esquema. Mantem-se assim o Estado de Coisas... Indefinidamente.

Criam protecionismos tolos e fascistas, disfarçados de modernidade. Não somos iguais, embora geneticamente carreguemos semelhanças. Somos de cor de pele diferentes, sim. E também somos de opção sexual, cor de olhos, de cabelo, tamanho de pés e mãos... Somos diferentes em essência, pois mesmo aqueles que acreditam em alma as sabem diferentes. E se somos diferentes, porque gostamos de ser tratados como idênticos? A verdade é: não, não gostamos disso, somos induzidos a que pensemos assim, pois é claro, de tal forma aqueles que nos dominam terão facilitados seus mecanismos de dominação. 

Quando criam cotas e privilégios especiais em função de idade, cor, sexo, predileção sexual, tamanho do nariz ou de qualquer outra coisa, nada mais estão fazendo do que admitindo sua culpa em não gerir o Estado de forma eficaz. E as pessoas se digladiam para exercer e exigir aquilo que pensam que lhes é favorável. Incompetente e mal intencionado, o Estado cria cada vez mais regras para encobrir sua incompetência e má fé. Em lugar, por exemplo, de obrigar que todas os prestadores de serviço de transporte publico transportem todas as pessoas com conforto, decência e dignidade, criam regras que privilegiam determinadas classes. No lugar de obrigar bancos, que são as que maior lucro indecente recebem, a atender e tratar as pessoas de forma confortável, decente e digna, criam filas de atendimento especial... E vai por ai. O Estado tem que prover vagas suficientes em escolas para todos, não criar cotas. O Estado tem que prover assistência médica decente a todos, não criar regras de privilégios, como se a saúde tivesse maior ou menor grau de gravidade em função de qualquer coisa. Essas regras são desumanas, fascistas, mas querem fazer com que as pessoas acreditem que são boas regras de convivência social.

O protecionismo e as leis que o comandam servem a propósitos contrários àqueles cujas intenções são declaradas abertamente. Ao criar leis que estabelecem direitos especiais e privilégios, estão em primeiro lugar criando a segregação. Em segundo, acirrando ânimos entre os dois lados. De um lado os Privilegiados e do outro os Não Privilegiados. Na Carta Magna está escrito que “Todos devem ser tratados iguais perante a Lei.” O que é, além de um engodo, uma forma fraudulenta, pois abre brechas para atitudes fascistas, segregacionistas e no fim, desumanas. O correto seria: “As leis devem ser iguais perante todos”... A diferença, sutil à primeira leitura é absurdamente enorme quando entendemos com clareza o seu sentido amplo. E esse diferença é crucial, pois enquanto no primeiro caso, diz-se que perante uma lei criada por alguém, todos devem ter tratamento idêntico. E no outro, que as leis é que devem ser formuladas para atender a todos.  De fato, entretanto, tanto uma quanto a outra forma são injustas e desumanas, pois ainda mesmo na segunda, os serem humanos são tratados como manada, como incapazes. A busca hipócrita da tal igualdade tão sonhada tanto pelos românticos quanto pelos ditadores. 

Seres humanos são diferentes, com desejos e necessidades diferentes, com buscas e caminhos diferentes. E, portanto serem tratados como idênticos é uma falácia. Uma mentira cuidadosamente alimentada por aqueles que tem por único objetivo a dominação. Temos sim, que conquistar aquilo que o personagem de Ayn Rand, no filme “Vontade Indômita”, conclui no discurso proferido durante seu próprio julgamento, onde dispensa o uso de advogado ou qualquer testemunha. “O direito do homem de existir por suas próprias razões." Este sim é o único Estado de Fato e de Direito justo ao ser humano. O resto, qualquer outra coisa, são mentiras impostas por dominantes. Aliás, quando o personagem dispensa o uso de advogados e testemunhas deixa bem clara a questão de que um ser humano, em condições normais, não naquelas criadas por uma sociedade falsamente democrática, é capaz de conduzir seu próprio julgamento, sem usurpadores e intermediários. Advogados, selecionadores, supervisores, diretores, comandantes, políticos de uma forma geral, todos esses e muitos outros foram criados não por uma necessidade de “organização” ou de “moral”, mas sim para atender as necessidades e desejos dos dominadores.

Dirão aqueles defensores das leis naturais, que mesmo dentre os animais selvagens existem dominados e dominadores. Sim, mas estes o são pela força, pela necessidade vital de sobrevivência. E ao que se concerne, o ser humano deixou esse estado selvagem de lado há alguns milhares de anos, servindo tal referencia apenas com uma máscara que esconde rostos bem mais perversos. Sobreviver pela força física não é o atributo da humanidade, dominar o inimigo, conquistar territórios, estes são apenas subterfúgios usados pelos dominadores e ao qual a maior parte da humanidade parece acreditar, por força não por escolha, ser um caminho natural à sua existência. 

O capitalismo não é o mal, o mal são os capitalistas. Alguém com certeza já deve ter proferido essa frase, embora eu nunca a tenha lido. Mas o que sustento, é que na essência o capitalismo é até mais justo ao ser humano, o ser humano individual, do que supõe a vã filosofia Marxista. É mais justo porque é mais honesto... Ou mais honesto porque é mais justo? Ambas as afirmações são verdadeiras. Em teoria, o capitalismo oferece chances reais de destaque aqueles que mais trabalham, que mais se esforçam, que têm mais cultura, mais inteligência... Enquanto o socialismo na essência quer tratar de forma idêntica a todos, o que acaba por gerar a injustiça e consequentemente o caos. A prova está no fato de que de alguma forma a espécie humana rechaçou o socialismo, pois, com exceção de dois ou três paises no mundo onde ele é mantido por ditaduras execráveis, no restante simplesmente sumiu. Em sua própria terra de origem, há mais de 20 ele não existe mais, tendo deixado atrás de si, e para as próximas gerações, um legado de mentiras, corrupção e desigualdade social que nem nos mais selvagens capitalismos existiu. 

Os próprios termos “direita” e “esquerda”, com sua conotação política, na maior parte dos países do mundo, deixou de ter significado. O socialismo, baseado nos tais princípios de Igualdade, falhou em todas as experiências humanas reais. E junto com seu primo mais pobre, o Anarquismo, provaram apenas aquilo que muita gente sabe, mas finge não saber: o ser humano não é igual. E não sendo igual tem pensamentos, desejos e principalmente metas e necessidades diferentes.

Mas os maiores fatores de derrocada do Espírito Socialista no mundo são os mesmos que fazem com o capitalismo não seja a grande forma de governo: a Vaidade e a Ganância. Elas, sim, as parentes distantes da Igualdade, em principio bastardas, que nos afastam uns dos outros. São elas, na essência que nos trazem de volta o lado selvagem, da dominação de territórios, na imposição da vontade própria em detrimento do aceite da vontade alheia. E acaso alguém consiga dominar, refrear esses “instintos”, teremos uma sociedade capitalista, que, ao contrário do que prega a hipocrisia socialista, justa. Uma sociedade é feita dos valores individuais e só assim é que chegamos ao bem comum, nunca ao contrário. Um país é um agrupamento de pessoas, que se felizes e bem sucedidas, em qualquer âmbito, farão um país feliz e bem sucedido.  O resto, queridos, é a mais pura e absoluta enganação. E não me falem que as ditaduras são privilégio da “direita”, porque as de “esquerda” foram tão ou mais violentas. Basta olhar a história.

Mas muitos poderão estar falando: “Esse camarada e maluco! O que tem a ver capitalismo e socialismo com Igualdade?” E ainda acrescentarão: “O capitalismo é quem está destruindo o mundo!” Ora, meus senhores e minhas senhoras, o que está destruindo o mundo não é o capitalismo, cujas bases fincadas no “individualismo” puro, pressupõe em resumo que você receberá proporcionalmente ao seu volume e qualidade de produção, em razão do seu valor individual, em linha direta a sua capacidade criativa. Enfim, terá aquilo que trabalhou para ter. E terá então, assim, seu merecido destaque e premiação, por seu valor individual, revertendo isso, obviamente, do coletivo. Claro que o capitalismo também se prostituiu ao lucro fácil, á ganância e a outros fatores que lhe mudaram a vocação inicial, mas ainda assim eu prefiro saber que um dia, poderei ter o lucro de meu trabalho e de meu esforço próprios, do que saber que estou dividindo tudo com preguiçosos e corruptos. Que as minhas chances são iguais às deles... Por quê? Para ter uma ilusão que estarei sendo justo? Ao preguiço e ao corrupto são quem interessa esse tipo de “socialismo”. E antes que me arremessem dúzias de pedras, quero que fique claro, que, sim, precisam existir os programas sociais para socorrer necessitados, mas apenas como situação circunstancial, emergencial, porque ocorreu alguma lacuna ou falha no sistema, jamais de forma permanente. Em resumo, um cidadão pode e deve ser socorrido por programas sociais quando sobre ele se abate uma tragédia, não para que ele viva de tragédias.

Então, vamos deixar de ser hipócritas e analisar a realidade: o que tem colocado a perder um sistema que é justo na essência e injusto no final, são as tentativas de inseminação artificial de dogmas “socialistas” dentro do capitalismo. Perplexo? Então: é justo que uma pessoa que não move uma palha para conseguir algo para sua própria vida, que é preguiçoso e inerte receba as mesmas oportunidades que aqueles que, de uma forma ou de outra produzem riquezas, sejam elas financeiras, culturais ou artísticas? É justo que exatamente essa pessoa que recolhe impostos e paga seus tributos e contas, alimente programas sociais corruptos e incompetentes que privilegiam não as exceções, as falhas no sistema, mas uma horda de vagabundos e preguiçosos? O Estado tem obrigação, sim, de prover as bases idênticas a todos, ou seja: educação e saúde públicas. E garantir que as pessoas não sejam alijadas do processo natural. Nada, além disso. Em outras palavras, bem mais simples: o Estado tem que ensinar a pescar e manter o rio limpo, não dar o peixe... A pescadores que ficam na beira do rio, dormindo e depois quando chega a fome, se alimenta do peixe que o outro pescou..

Tirando aquelas experiências retratadas em livros, de ficção, todas as experiências de sociedades igualitárias fracassaram. Todas as teorias sobre sociedades utópicas são belas e maravilhosas no papel. Desde a “República” de Platão, passando pelas enxurradas de textos literários, como o “Walden II” de B.F. Skinner, todas elas colocam como possível tal sociedade. Os Hippies da década de 60 obtiveram alguns bons resultados... Por pouquíssimo tempo. Mesmo experiências individualistas como a de Thoreau em “Walden, ou a Vida nos Bosques”, esbarram nas dificuldades inerentes ao ser humano. Aliás, na maior delas: seres humanos são diferentes, com necessidades... É claro que a vaidade e a ganância também tiveram seus fatores preponderantes na falência dessa idéia de “comunidade utópica”. Mas o fundamental, que a maioria das pessoas não quer enxergar é simples: seres humanos não diferentes... Com necessidades... E querer colocar todos dentro uma mesma regra, mesmo que seja esta a ausência de qualquer outra regra, é de uma estupidez total.  No fim das contas, mesmo que induzidos pelo sistema de dominação a acreditar que ele é igual aos outros, e que deve usar isso a seu favor, o ser humano não quer ser igual, quer ser diferente, gosta disso, de fato. Agora, existem os aproveitadores, aqueles que têm orgulho de ser diferentes, mas querem ser tratados como iguais... Mas estes estão naquela mesma leva que adora as cotas, os privilégios. Não porque acha justo para a “sociedade”, mas para si mesmo. E esses é que fazem a delícia dos cagadores de regras e leis protecionistas. Aliás, são até piores.

O pensador Ignácio de Loyola Gomes Bueno, em seu livro “O Futuro Começou”, coloca que “O Homem não é bom nem mal, é história.” O que é a mais pura e absoluta realidade. O que somos é o que fizemos, o que seremos o que fazemos. O Bem e o Mal, maniqueísmos e moral religiosa à parte, são conceitos fechados que na prática dependem apenas da visão individual. E essa visão é puramente baseada, na forma pura, pela história de cada um. E a história é individual essencialmente. Ninguém escreve a história de ninguém. Um biografo apenas retrata a história de uma pessoa, mas cabe apenas a cada individuo escrever a sua. Apenas a ele. E se cada um de nós construir sua história, seja ela dedicada ao que for, das ciências ocultas e exatas às artes ou mesmo a arte do ócio, de forma criativa e objetiva, teremos então uma cidade, um país, um planeta repletos, sim, de homens vitoriosos. E assim, cada um dentro de sua necessária diferença, iguais.

A cada dia percebo a diminuição da capacidade de raciocínio individual. Ninguém mais quer pensar. Teria acontecido algo com o cérebro humano? Teriam colocado alguma substância nos reservatórios de água que emburricou as pessoas? Não, o que ocorre é simplesmente é essa ditadura do falso socialismo, do coletivismo torto e fracassado que nos alimenta com ideais falsos de igualdade. Instigam o não pensar, instigam o não racionar, porque é, lógico, de tal forma a dominação é mais eficaz. E tratam de colocar mais elementos nesse caldeirão, como a Ganância, a Vaidade e o Orgulho, todos eles teóricos inimigos naturais da Igualdade, mas que numa química poderosamente ensaiada reduz a um líquido viscoso, bebido com prazer em salões emoldurados, servido por eunucos.

Estamos todos de mãos atadas, de joelhos no chão e bocas caladas perante nossos dominadores, este é fato irrefutável. Dependemos cada dia mais de seus métodos e meios de produção. Particularmente nos grandes centros urbanos cada vez maiores, nada, absolutamente nada daquilo que consumimos depende de nós mesmos. Nem a água que bebemos, nem a comida que comemos. Em tudo, e cada vez mais, dependemos dos esquemas gigantescos de produção. O reflexo disso é que, como qualquer dependente absoluto de algo, nos transformamos em escravos inertes e, o que é pior, defendemos com unhas e dentes os nossos “senhores”, com receio de perdermos aquilo que eles nos oferecem. E que não podemos viver sem. E eles nos fazem querer sempre e sempre mais e “melhor”. E quanto mais queremos, mais deles precisamos e mais somos escravos e mais somos agradecidos.

Quando, ainda nos anos 1980 se falava em tecnologia no futuro, acreditava-se que com a informatização iminente, as pessoas não precisariam trabalhar tanto e que teriam mais tempo para o lazer e para o prazer. Mas de fato o que a tecnologia nos trouxe foi exatamente o oposto disso. Passamos a trabalhar mais para, entre outras coisas, adquirir a tecnologia que passou a ser “necessária” ao prazer e ao lazer. E passamos a depender mais e mais de “novas tecnologias” que são criadas diariamente, alimentando e realimentando o mesmo monstro insaciável. Outro bom exemplo é com relação á medicina. Achavam os escritores e sonhadores, que a tecnologia resolveria a maior parte dos problemas de saúde das pessoas, que ela seria a panacéia de todos os problemas médicos, a cura de todas as doenças. Mas de fato o que se viu foi, não apenas essa panacéia não ocorrer, como o surgimento de inúmeras outras doenças decorrentes do abuso na utilização da tal tecnologia. Claro que seria assim, pois a indústria farmacêutica é a que mais movimenta dinheiro no mundo. A pergunta que com certeza ficará sem uma resposta definitiva: a alta tecnologia que temos a disposição atualmente foi benéfica ou maléfica? Se a resposta for “maléfica”, o que precisaria ser feito? Uma nova revolução, uma revolução que trouxesse de volta valores mais precisos e menos desumanos? Uma revolução definitiva, intuitiva e cognitiva?

A Revolução Francesa, tida como uma das mais importantes da humanidade foi baseada num trinômio: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. A frase, cunhada por Jean-Jacques Rousseau, um dos maiores filósofos do Iluminismo, que defende uma atitude geral de pensamento e de ação, baseando-se no fato de que os seres humanos estariam em condição de tornar este mundo um lugar melhor, mediante a introspecção, o livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Não me considero o suficiente gabaritado e nem disposto a analisar e discorrer em páginas e páginas sobre esse assunto, entretanto, a frase de Rousseu, baseado puramente em minha própria análise, enfoca os três pilares básicos não do que seriam as bases do próprio Iluminismo, mas da parte hipócrita do capitalismo. E a parte mais cruel dele. É onde eu retorno ao início de dois parágrafos atrás, onde falo que o mal não está no capitalismo em si, mas nos seus “detentores”. São esses três fatores que transformam o capitalismo em algo desumano, por fazer as pessoas acreditarem em coisas altamente irracionais e subjetivas. São reles palavras que carregam uma carga de mentira e ignorância usadas apenas no intuito de aplicação do procedimento padrão dos dominadores. A tal Fraternidade, antes de ser aquilo que originalmente propunha o termo, passou a ser usada pelo pilar das religiões, a Liberdade pelos artistas e teólogos do impossível, do inatingível, feito o Céu e o Inferno. E a ignóbil Igualdade, tema recorrente e motriz deste artigo, que é usada para sustentar uma corja de velhacos e interesseiros, cada um defendendo seus próprios e inconfessáveis propósitos.

Ah, essa tal de Igualdade, que tanto sua irmã gêmea e tão hipócrita quanto ela chamada de Liberdade, na prática não existem. Meras ilusões arquitetadas nos salões dos palácios dos dominadores. Acreditem, elas não existem, a não ser nas mentes dos poetas, dos sonhadores, dos artistas... E dos dominadores. Triste constatação esta, a de que os poetas são aqueles que alimentam a farsa dos dominadores...

04/07/2012



03/07/2012

Vontade e Ideal

Vontade e Ideal
Luiz Carlos Barata Cichetto



Dias atrás, uma amiga virtual, a Joanna Franko, colocou uma citação na Facebook de autoria de Ayn Rand. Confessei minha ignorância em nunca ter lido nada e quando me deparei com a obra, me senti um tolo, um inútil, um verdadeiro analfabeto literário, apesar de tudo que já li. Pois o que encontrei sobre essa filosofa e escritora de origem judaico-russa, radicada nos EUA, me fascinou, me deixando dias plantado à frente do computador, em sites de busca, procurando mais e mais informações sobre ela. E busquei os livros. Acabei de pedir por um sebo virtual uma de suas obras mais significativas, os três volumes de “A Revolta de Atlas”. Mas “A Nascente” (The Fountainhead, escrito em 1935) passei dias revirando sites de sebos e editoras sem sucesso. No You Tube encontrei um dos trechos mais impactantes da obra que foi levada ao cinema, em 1949, com Gary Cooper no papel do arquiteto idealista e com a direção de King Vidor. Como sempre a tradução brasileira, (“A Vontade Indômita”) é histérica, parecendo se referir a filme de faroeste, muito em voga naquela época. Do ponto alto do filme, que também consegui encontrar e acabei de assistir, retirei um trecho texto que é o discurso no julgamento do arquiteto Howard Roark, vivido por Cooper, onde ele faz uma defesa do individualismo. Os scripts do filme foram escritos pela própria autora. O texto a seguir foi construído a partir de duas bases: o áudio em português e uma tradução encontrada num blog. Que provavelmente foi transcrita do livro. Fiz uma mixagem entre as duas, pois achei que a tradução de uma ou outra versão, ou possui erros ou não é tão literária.

Agora, cumpre-me a obrigação de fazer o que qualquer pessoa a quem foi entregue o mapa de um tesouro incalculável, que é o de seguir cada passo, cada caminho que o leve até ele. Neste caso, a obrigação de buscar todas as obras de Ayn Rand. E por uma necessidade egoísta, de agradecer a quem lhe ofertou, gratuitamente o tal mapa, a Joanna Franko. Uma demonstração de que a parte as redes sociais serem compostas de pessoas carentes, que lutam por demonstrar o quanto são amistosas, belas, francas, sinceras e revolucionárias, ainda existem pessoas que agem exatamente da forma daquilo que Ayn Rand chama de “Criadores”: pensando, criando, produzindo e não servindo nem dominando, mas fazendo com as outras pessoas uma “troca livre e de escolha voluntária.”

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Trecho de "A Nascente"


"Há milhares de anos, o primeiro homem descobriu como fazer o fogo. E provavelmente ele se queimou na tocha que ensinou seus irmãos a acender. Mas deixou-lhes um presente que eles não haviam concebido e assim levantou as trevas da Terra.
Ao longo dos séculos, houve homens que deram os primeiros passos em novas estradas, armados a não ser com sua própria visão. Os grandes criadores, pensadores, artistas, cientistas, inventores, ficaram sozinhos contra os homens de sua época. Cada pensamento novo era rejeitado, cada invenção nova, era denunciada. Mas os homens de visão seguiram seu caminho. Eles lutaram, sofreram e pagaram, mas venceram.
Nenhum criador foi levado pelo desejo de agradar seus irmãos. Seus irmãos odiaram o presente que ele oferecia. Sua verdade era seu único motivo. Seu trabalho, seu único objetivo. Seu trabalho, não daqueles que o usaram. Sua criação e não os benefícios que outros extraíram dela. A criação que deu forma à sua verdade.
Ele manteve sua verdade acima de tudo e contra todos os homens. Ele prosseguiu, mesmo que outros não estivessem de acordo com ele, ou não? Com sua integridade como sua única bandeira.
Não serviu a nada, nem a ninguém. Viveu para si mesmo. E somente vivendo para si mesmo foi capaz de conseguir as coisas que são a glória da espécie humana. Essa é a natureza da conquista.
O homem não pode sobreviver, exceto através de sua mente. Ele vem ao mundo desarmado. Seu cérebro é sua única arma, mas a mente é um atributo só do indivíduo. Essa história de cérebro coletivo, simplesmente não existe. O homem que pensa, deve pensar e agir por conta própria. Aquele que raciocina não pode trabalhar sob nenhuma forma de coação. Não pode ser subordinado às necessidades, opiniões ou desejos de outros. A mente não é um objeto de sacrifício.
O criador segue seus próprios julgamentos, o parasita segue as opiniões dos outros.
O criador pensa, o parasita copia.
O criador produz, o parasita tira dos outros.
O interesse do criador é a conquista da natureza. O do parasita é a conquista do próximo.
O criador exige independência. Ele não serve, nem domina. Ele faz com homens uma troca livre e de escolha voluntária. O parasita procura o poder. Ele quer reunir todos os homens num ato comum a todos e de escravização comum. Ele alega que o homem é somente uma ferramenta para o uso de outros, que deve pensar como eles pensam e agir como eles agem. E viver em abnegada e triste servidão de qualquer necessidade, menos a dele mesmo.
Vejam a história!
Tudo o que temos, cada grande realização, veio do trabalho independente de alguma mente independente. E cada horror ou destruição tem origem na tentativa de reduzir os homens a rebanhos sem cérebros, robôs sem almas. Sem direitos pessoais. Pessoas sem ambição. Sem vontade, esperança ou dignidade.
Esse conflito é muito antigo. E ele tem um outro nome: o Individual contra o Coletivo.
Nosso país, a terra mais nobre na história da humanidade, fundamentou-se no principio da individualidade. O principio dos direitos alienáveis do homem. Foi um país onde um homem era livre para buscar a sua própria felicidade. Ganhar e produzir, não desistir e renunciar. Para prosperar, e não passar fome. Para realizar, não saquear. Para ter como sua maior possessão, o sentido de valor pessoal e como sua maior virtude, o seu auto-respeito.
Olhem os resultados. Isto que os coletivistas estão agora pedindo para os senhores destruírem, tanto quanto da Terra já foi destruída.
Eu sou um arquiteto. Eu sei que se constrói a partir das bases.
Estamos nos aproximando de um mundo no qual eu não posso me permitir viver.
Minhas idéias são minha propriedade. Elas foram retiradas de mim à força, por quebra de contrato. Nenhum recurso me foi deixado.
Entenderam que meu trabalho pertencia a outros, para fazer o que quisessem, que tinham direito sobre mim sem minha permissão, que era meu dever servir-lhes, sem escolha ou recompensa.
Agora sabem por que eu dinamitei Cortlandt. Eu a projetei eu a fiz possível. E eu a destruí. Concordei em fazer o projeto com a finalidade de vê-lo construído como eu queria. Esse foi o preço que eu cobrei pelo meu trabalho. E não fui pago.
Meu edifício foi desfigurado pelos caprichos de outros que se beneficiaram com o meu trabalho e nada me deram em troca.
Vim aqui dizer que eu não reconheço o direito de ninguém a um minuto de minha vida. Nem a qualquer parte de minha energia, nem a alguma de minhas realizações. Não importa quem faça essa reivindicação.
Tinha que ser dito. O mundo está perecendo em uma orgia de auto-sacrifício.
Eu vim aqui para ser ouvido em nome de cada homem independente que ainda resta neste mundo.
Eu quis estabelecer meus termos. Eu não quero trabalhar ou viver em nenhum outro.
Meus termos são: o direito do homem de existir por suas próprias razões."

O Livro:
O livro "A Nascente" (The Fountainhead) foi escrito em 1935 e demorou 7 anos para ser concluído. Foi rejeitado por 12 editoras e finalmente publicado em 1943. Nos 2 anos seguintes, o boca-a-boca tornou-o um grande best-seller.

A edição em português está esgotada e, na data deste post, nem mesmo os sebos virtuais ofereciam a obra.






O Filme:
Título Nacional: Vontade Indômita
Título Original: The Fountainhead
Diretor: King Vidor
Elenco: Gary Cooper, Patricia Neal, Raymond Massey, Kent Smith, Robert Douglas, Henry Hull, Ray Collins, Jerome Cowan, Moroni Olsen
Roteiro: Ayn Rand, baseado em livro de Ayn Rand
Estúdio: Warner Bros. / First National Picture
Produção: Henry Blake
Fotografia: Robert Burks
Trilha: Max Steiner
Duração: 114 minutos
Ano: 1949
País: EUA
Gênero: Drama
Preto e Branco
Resumo: Howard Roark é um arquiteto idealista. Ele se apaixona por Dominique, mas termina a relação quando tem a oportunidade de construir edifícios de acordo com suas próprias diretrizes. Dominique casa com um magnata da imprensa, Gayl Wynand (Raymond Massey), que no princípio comanda uma forte campanha contra o que é chamado de "Radical Roark", mas posteriormente se torna partidário dele. Ao ser firmado um contrato de moradias populares, há a condição de que os planos originais de Roark não serão mudados de forma nenhuma, mas ele fica surpreso ao descobrir que suas determinações serão radicalmente alteradas. É quando resolve revidar, custe o que custar, sendo levado a julgamento por seus atos, ocasião em que dispensa qualquer ajuda de advogados e testemunhas e profere o discurso acima.

Trecho do Filme:
Ayn Rand from Fênix Felipe on Vimeo.

02/07/2012

Criador de Baratas


Criador de Baratas
(Trecho Inédito do Livro "Barata: Sexo, Poesia & Rock'n'Roll")

Um fato interessante com relação ao website A Barata, foi quando uma mulher, representando o SESC me ligou convidando para uma exposição que lá aconteceria. Ela falava, falava, e eu não entendia nada, achando que o interesse seria por meu projeto cultural. Até que ela disse que precisava saber do espaço que eu precisaria. "Espaço?", " Sim, para mostrar suas criações...",  "Criações? Senhora, minhas criações são poesias, contos, crônicas... E estão todas no site" , "Mas, o senhor não é criador de Baratas?". Em resumo, ela achou o nome "A Barata", e caiu na pagina onde eu me definia como "Criador d'A Barata" e achou que eu criava os insetos. Quer dizer não viu nada, não entendeu nada. E a tal exposição era mesmo de pessoas que criam animais estranhos.

(Parte do Apêndice...)