O CONTEÚDO DESTE BLOG É ESPELHADO DO BLOG BARATA CICHETTO. O CONTEÚDO FOI RESTAURADO EM 01/09/2019, SENDO PERDIDAS TODAS AS VISUALIZAÇÕES DESDE 2011.
Plágio é Crime: Todos os Textos Publicados, Exceto Quando Indicados, São de Autoria de Luiz Carlos Cichetto, e Têm Direitos Autorais Registrados no E.D.A. (Escritório de Direitos Autorais) - Reprodução Proibida!


18/09/2012

A Senha


A Senha
Luiz Carlos Barata Cichetto
Foto: http://www.zawaj.com/askbilqis/placing-hand-on-quran-for-not-smoking-again/
"Certa palavra dorme na sombra / de um livro raro. / Como desencantá-la? / É a senha da vida / A senha do mundo." - Carlos Drummond de Andrade, citado por Joanna Franko

Acendo um cigarro, o pensamento misturado à fumaça. Nem sei a diferença entre a fumaça e meu pensamento. Alguém bate a minha porta. Por que, sempre que estou querendo pensar alguém bate a minha porta? Ninguém consegue pensar com batidas na porta... Quem ousa atrapalhar o meu pensar e o meu fumar? “Seria o corvo de Poe?”, penso em meio a uma gargalhada nervosa. Seria um cobrador ou alguém simplesmente perdido querendo encontrar seu caminho? Cobradores telefonam e ninguém perdido bateria em minha porta. Seria uma drogada qualquer, uma ex mulher, ou um filho que não lembra mais meu endereço? Enfim, quem seria o ser que ousa perturbar meu sossego? Esqueci das contas, das dívidas e dos desejos e nessa hora queria apenas fumar e pensar. Decido permanecer ali, quieto, esperando que o visitante inesperado e não convidado se vá. Desapareça no ar feito a fumaça do meu cigarro. Ah, as portas... Nunca gostei de portas, nem de fechaduras ou de trancas ou de dobradiças. São monstros que fecham, que isolam, que impedem. Mas agora me sinto confortável atrás da minha, com meu visitante chato que insiste em bater. Fico quieto, em silêncio total, apenas com o som da respiração, soltando a fumaça do cigarro. Paro de pensar, pensamentos são barulhentos. Quem sabe ele, ou ela, desiste. Não quero saber de visitas, gente me incomoda com sua conversa importante, seus problemas e seus vícios e seus amores ganhos ou perdidos. Não me interesso mais por amores alheios, nem pelos meus. Penso em gritar para que aquele inconveniente se vá, desapareça, suma na imensidão da noite, mas não consigo. Ah, se não fosse o conforto e a segurança daquela porta eu estaria perdido. Ainda bem que lembrei de fechar aquela porta. Nunca fecho. Tenho facilidade em abrir portas, mas uma dificuldade imensa de fechá-las. E é assim o que ocorre com as portas para dentro de mim. Destranquei um monte delas nos últimos tempos. A chave era a dor e não o amor. O amor sempre me fechou todas as portas, ao contrário da dor. Amores podem ser boas chaves para abrir portas externas, mas às internas apenas a dor tem o segredo. E contemplei tudo o que existia por trás delas. Encantei-me e decidi ficar por ali, extasiado com as cores das paredes, com os quadros e com as marcas. Arte, paixão e dor, histórias infinitas. Não consigo e nem quero sair. Quero ficar e contemplar para sempre o que existe atrás daquelas portas. Não consigo trancá-las por dentro e então alguém pode querer entrar, da mesma forma que esse alguém que agora bate e insiste que eu lhe abra. Talvez seja minha mulher, com sacolas de mercado nos braços, cheias de sonhos domésticos e uma infinidade de coisas que não me causam prazer... Nem dor. É, é provável que seja ela e, portanto eu tenho que abrir. Mas não quero. Quero ficar aqui, sentado, olhando a fumaça do meu cigarro desaparecendo no ar feito eu mesmo. Sou fumaça? Cigarro queimando nos meus lábios enquanto meu pensamento arromba as portas da percepção para dentro um universo desconhecido dentro de mim mesmo? Na infância minha mãe falava que em tal deus sempre batia a nossa porta e era preciso deixá-lo entrar. Mas também foi ela quem me ensinou a não abrir a porta para estranhos desconhecidos. Poderia ser esse tal? Esse não é, com certeza, porque a mim não é nem estranho nem desconhecido. Simplesmente não é! Penso em levantar, abrir a porta e dizer àquele que bate, que não perturbe o meu pensar, que não incomode o meu fumar. Mas a nuvem de fumaça do cigarro ou da minha confusão mental me cega e não consigo chegar. “Qual é a senha?”, penso em perguntar. A senha é "dor". È sempre a mesma senha, é sempre a mesma dor. E a única senha que abre as minhas portas agora. Sinto-me fraco, cansado e com uma sensação de inexistência, mas com esforço levanto, vou até a porta e a abro. 

Lá fora apenas a escuridão da noite e nada mais.

18/09/2012

17/09/2012

Os Coveiros do Rock


Os Coveiros do Rock
Luiz Carlos Barata Cichetto
Foto: Bell Giraçol - 2009

Acordei com uma caganeira desgraçada... Mas por força da imposição alheia, tenho que falar que acordei com problemas de intestino. Então caguei, ou seja, obrei, defequei. A ditadura do politicamente correto não permite que eu fale, mas como tomei porrada de milico com 15 anos de idade, no auge da ditadura militar eu mando esses bostas tomarem nos seus cus. Enquanto isso, o underground corteja o luxo e o luxo corteja o underground. Não sou de pedra, nem peço desculpas ou peço perdão. Não sou filho de ninguém, apenas um poeta filho-da-puta que acredita em poesia. Poesia é merda! Não sinto falta de deuses, nem de demônios, apenas falta de dinheiro e de reconhecimento do meu esforço de 40 anos escrevendo merdas que ninguém lê. Poesia é merda! Ah, conhece o novo livro do Coelho? A nova musica do Caetano? Ou a nova peça do Chico? Conhece, claro que conhece! Sabe mesmo o que é ser underground? Não sabe. Claro que não! Não brinque de ser pobre. Não tenho absolutamente nada contra ter dinheiro, mas tenho muito contra a hipocrisia e o fingimento. Não tenha inveja dos pobres. Eu não tenho! Bancar o underground morando em cobertura do Leblon ou em Pinheiros é fácil, camaradas. O difícil é ser poeta morando em Guaianases. Ser do contra quando suas contas estão pagas é fácil. Ser revolucionário em rede nacional e internacional social é fácil. Difícil é ser poeta no meio de um trem abarrotado de gente preocupada com o futebol e com igreja. Morar no centro da cidade e posar de excêntrico, usando calças rasgadas e camiseta furada é muito fácil. Difícil é morar na periferia e só ter isso pra vestir. Um dia me disseram, sobre um livrinho meu mimeografado, que não acreditavam em arte pobre e quem disse isso me mandou seu livro impresso em papel couchê. E agora escuto do "Professor", do "Mestre", trinta anos depois quase a mesma coisa. A periferia não conhecia fanzine, conhecia jornazinho mesmo. E eu continuo não fazendo fanzine, continuo fazendo jornalzinho. O "Príncipe" não conhece minha história e eu não conheço a dele. Empatamos, pois. Fui testemunha do incêndio do Joelma. E também do Andrauss. Tinha uma loja de departamentos embaixo.  Não sou andrógino nem caracol, sou Barata. E não rastejo, caminho desse jeito. Não sou técnico em nada, conheço apenas a madrugada. Moro na periferia, mas não defendo nenhuma zona. Nenhum ponto cardeal me consola. Nenhuma zona, nem a de conforto – Essa mesmo que não me conforta. A única zona que conheço bem e defendo é a do meretrício. Não me finjo de artista para comer o coveiro. Não morro e não pago enterro de ninguém. E por falar nisso há muito tempo tinha parado de pensar em morte, mas ultimamente tenho pensado em saltar, em pular, em cortar e em atirar. Atear fogo. Logo, pouca gente irá lembrar, mesmo. A palavra “saudade” foi criada para isso mesmo, para que deixemos ir, deixemos morrer sem sentir culpa. A “saudade” cumpre o papel de consolador e absolvedor das culpas. Não quero um séquito, nenhuma legião de puxassacos nem de chupabolas, apenas respeito e reconhecimento. Ter um trabalho reconhecido por sua qualidade consiste basicamente em duas coisas:  1 - Fazer o que a gente gosta e gostar daquilo que a gente faz - Isso se chama honestidade. 2 - Não deixar a vaidade acima da verdade e da arte - E isso também se chama honestidade. Não brinco de poetar, poesia não é brinquedo. Poesia não é musica e musica nunca será poesia. Música é matemática. Poesia? Poesia é mágica, mate-mágica. Ato mágico de combinar letras e palavras e depois brincar de escorregador com os sentimentos próprios e os alheios. Qualquer poeta é uma criança. Não pela inocência, mas pela ingenuidade. Criança pela crença. Sou também... Mas cansado, doente e triste. Criei muitas coisas. Criei poesias, cachorros, galinhas, esposas e filhos. As poesias estão mortas, os cachorros me morderam e morreram e o resto não lembra de nada. Ao bem a memória é curta, ao mal é eterna. Durante muito tempo tentei matar o poeta, diariamente com doses de morfina, mas o desgraçado não morreu. Infeliz! Agora quero saltar do mundo com ele andando, porque assim a queda pode ser mortal. Quero saltar, pular do mundo sem que ele perceba minha falta, embora saiba que ele nunca perceberá. Filosofia de John Rambo:”Ser dispensável não é não ser convidado para uma festa, mas ser convidado, não ir e ninguém notar sua falta”. Queria mesmo ter estudado algo importante, odontologia, medicina, qualquer coisa que pudesse contribuir para diminuir as dores das pessoas, mas o que fiz foi abraçar uma “ciência” que não causa, mas que mostra às pessoas suas dores. Já que era para ser assim, deveria então ter sido soldado, polícia ou mesmo assassino profissional, ao menos ganharia algum dinheiro e não teria tempo de pensar nas dores do mundo. As Dores do Mundo... Maldito Schopenhauer! Maldito Rock’n’Roll. Ah, poderia ao menos ter sido musico ou cantor, ao menos teria a chance de ser escutado. Ninguém escuta poetas, muito menos ouve estrelas.   Poetas nunca estão na Televisão a não ser quando estão envolvidos em algo dantesco. Não sou poeta. Poetas são aqueles moleques mimados e putinhas recém chegadas de Londres. Os trens da CPTM não carregam poetas, carregam apenas angustias em seus trilhos de aço, movidos por maquinistas automáticos que alertam para descerem pela porta da direita, cuidado com o vão da plataforma. Joguei minha poesia nos trilhos do trem e sorri ao vê-la espatifada e rasgada entre os dormentes. Está morta! Eu a matei!. O Rock também está morto, mas não fui eu quem o matou, mas ele agora apodrece no meio das ruas e os coveiros chegam para enterrá-lo com suas palavras de ordem, seu fanatismo e sua doença. Não acredito mais nas artes, nem nos artistas. Quem matou o Rock? Já foi ao espelho hoje? Minha amiga chilena, cujo pai foi amigo de Neruda, disse que “a poesia não morre, mas o poeta precisa sobreviver.” Sobreviver não é viver e eu não quero sobras, quero inteiro. Ademais, não acredito em ninguém com mais de dez. Sófocles disse que há algo de ameaçador num silêncio prolongado. Acho que qualquer silêncio é muito ameaçador, pois é nele que há a verdade. E o que me resta agora é apenas cortar o cabelo e a barba e depois abrir o gás deixando uma placa do lado de fora da porta: “não acenda fósforos.” O bebê está dormindo, façam silêncio que o Rock está morto! Então que foda-se o Rock e foda-se a Poesia! Vou cagar!

17/09/2012

14/09/2012

Copia Infiel – Ato 2 - Led Zeppelin - Moral e Ética – Parte 1


Copia Infiel – Ato 2 - Led Zeppelin - Moral e Ética – Parte 1
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Imagem: Wikimedia Commons

O Led Zeppelin (1968/1980) não tem uma discografia muito extensa. Em seus pouco mais de 12 anos de existência lançou apenas 10 discos, incluídos uma coletânea e um disco ao vivo. Nesses discos, foram gravadas pouco mais de 80 músicas, sendo que destas, quase 30 (trinta) são consideradas plágio, parcial ou totalmente, sendo que ao longo dos anos a banda e seus integrantes, particularmente James Patrick Page, sendo algo de processos. Uma proporção muito perigosa para uma banda considerada como uma das melhores do Rock de Todos os Tempos. Tecnicamente, um plágio musical é considerado quando há uma sequência de 8 compassos idênticos, mas deixo de lado a questão, por falta de conhecimento na área. Considerarei o histórico e a semelhança entre a original e a “Cópia Infiel”. E é isso que importa, no final. E antes de qualquer coisa, quero avisar que, antes deste artigo ser publicado na Internet foi registrado no Escritório de Direitos Autorais, como todos os outros de minha autoria o são. Nem pense em plagiar! Acaso queira publicar, informe e cite autor e fonte. 

Antes de começar, quero dedicar este parágrafo deste artigo a um idiota.  Normalmente idiotas não merecem um parágrafo, mas este, por ter se dado ao trabalho de escrever uma "Carta Aberta" endereçada a mim estaria num grau mais elevado na escala. Tomei conhecimento da tal carta não porque a tenha recebido, mas por um "Alerta do Google".  Um ser que se auto-explica com uma conclusão de que “seus instintos não tem cérebro”, não mereceria nem ser lido, mas fiquei curioso em saber o que tal ameba pensa... Não que eu preocupe com o que pensam as amebas, mas é que minha mãe me ensinou a respeitar todas as formas de vida. Então, o cidadão começa logo ameaçando, afirmando que escreve não como fã, mas como jornalista, deixando clara sua prepotência, achando que o fato de ter cursado uma faculdade de jornalismo dá a ele o direito de ser dono da verdade, não apenas da sua verdade, mas também da minha. Informação e cultura não se aprende apenas na escola e jornalismo não é ciência. Caras assim não se conformam em perder seu status de dominadores da opinião publica, sentados em cima de seus rabos perfumados em redações de jornais e estúdios de televisão. Não se conformam com o fato de não dependermos mais apenas deles para nos informar e formar nossas próprias opiniões.  Até comecei a ler com respeito a opinião escrita no blog dele, mas quando li a frase: "E, como se trata de um texto seu, é claro que também está errado." Simplesmente desisti. Afinal, é apenas um cidadão que sequer coloca seu nome verdadeiro no blog e publica também uma Carta Aberta a ele mesmo, claro, com elogios rasgados à sua própria pessoa... Não sei, mas tenho a impressão que gastei um bom tempo dando atenção... a uma ameba vaidosa. Mas é que minha mãe... Ah, mãe! Pô!

Acredito que o leitor de cabeça aberta, com o cérebro não carcomido pela influência nefasta daqueles que ditam o pensar alheio, saberá entender que o que estou colocando neste e nos outros artigos é a minha opinião pessoal. E antes também que olhem o texto da minha biografia, onde falo que cresci escutando Led Zeppelin e que portanto estaria sendo incoerente, deixo claro uma coisa: sim, cresci escutando Led e até hoje ainda escuto. Comprei todos os discos, boa parte deles no momento em que saíram. Escutei centenas, milhares de vezes todas as musicas, procurei suas referencias musicais, artísticas e intelectuais, assisti dezenas de vezes o filme "The Songs Remains The Same". Além disso, o eremita (aquilo é um eremita, não um mago nem um bruxo, por favor) se transformou num símbolo esotérico forte para mim. E por fim, Led Zeppelin foi a única banda que usei em uma camiseta. E ainda no ano de 2012, escrevi um texto para a edição de um livro sobre a banda, escrito pelo psicoterapeuta, musico e escritor Amyr Cantusio Jr.

E esses fatos e argumentos me dão o direito de falar de Led Zeppelin da forma que eu quiser.  Como, aliás, a qualquer pessoa cabe o direito de falar sobre figuras publicas. Artistas não são deuses, música não é religião. Fanatismo é idiotice. E os nossos ídolos podem e devem ser cobrados, questionados, pilheriados. E até mesmo chamados de chatos, feios e bobos se quisermos. Para a maioria nunca deixarão de ser ídolos intocáveis, vacas sagradas, mas aqueles que ainda têm seu cérebro operando acima do necessário de cumprir as funções vitais como comer e beber entenderão o que falo. É preciso, portanto deixar o fanatismo de lado momentaneamente e enxergar meus de duas formas. Em primeiro lugar, o fato de apontar defeitos em um artista não quer dizer que eu o acho um bosta (em alguns casos acho mesmo), mas simplesmente o que faço é apontar as falhas e as divergências entre a obra e o artista (não, não sejam tolos, o artista e a obra são uma coisa só, e é isso o que difere o gênio da fraude, ou simplesmente do ser comum). Em segundo lugar, quando uso fatos para compor minha análise é com base em pesquisas, em noticias que foram divulgadas por vários meios de comunicação. Não invento nada. Se as fontes estavam corretas ou não, ai é outra questão. Como por exemplo, história do Kiss ser ou não uma resposta americana ao Secos e Molhados, na época foi matéria de jornal e está presente nas falas dos integrantes da banda brasileira e em muitos sites. Claro que a versão oficial dada por Gene Simmons, jamais irá confirmar isso e ninguém terá como provar nem uma nem a outra versão. 

Esclarecidas certas questões importantes, que, aliás, eu duvido que a maioria esteja lendo, pois irão direto a lista de musicas... Ou nem isso, irão pegar o titulo, a chamada da matéria e descer a lenha, fazendo associações esdrúxulas e partindo para a ofensa pessoal, espero poder agora tranquilamente dissertar sobre o assunto a que me propus: os plágios do Led Zeppelin. Pouco me importa se irão concordar e usar a educação que seus berços lhes proporcionou, o que importa é que estou exercendo meu sagrado direito à opinião e principalmente o direito de pensamento e de ação, da forma que minhas experiências me conduzem. Não há vacas sagradas e eu não contemplo o oceano com seus cardumes de peixes, contemplo as ondas, agitadas e perigosas que arrebentam na praia. 


Cópias Infiéis – Parte 1
-----------------------------------------------------------------------
: - Bert Jansch:
Herbert Jansch, conhecido por Bert Jansch, foi um músico escocês, ex-integrante da banda Pentangle, morto em 2011 aos 67 anos. Lendário compositor e guitarrista, largamente reconhecido como um dos músicos mais influentes de todos os tempos. Em entrevista ao jornal britânico "The Guardian", Jimmy Page lembrou ser "absolutamente obcecado por Bert Jansch".  

*  "Blackwater Side" (Faixa 7 do disco "Jack Orion" - 1966) 
> "Black Mountain Side" (Faixa 2/Lado B do Disco "Led Zeppelin" - 1969) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page"

* "Go Your Way My Love" (Faixa 1 de "Nicola" - 1967)
> "Going To California" (Faixa 3/Lado B de "Led Zeppelin" (4) – 1971) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page/Plant".

* "The Waggoner's Lad" (Faixa 1 do disco "Jack Orion" - 1966) 
> "Bron-Y-Aur Stomp" (Faixa 4/Lado B de "Led Zeppelin III"  - 1970 - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Jones, Page, Plant"
(Sobre esta música: Robert Plant declarou: "'Bron-Yr-Aur' foi um lugar fantástico no meio do nada, sem instalações, etc e era incrível o que poderíamos fazer naquele ambiente. (...). Jimmy estava ouvindo Davey Graham e Bert Jansch e estava experimentando com afinações diferentes.")

Comentário: A declaração de Page a respeito de Jansch feita por ocasião de sua morte em 2011: "Eu estava absolutamente obcecado por Bert Jansch Quando ouvi pela primeira vez que seu primeiro LP em 1965, eu não podia acreditar que ele estava tão à frente do que todo mundo estava fazendo. Ninguém. na América poderia tocar isso. ". Disse tudo isso, mas devolver a autoria das musicas surrupiadas, que rendeu e rende a ele e seus companheiros de banda muita grana, isso parece que não faz parte da reverência.
-----------------------------------------------------------------------
: - Blind Willie Johnson:
"Blind" Willie Johnson nasceu em 1897 e morreu em 1945, no Texas. Foi um cantor e guitarrista afro-americano. A despeito de suas letras serem de cunho religioso, sua a música ultrapassou a barreira do gênero. Johnson era cego.

* "It's Nobody's Fault But Mine" (Disco de 78 RPM Gravado em 1927)
> "Nobody's Fault But Mine" (Faixa 1/Lado B de "Presence" - 1976) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page/Plant".
-----------------------------------------------------------------------
: - Bobby Parker:
Bobby Parker nascido em 1937 em Lafayette, Louisiana é um guitarrista de Blues-Rock

* "Watch Your Step" (Compacto Simples de 1961)
> "Moby Dick" (Faixa 4/Lado B de "Led Zeppelin II" - 1969) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Bonham, Jones, Page"

Comentário: A história é que os músicos do LZ afirmam que a música de Parker teria sido a "inspiração" para "Moby Dick", tendo isso até mesmo gerado um contrato do bluesman com a Atlantic Records. Mas uma audição da musica original (que tem letra), principalmente da primeira parte, demonstra que é muito mais que isso. E a referencia a isso continua sendo ignorada.
-----------------------------------------------------------------------
: -  Bukka White
Nascido Booker T. Washington White em 1909  e morto em 1977 foi um cantor e guitarrista de Blues. "Bukka" não era um apelido, mas um erro de grafia de seu nome cometido pela gravadora Vocalion Records. Booker era primo de B.B.King. "Shake 'Em On Down" foi gravada em 1937 quando ele estava preso cumprindo pena por assalto.

* "Shake 'Em On Down" (Lado B de Compacto Simples - 1937)
> "Hats Off To (Roy) Harper" (Faixa 5/Lado B de "Led Zeppelin III" - 1970) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Charles Obscure"

Comentário: Segundo a informação oficial "Charles Obscure", era um pseudônimo “humorístico” de Page. A "versão" do humorista Page mistura trechos de vários blues tradicionais, sendo que a musica de White tem o maior numero de "pedaços" usados. E foi Bukka quem foi preso por assalto... 
-----------------------------------------------------------------------
: -  Howlin' Wolf
Chester Arthur Burnett (1910/1976), mais conhecido como Howlin' Wolf, cantor, compositor e guitarrista de blues. Um dos mais significativos cantores de blues de Chicago. Juntamente com, Sonny Boy Williamson II e Muddy Waters são citados como os maiores músicos de blues do mundo. O Led Zeppelin tocou "Killing Floor" ao vivo em 1968, sendo que em algumas apresentações iniciais Robert Plant anunciou a canção como "Killing Floor" e as primeiras prensagens do disco na Inglaterra ainda tinham esse nome. Após a ação legal impetrada pela editora Howlin 'Wolf, seu nome foi acrescentado aos créditos. A "versão" do Led Zeppelin tem em um ritmo mais lento e com palavras diferentes na letra, que é de fato de uma outra música, "Squeeze My Lemon" de Robert Johnson, que este também teria roubado da música "She Squeezed My Lemon" de Art McKay. Em algumas edições do álbum do Led Zeppelin a musica aparece como "Killing Floor".

* "Killing Floor" (Compacto - 1964)
> "The Lemon Song" (Faixa 3/Lado A de "Led Zeppelin II" - 1969) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Bonham, Jones, Page, Plant" (Posteriormente acrescentado o nome de Howlin' Wolf).
-----------------------------------------------------------------------
: -  Perry Bradford e Little Richard 
Perry Bradford (1893/1970 foi um compositor norte-americano que em 1920 compôs "Keep A-Knockin' (But You Can't Come In)". A musica foi gravada por inúmeros cantores e naquela década e nas posteriores fez muito sucesso. Em 1957, Little Richard, considerado um dos pais (ou uma das mães) do Rock, gravou a versão que foi a base completa, principalmente na introdução, de um dos maiores "hits" do Led Zeppelin: "Rock'n'Roll". Na gravação de Richard, o baterista era Charles Connor, e a introdução de bateria foi também copiada por Earl Palmer na gravação de "Somethin' Else" por Eddie Cochran, antes da gravação do Led Zeppelin. 

* "Keep A Knockin'" (Lado A de Compacto -1957)
> "Rock And Roll" (Faixa 2/Lado A de "Led Zeppelin" (4) - 1971) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page, Plant, Jones e John Bonham"
-----------------------------------------------------------------------
: -  Memphis Minnie
Memphis Minnie (1897/1973) Cantora e compositora americana de blues. Nascida Lizzie Douglas em Argel, Louisiana, Minnie foi uma pioneira das guitarristas e um dos músicos de blues mais influentes  de todos os tempos.  Em 1980, foi incluida no "The Blues Foundation's Hall of Fame". Mas, o fato é que ela lembrada atualmente "por ter escrito uma música chamada "When the Levee Breaks", que, com letra e melodia ligeiramente alteradas".

* "When The Levee Breaks" (Gravação de Memphis Minnie e Kansas Joe McCoy - 1929)
> "When The Levee Breaks" (Faixa 4/Lado 2 de "Led Zeppelin" (4) - 1971) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page, Plant, Jones, Bonham e Memphis Minnie".

Comentário: Pegar uma musica que já existe e foi gravada há mais de quarenta anos, mexer em alguns detalhes e depois colocar seu nome e de três amigos seus como co-autores da música pode não ser tecnicamente plágio, mas é no mínimo uma absoluta e total cara de pau aliada ao desejo de faturar em cima de algo que realmente não compôs. É o mesmo que um camarada pegar um livro, alterar alguns parágrafos e colocar a venda com o mesmo nome e incluindo seu nome como co-autor... Ética? 
-----------------------------------------------------------------------
: -  Ritchie Valens
Ricardo Esteban Valenzuela Reyes, (1941/1959), descendente de mexicanos, nascido em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos. Seu grande sucesso foi a canção "La Bamba", que mais tarde nomearia um filme sobre sua curta vida, terminada num acidente de avião no auge da fama.

O título da musica gravada pelo Led Zeppelin era "Sloppy Drunk", mas já era uma musica de Leroy Carr. No disco a musica foi creditada a "Page/Plant/Jones/Bonham/Ian Stewart/Mrs. Valens". "Mrs. Valens" seria a mãe de Ritchie. A Kemo Music, processou o Led Zeppelin e foi feito um acordo fora dos tribunais. A explicação de Page: "O que tentei fazer foi dar crédito à mãe de Ritchie (Valens), porque ouvi dizer que ela nunca recebeu quaisquer royalties de qualquer um dos sucessos de seu filho, e Robert (Plant) fez inclinar-se sobre aquela letra um pouco. Então o que acontece? Eles tentaram nos processar por toda a música!". 

* "Ooh! My Head" (Faixa 6 do Disco "Ritchie Valens" - 1958)
> "Boogie With Stu" (Faixa 3/Lado 4 de "Physical Graffiti" - 1975) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page/Plant/Jones/Bonham/Ian Stewart/Mrs. Valens"

Comentário: Uma ironia no mundo das cópias: o baterista que gravou o disco de Valens em 1958 era Earl Palmer, aquele que copiou a introdução de "Keep A-Knockin". Uma outra "coincidência: nos créditos do disco consta: "Roy Harper - Fotografia". Decerto que não era o cantor americano que foi homenageado em outra surrupiação,  "Hats Off To (Roy) Harper" . É apenas um homônimo, ou o fotógrafo da belíssima capa do disco é também um plágio. Ian Stewart, "road manager" dos Rolling Stones' que tocou piano na música e que, graças a isso creditado como co-autor da musica. Quanto à explicação de Page: grande e nobre senhor, preocupado com as senhoras mães de músicos mortos desamparados. Pegam a musica do filho dela, mudam alguns detalhes, gravam e ganham dinheiro com ela e a "megera" não reconhece que ele está lhe fazendo um favor. Ah, James Patrick, me poupa, né?! Mas... E ainda existe o "mas" ... "Ooh My Head" é uma cópia de 'Ooh My Soul' de Little Richard, lançada no mesmo ano de 1958...
-----------------------------------------------------------------------
: -  Robert Johnson
Robert Leroy Johnson (1911 ou 1909 ou 1912 / 1938). Nascido no Mississipi, é considerado um dos músicos mais importantes e influentes do Blues. Gravou apenas 29 músicas ente 1936 e 37.  Seu incrível talento como músico e compositor ensejou mitos e lendas, como o de ter feito pacto com o Demônio em troca de virtuosismo.  Segundo uma dessas lendas, alimentada por algumas de suas letras e também pelo cinema no filme de 1986 "Crossroads", Robert Johnson teria feito o pacto na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississipi, quando o Diabo teria pego seu violão e afinado um tom abaixo, devolvendo para Johnson que o tocou virtuosamente a partir de então. Uma biografia envolta em lendas e mitos como a própria morte. Histórias que dão conta que Johnson teria morrido após ser envenenado com Whisky misturado com estricnina pelo dono do bar "Tree Forks" onde ele tocava, enciumado por ele ter cantado sua mulher. Em outras versões, ele teria se recuperado desse envenenamento e morrido em seguida por pneumonia. Outras ainda que teria sido morto por arma de fogo ou de sífilis, mas a mais sensacional conta que ele teria saído desesperadamente do bar "Tree Forks", sendo perseguido por cães pretos, tendo sido encontrado com marcas de mordidas, cortes em forma de cruz no rosto, com o violão intacto ao lado do corpo ensanguentado. Segundo essa versão, Johnson morreu de olhos abertos e uma expressão tranquila no rosto. Em seu certificado de óbito consta apenas "No Doctor" (Sem Médico) como causa da morte.

"Travelling Riverside Blues" aparece em alguns lugares com o nome de "Mudbone" ou "Mud Bone" e é uma canção de blues composta e gravada pelo bluesman Robert Johnson. 

* "Travelling Riverside Blues" (LP "King of the Delta Blues Singers" - 1961)
> "Travelling Riverside Blues" (Originalmente gravado no BBC Studios em Junho de 1969. Posteriormente lançada em “single” em 1990. Em 93 foi incluído em "Coda" - Edição em CD)

Comentário: O mesmo de "When The Levee Breaks". Pegar uma música pronta, gravada anteriormente e modificar pequenos detalhes não dá o direito de se arvorar como co-autor da mesma. Se assim fosse, cantores como Joe Coker, especializado em gravar musicas de outros compositores com arranjos diferentes, que muitas vezes modifica totalmente o andamento e o ritmo da musica, poderiam colocar em todas essas "versões" seu nome como co-autor. 
-----------------------------------------------------------------------
: -  Willie Dixon
Willie Dixon (1915/1992). Baixista, cantor, compositor e produtor musical norte-americano. Um dos nomes mais importantes do Blues e referencia constante de muitos músicos do Rock. Suas músicas foram interpretadas por artistas como Bob Dylan, Rolling Stones, The Doors, The Allman Brothers Band, Grateful Dead e Megadeth. E pelo Led Zeppelin. Dixon foi lutador de Boxe na adolescência, chegando a ganhar um campeonato no esporte em 1937, aos 22 anos de idade.

* "Bring It On Home" (Sonny Boy Williamson - 1963)
> "Bring It On Home" (Faixa 5/Lado B do Disco "Led Zeppelin II" - 1969) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "Page, Plant".

O Led Zeppelin gravou uma versão da música para o seu álbum “Led Zeppelin II” usando uma parte como "uma homenagem a  Sonny Boy Williamson”. A Dixon, entretanto não foi dado nenhum crédito. Em 1972,  a Arc Music, braço editorial da Chess Records, entrou com um processo por violação de direitos autorais. Mais uma vez, o caso foi resolvido fora do tribunal por uma quantia não revelada. Em uma entrevista em 1977, Page comentou: "Há apenas umas poucas tomadas a partir da versão Sonny Boy Williamson e nós jogamos como um tributo a ele. As pessoas dizem que 'Bring It On Home' é roubada, mas, bem, há apenas um pouco na canção que diz respeito a qualquer coisa que tinha sido antes, apenas o fim."

Nota: Há uma outra música: "Bring It On Home to Me" escrita e gravada pelo compositor e cantor de R&B Sam Cooke em 1962, que foi gravada por dezenas de cantores como John Lennon, Sony & Cher, Van Morrison, Eddie Floyd e Lou Rawls. Na Internet existem textos que confundem as duas músicas, mas elas não tem nada em comum, a não ser parte do título e de terem sido feitas mais ou menos na mesma época.

* "You Need Love" (Muddy Waters - 1962)
> "Whole Lotta Love" (Faixa 1/Lado A do Disco "Led Zeppelin II" - 1969) - Autoria Expressa em Disco do Led Zeppelin: "John Bonham, Willie Dixon, John Paul Jones, Jimmy Page, Robert Plant"

Composta por Willie Dixon especialmente para Muddy Waters, "You Need Love" foi gravada em 1962. Em 1966, a banda britânica "The Small Faces" gravou a canção como "You Need Lovin'" para seu LP de estréia homônimo, com a letra bem modificada. A "versão" gravada pelo Led Zeppelin é uma espécie de híbrido das duas, sendo que a música se parece muito mais com a do The Small Faces e a letra com a original de Dixon. Ao analisarmos as duas letras, percebemos claramente que foram trocadas algumas palavras, sendo que até a própria rima é a mesma na maior parte dos versos. Ademais, até a forma de cantar de Plant nessa gravação é extramente calcada na de Steve Marriott. As semelhanças com"You Need Love" levaria a uma ação judicial de Dixon contra o Led Zeppelin em 1985, também resolvida fora do tribunal em favor de Dixon. Os "compositores" do The Small Faces nunca foram processados, apesar de "You Need Love" apresentar créditos apenas Ronnie Lane e Steve Marriott.

Sobre esta música, Robert Plant declarou: "Eu só pensei, 'bem, o que é que eu vou cantar?' (...). Na época, havia um monte de conversa sobre o que fazer. Foi decidido que era tão distante no tempo e influência que ... bem, você só é pego quando é bem sucedido. Esse é o jogo."

Em algumas das músicas de Willie Dixon gravadas pelo Zeppelin, entretanto, existem referencias corretas ao autor, nos discos, como nos casos de: "I Can't Quit You Baby" e "You Shook Me" (I). Há informações que mais tarde, após brigas na justiça e acordos, Dixon se tornou amigo da banda. De qualquer forma, há informações de que o próprio Willie Dixon, também teria copiado e registrado em seu nome muitas musicas de domínio público. 

Comentário: Haja muleta para tanto aleijado.

And... To Be Continued...

Amor Perfeito


Foto: Damiano Cali - http://www.damianocali.com/
Gosto de sentir o prazer físico do contato com um livro. O início do namoro ao entrar em uma livraria, como se fosse um amante observando de longe sua bela amada passeando em uma praça em tarde de sol. Chegar perto, trocando o receio inicial pelo interesse e pelo desejo. Tocar, pegar nas mãos passando suavemente os dedos pelo rosto e depois romper lentamente a timidez inicial e ir além.  Acariciar cada página, cada folha de papel que forma a pele do livro e sentir o perfume da impressão.... E ah, a impressão! Não é a toa que tem tal nome, impressão digital, marca, cicatriz... E ai apanhar pelas mãos essa nova paixão, carregá-la para casa e ama-la como se a primeira amante fosse. E a única. Sentar confortavelmente, abrir todos os sentidos e escutar todas as suas histórias, sentimentos e paixões. 

Todos os livros são histórias da vida de alguém e qualquer alguém é um livro de histórias. Pouco importa o gênero, pouco importa a altura, a cor, a idade e a nacionalidade, todos os livros são amantes especiais, cada um deles, especial e único. Feito as pessoas.  E tal e qual fazemos com as pessoas, alguns livros descartamos ao conhecer a história, outros amamos por uma vida inteira. Alguns nem chegamos a ler inteiro por termos odiado o inicio. Outros, nem chegamos a ler ou mesmo a conhecer por falta de oportunidade ou interesse. E existem também aqueles que odiamos por serem mal escritos, como às vezes também as histórias das pessoas. Outros odiamos por outros motivos totalmente inexplicáveis, como de resto às vezes também odiamos as pessoas. E também as amamos... Inexplicavelmente. 

E os livros, esses seres em principio sem vida própria, mas que a adquirem ao tomar a alma de seu autor e por vezes também a do leitor. Esses livros, que tecnicamente são um amontoado orgânico morto, feito seres humanos. Esses livros que ao serem conhecidos na sua integra, fatalmente mudam existências inteiras... E esses livros, que embora parecidos são únicos,  serão apreciados, odiados e amados de formas diferentes. Feito as pessoas.

Adoro pegar um livro, abri-lo, lê-lo, conhecê-lo. Andar com ele sob o braço é magnífico, pois esta é a forma de abraçarmos um livro,  dizer que gostamos de sua companhia e que somos próximos e amantes. Pelos ônibus, metrôs e praças tenho orgulho de apresentar a todos minha mais recente paixão, o livro que estou lendo no momento. Sinto-me orgulhoso quando alguém cobiça e deseja, pois tenho uma paixão que me causa orgulho, prazer e me faz crescer como ser humano. Tenho um amor que eleva minha auto-estima e que traz até mim o que de mais precioso um ser humano pode desejar: o conhecimento. Amante perfeito!

10/09/2012

09/09/2012

Divagações de Outro Burro

Divagações de Outro Burro
Luiz Carlos Barata Cichetto
Imagem: www.nanasart.com.br
Sou eu o Burro, afinal. Cansado de carregar putas e imperadores nas costas e na hora de aparecer no quadro sempre são os cavalos que são exibidos. Pomposos, com suas ferraduras resplandecentes. Sou eu o Burro, afinal. Um Burro cansado de ser burro. Um burro cansado do peso carregado durante uma existência inteira. Um burro cansado da chibata e da focinheira, dos arreios e da algibeira. Sou um burro, velho e cansado dormindo na cocheira. Sou eu, por fim, o Burro. Cansado das serras, das terras e do cativeiro. E burros não marcham. Deixa de ser Burro, homem!