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04/10/2012

Cansei de Rock!


Cansei de Rock!
Luiz Carlos Barata Cichetto
"Sabidos seguindo a saga,
salvando símbolos,
signos sobressalentes,
saberes soberanos,
seguindo sorridentes
sarcástica sociedade suicida."
- Artur Martins

Caro Amigo João Paulo Andrade, criador e editor do Whiplash:

15/09/2012 - Fanzinada - São Paulo - Foto: Bell Giraçol

Há um tempo escrevi uma matéria falando sobre a falência do Rock no Brasil. Iniciei o texto falando sobre a primeira gravação, "Ronda das Horas", apenas com o titulo traduzido. A gravação foi lançada em 24 de outubro de 1955 e os registros apontam que ela, uma cantora de Samba-Canção, foi a escolhida apenas por ser a única a saber cantar em inglês no "cast" da gravadora. Mas seis anos depois, irritada pelo "domínio" do Rock gravou: "Cansei de Rock", cuja letra criticava a "invasão". Ela participara da criação do monstro e agora se debatia para se livrar dele. 

E esse preâmbulo é necessário para que possa explicitar meu sentimento de indignação não por seu website, muito menos por sua pessoa, a qual tenho no mais profundo respeito. Começamos mais ou menos na mesma época, ainda quando a Internet era uma coisa que pouca gente conhecia. O seu Whiplash e o meu A Barata foram pioneiros em sites voltados à Cultura Rock. Foi em A Barata que lancei muitas idéias e projetos de apoio a bandas de Rock no Brasil. E bem antes do My Space, as bandas tinham gratuitamente um site personalizado. Fora isso, publiquei mais de 500 autores inéditos, sem nunca sequer ganhar um real. Fazia isso por uma paixão à Poesia e ao Rock, minhas paixões, e como tributo a artistas que sabia que não teriam espaço em outras midias. Criei vários eventos sempre com a presença de bandas, brigando com donos de estabelecimentos que queriam apenas bandas "cover", para colocar trabalhos autorais. Mas, com a chegada dos "blogs", do “My Space” e das chamadas redes sociais, as bandas e artistas partiram e não fazia mais sentido manter a coisa dessa forma. Tínhamos, nós dois, projetos voltados a Rock, mas o Whiplash trilhava um caminho diferente, priorizando noticias, fatos e detalhes da vida dos artistas. Assim, A Barata deixou de ser um site colaborativo para ser um site pessoal. E o Whiplash se tornou, como seria esperado por seu trabalho árduo, o maior do Brasil. 

Em 2002, me convidastes a ter uma coluna no Whiplash. Escrevi algumas matérias, mas depois, por uma série de problemas pessoais deixei de colaborar. A minha prioridade era a poesia, como alias sempre foi, e escrever sobre musica era um prazer que exercitei embasado em tudo aquilo que já tinha escutado e lido durante mais de quatro décadas. Já relatei minha trajetória dentro do Rock em outras matérias e tenho essa história publicada num livro que conheces bem.

Quando no inicio deste ano percebi que tinha muitos artigos sobre Rock escritos e publicados em meu website e blog, me propus retornar a publicar. Mas nunca o fiz em busca de "ser famoso" como apregoas na página inicial do Whiplash. Fazia aquilo apenas para colaborar e mostrar o que penso e conheço sobre o assunto. O que poderia pretender? Nada, além de fazer as coisas que mais amo no mundo: Rock e Literatura. 

Mas eu não sabia que muita coisa tinha mudado, não apenas no site, mas na cabeça das pessoas. Escrevi algumas biografias de bandas mais ou menos conhecidas e procurei sempre falar sobre trabalhos desconhecidos, com o intuito de trazer alguma justiça a esses trabalhos. Claro que pouca gente se interessou por essas matérias, afinal, a mídia trabalha sério na lavagem cerebral. E foi justamente essa lobotomia que eu quis combater com uma série de artigos que comecei a escrever colocando o dedo em determinadas feridas, demonstrando que mesmo nossos maiores ídolos cometem erros, tem falhas até mesmo de caráter. E principalmente mostrando que determinados astros eram incoerentes em se demonstrar publicamente uma coisa e viver outra. Claro que sabia do risco que corria, que seria atacado por certos fanáticos que não enxergam nada além do alvo de suas paixões cegas. Mas nunca imaginei que a coisa chegaria a níveis tão rasteiros, que até mesmo ameaças físicas eu receberia. Confiei naquilo que acreditava: que "roqueiros" eram pessoas esclarecidas, com a mente aberta. Mas o que percebi foi que na imensa maioria, isso não acontece. São fanáticos alienados e não são melhores que esses que andam por ai proibindo filmes e livros, que andam por ai pregando um ateísmo fanático, que andam por ai apedrejando não ao Rei, mas aquele que denuncia sua nudez. O Rei está Nu, sim! Todos os reis estão nus e todos os deuses estão mortos ou nunca existiram.

Se ataquei os grandes mitos, se desmascarei deuses, foi simplesmente por acreditar que essa fé cega em nada contribui para o crescimento da humanidade. Se provoquei aqueles que acreditam que um simples musico, por melhor que seja, deva ser endeusado, foi justamente para mostrar que estamos nos diminuindo como pessoas quando colocamos outras num pedestal. Que somos tão bons como qualquer um deles, desde que nos convençamos disso, trabalhemos por isso e paremos de mirar o alto de qualquer pedestal e olhemos para nós mesmos. Os ídolos podem, e devem, servir de exemplos, mas nunca ser alvo de uma dedicação cega. Fé cega e faca amolada é um belo nome para uma musica, mas ambas são muito perigosas. 

Recebi também ataques dentro e fora das hostes do Whiplash, de alguns jornalistas que acreditam que seus diplomas de jornalismo lhes dá o direito único à informação. Não sou jornalista especializado mas garanto que tenho muito mais informação musical e cultura geral que boa parte desses. E o que esse tipo de ataque demonstra, é que tanto essas pessoas quanto o publico por eles formado, se considera tão soberbo quanto aqueles a quem "ataquei", e, portanto tinham mesmo que subir no pedestal e contra-atacar, muitas vezes usando de fatos distorcidos apenas no intuito de provar uma verdade da qual se arvoram em únicos donos.

Mas por outra parte, esses fatos suscitaram em algumas pessoas um sentimento que não era apenas meu: o de que estamos todos nós que ousamos pensar e discorrer sobre esses pensamentos, condenados a uma fogueira santa. Pessoas como a de Roque Zanol, a quem desconheço e sobre quem não há referencias no Whiplash, e que publicou no próprio site uma defesa não a mim, embora faça referências diretas a meus artigos, mas particularmente aos textos opiniativos, apontando a inutilidade e falta de educação e conhecimento presentes na maior parte dos comentários. O autor termina seu texto com “É possível aceitar a escolha do outro e fazer críticas, utilizando-se o bom senso sempre, evidentemente. Espero que este texto sirva de resposta, também por outros, ainda que uma minoria, tenho consciência, e, por favor, leiam duas vezes e pensem três antes de comentar” Mas de nada adiantou, pois o próprio Zanol foi atacado com baixarias.
(Fonte: Comentários: Quando Eles Não Acrescentam ao Diálogo - http://whiplash.net/materias/opinioes/164187.html#ixzz285qLPZvM)

O jornalista Marcelo Moreira do Jornal da Tarde, em um artigo intitulado ”Politicamente correto e mediocridade elegem novo alvo: a crítica”, publicado em seu Blog “Combate Rock” também comenta a respeito desse assunto: “Ninguém diverge, contesta ou discorda com educação ou argumentos. Diverge-se, contesta-se e se discorda com ameaças e agressões verbais de todos os tempos. É um movimento inaceitável de cassação do direito de criticar e opinar.” Nesse texto, Marcelo cita o massacre imposto a mim pelos leitores do Whiplash: “O poeta e escritor Luiz Carlos ‘Barata’ Cichetto, conhecido no meio underground do rock e dos cenários literários alternativos de São Paulo e Rio de Janeiro, sofreu uma ação massiva de xingamentos e desqualificações quando publicou no site Whiplash...”.

Acredito por fim, que a maior parte dessas ofensas tenham origem, por parte de alguns, a necessidade de terem de santos, deuses e ídolos, colocados em altares e palcos que lhe apontem o caminho e lhes sirvam de muleta. E por parte de outros de se sentirem os próprios. Musica não é isso, não pode ser isso. Essas pessoas alardeiam a liberdade de expressão de forma irresponsável, para dar vazão à sua falta de educação e de cultura, sem a menor consciência do que ela representa. E parafraseando Roosevelt; "Liberdade de expressão não serve para quem não tem nada a dizer". E eu, embasado em tudo aquilo que já li, escutei e escrevi, garanto que tenho o que falar e principalmente escrever! 

Outra coisa que acredito é que atrelar um site a uma rede social é uma faca de dois gumes. Comercialmente, com intuito de alavancar audiência é muito válido, mas pelo ponto de vista da qualidade é perigoso. Os riscos são iminentes, principalmente aos colunistas que ficam ali, à mercê de loucos e fanáticos, recebendo toda sorte de ameaças, até mesmo à integridade física como aconteceu comigo. Estudos mostram que essas redes sociais desenvolveram uma esquizofrenia coletiva, com todo mundo se achando escritor, filosofo, poeta, humorista, etc. Em outras palavras, deram voz a quem não tem o que falar e que antes tinha que se manter no silêncio de sua mediocridade. Tudo se horizontalizou, nivelou por baixo, mesmo! Todo mundo quer aparecer, escrevendo o que vem na cabeça e acredita que ofender a um autor de um texto que desmascarou seu ídolo vai deixar ele de bem com o próprio. E quando as pessoas postam comentários logados no Facebook, está claro que o único objetivo é aparecer, normalmente mais que o autor do texto, e ficar bem com sua "galera" (ô palavra nojenta!).

E essa “evangelização do Rock” simplesmente não combina. As pessoas reagem com ídolos do Rock da mesma forma que os fanáticos religiosos. Falar que Jimmy Page plagiou mais de 20 musicas tem o mesmo efeito que falar que Jesus Cristo era gay ou comia Madalena. Como se a santidade tivesse que ser algo inerente a um “astro do Rock”. E essas pessoas se julgam melhores que os religiosos que se atacam uns aos outros. E afirmar que seus ídolos do Rock podem tudo, beira não apenas o ridículo, mas ao cumulo da falta de caráter. São essas as pessoas que reclamam da falta de caráter dos políticos? E são, sim! E reclamam não por terem uma consciência política, mas porque não podem estar no lugar deles. E isso vale para essa defesa incontinenti dos ídolos, sejam do que for. 

Resumindo meu objetivo, meu amigo João Paulo: estou saindo. E antes que fale que estou correndo de medo, que borrei nas botas, que não aceito criticas, deixo claro: aceito criticas, mas não tolero ofensas gratuitas e não reconheço nenhum dos leitores do Whiplash como representantes de nenhum artista. A maioria, infelizmente, é um bando de fanáticos sem cultura, seres cujos espíritos pobres e cultura mais ainda, são incapazes sequer de ler e compreender um texto. Não borrei nas botas, mas cansei de ficar usando um tempo que a mim é muito caro, para pesquisar e escrever matérias que serão alvo de ofensas e xingamentos.

Sou um artista, autor de quase um milhar de poesias, dois milhares de crônicas e dois romances. Editei 15 livros meus e mantenho meu site às minhas próprias expensas há 15 anos. Não vou servir mais de saco de pancadas de um bando de moleques querendo aparecer às minhas custas. Em outras palavras, não dou mais minhas pérolas a porcos e a galinhas. E digo mais: "Cansei de Rock" e principalmente, cansei de roqueiros.

Por fim, amigo João Paulo, desejo-lhe sucesso e sorte nesse seu trabalho árduo e frutífero à frente do Whiplash, o melhor site de Rock em português. Grande abraço!

Atenciosamente:

Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Escritor, Poeta, Webdesigner, Artesão, Editor Artesanal e Webradialista
Site: www.abarata.com.br
www.baratacichetto.blogspot.com



1/10/2012

Entre o Vão e a Plataforma

Entre o Vão e a Plataforma
Barata Cichetto
Foto: Camila Feltrin (http://www.mobilize.org.br)

Trabalho aos domingos, que sou um ser humano
Durante a semana, pois sou um poeta suburbano
Apanho o trem lotado de esperanças e cansaços
Sem cair no vão entre a plataforma e seus braços.

A condutora falando: "próxima estação esperança"
E não sonhe de olhos abertos "para sua segurança"
Mas trabalho aos domingos e na segunda eu acordo 
Com a máquina rugindo “é proibido comer a bordo”.

Olho o relógio, o calendário e lembro do que tinha

Pensando que poesia nunca chega ao final da linha
Dentro do trem é “proibido o comércio ambulante”
Pois não sabem o que é ser uma espuma flutuante.

Dorme a estação e até os trilhos sobre os dormentes

As escuras o trem, apagados seus olhos de serpente
E eu que não fecho meus olhos a noite, poeta reflito
Que não existe um trem seguro a um coração aflito.

03/10/2012

Cansei de Música!


Querido Cantor e Instrumentista, Ex-Parceiro e Ex-Amigo:

Primeiramente quero lamentar pelo homicídio que acabastes de cometer. Sim, pois com sua atitude prepotente e arrogante, acabastes por jogar no esgoto as mais belas músicas que escutei nos últimos tempos. Um maravilhoso conjunto de letra e musica que foi abortado, jogado na latrina por conta única e exclusivamente de sua vaidade. Do primeiro momento em que percebi algo de errado e decidi ligar para sua residência, passando pelas suas evasivas e negativas em explicar os motivos, até as ultimas horas, em que tenho feito análises e auto-criticas do ocorrido, tenho amargado a sensação, mais uma, de traição.

Há muitos anos convivo com músicos e é notório, na maioria deles, um egocentrismo exacerbado, uma vaidade sem limites e narcisismo. Músicos de forma geral acham que são semideuses. Ao menos a grande maioria é assim e, sinceramente, achei que você eras diferente. Mas agora, lembrando os fatos ocorridos desde o momento em que começamos nossa "parceria" chego à conclusão que não era. E foi esse, decerto, o motivo principal, senão único.

Desde o principio ficou clara sua arrogância em demonstrar suas qualidades artísticas e principalmente seu desejo de brilhar em palcos. Lembro do dia em que eu, sentado num sofá em sua casa, me senti humilhado com suas demonstrações de suas qualidades, de sua "genialidade" a uma platéia solitária. Mas, como meu objetivo ali, era fortalecer aquela amizade e parceria, e também por estar em seu território, calei-me. Afinal, eu era apenas um mero letrista, alguém que tinha escrito poemas que o “glorioso musico” estava fazendo o favor de musicar. E foi ai, quando imaginei que seria a realização de um sonho, que o pesadelo começou. E como todos os pesadelos, quando estamos no meio deles não sabemos que se trata de um, apenas quando acaba.

Desde o principio deixastes a vaidade falando alto, criando caso quando eu, na montagem final da musicas coloquei meu nome antes do seu. Era simples para mim isso, a despeito das regras estabelecidas, que o meu estaria primeiro pelo fato as poesias terem sido escritas bem antes. A ordem é essa: primeiro nasceu a poesia, depois a musica. E ai, onde o caro cantor e instrumentista, a quem eu julgava dono de uma sensibilidade impar começou a deixar sua vaidade tomar conta. Pois o que suscitou a sua composição musical foi a leitura de meu poema, foi o conteúdo e a forma do que eu escrevi que lhe deram o impulso e os caminhos da composição. Se eu tivesse escrito um poema em cima de uma musica sua, o que ocorreria seria o oposto. Mas isso, pouco importa quando a vaidade impera sobre a razão e até mesmo sobre a sensibilidade criativa. Realmente, o grande musico e querido cantor e instrumentista nunca percebeu realmente o que é processo de criação. E mesmo quanto se afirmava “isto não é musica, são poemas musicados”, estava sendo falso e hipócrita. 

Ah, a vaidade, é ela a culpada de inúmeros crimes cometidos na história da humanidade. A vaidade é a mãe de todas as guerras e a responsável pelas diferenças sociais e muitas outras mazelas. E foi ela a responsável por mais uma. Entendi claramente que nunca aceitastes a idéia de que formávamos uma dupla de compositores. Como eras o cantor e o compositor da música, o "astro", seu nome deveria figurar solene e único em todas as coisas, do CD ao Blog ou qualquer material de divulgação. Que heresia a minha, não! Que petulância essa minha, em achar que eu, um mero poeta, pudesse ter meu nome figurando ao lado de tão nobre cantor. Absurdo isso, não?! Desde o começo quando lhe falei em colocar dessa forma, não gostastes. E pior ainda, só fostes falar sobre isso muito tempo depois. E para piorar, segundo sua concepção torta eu impus isso. Não, querido cantor, não impus isso e tenho guardado comigo as mensagens sobre esse assunto. Disse-lhe que ficava um tanto incomodado, que achava injusto o fato de que a maioria das pessoas não sabiam e nem se preocupavam em saber que era o autor da letra, e que, como aquilo era um projeto de uma dupla de compositores, que seria justo que meu nome figurasse, mesmo que em segundo plano, embaixo do seu e com letras de menor destaque como fiz. Mas isso era demais para o seu ego de musico, seu ego de “artista”. Eu queria apenas ter a parte que a mim cabia, como co-autor das musicas, fato que também não é tão inusitado assim. E sempre entendi que o que “vendíamos” era um projeto de composição, não o SEU CD. E como você arrematou em nossa conversa telefônica: "Esquece esse papo de ‘Ciro & Barata’: isso não existe". De fato, eu sempre me referi ao "nosso" trabalho, "nossas" musicas, mas as suas postagens eram sempre na primeira pessoa do singular. 

Quando escolhemos as musicas, 19 entre 40, de comum acordo, fiz a montagem do CD, capa e arte, montei um blog com o nome da dupla, passei a buscar apresentações e o levei para o lançamento do meu livro. Os contatos que fiz, como apresentação no CEU não lhe interessaram. Era coisa de pobre e o grande e aplaudidíssimo cantor queria coisas maiores, grandes palcos, luzes. Concordei para não criar atritos, mas a partir dai percebi o que pretendias e decidi deixar as coisas por sua conta.. Paralelamente a isso, fiz cartazes para divulgar o SEU trabalho, passei três dias montando e upando videos para o “You Tube”. Três desses vídeos precisaram ser refeitos depois de prontos porque você não concordou com a frase que definia o seu trabalho, num arroubo de falsa modéstia. Concordei, refiz todo o trabalho. Horas e horas de trabalho jogadas fora para atender a sua vaidade. 

Mas o que foi decerto a gota d'agua, ou a desculpa que precisavas para simplesmente, sem sequer uma conversa, romper uma amizade e uma parceria, foi  com relação a artigos por mim escritos que geraram polêmica fazendo com que um bando de retardados atacasse, sem sequer escutar, um dos vídeos, criticando o cantor. Era claro que o alvo desses ataques era eu, pois imaginavam que era eu cantando ali. Mas é claro também que isso lhe incomodou. As criticas, mesmo que indiretas, o incomodaram e ademais, ser associado a alguém que causa polêmicas, que escreve palavrões e fala o que pensa não era exatamente o "Marketing" que você pretendia. Afinal, um grande cantor, com tão esplendida e brilhante carreira não podia ser associado a um poeta briguento, cabeludo. Isso pegava mal, feria de morte. Feria de morte sua vaidade. A verdade e a briga não fazem parte da sua vida. Mas da minha são fatores essenciais. Nunca me escondi atrás de médicos nem de remédios. Não uso nem usei drogas de nenhuma espécie. Portanto, não vejo o mundo sob a sua ótica, mas da forma como ele é. E isso foi demais para sua cabeça.

Tem horas que realmente penso que deveria dar ouvidos aos meus instintos. E se a eles eu desse ouvidos não tomaria tanta porrada. Achei muito estranho quando me falou que tinha registrado as musicas numa editora musical apenas em seu nome, e ainda afirmando que não tinha feito também no meu por que era “mais fácil assim”. Esquisitissimo isso, pois afinal, a partir desse registro, a tal editora pagaria apenas a você eventuais lucros advindos das musicas. E me falastes isso depois de consumado. Era realmente muito estranho, mas confiei em sua pessoa, a despeito do meu sentido me acusar algo estranho nessa atitude. E até porque todas as minhas poesias têm direitos autorais registrados. E olhe, querido cantor, a sua incoerência: o simples fato de eu ter colocado meu nome junto ao seu foi considerado por você como um ato de ditadura, mas o de você as registrar numa editora sem meu conhecimento, como se as musicas fossem apenas suas, não. É, a vaidade é entre outras coisas, incoerente!

Outro fato que lhe causou comoção foram trechos de uma crônica que escrevi, onde falava entre outras coisas que “musica é matemática” e colocava o fato de que depois que se resolveu colocar letras nas musicas, se acabou com a poesia. De forma geral não entendestes absolutamente nada do que escrevi, e mais uma vez, a vaidade lhe cegou. Com relação a primeira afirmação, isso é um fato que não deprime o talento dos músicos, mas é um fato comprovado num recente estudo feito pelo mais potente computador do mundo, da NASA, que chegou a conclusão que em 10 a 15 anos estarão esgotadas as possibilidades de combinações de notas para a criação de musicas. Isso, meu caro cantor e instrumentista, nada mais é do que provar que musica é matemática, sim. Agora, lhe pergunto, tal estudo com relação a combinação de letras que embaralhadas criam a poesia daria o mesmo resultado? Não daria! Mas isso pouco importa, pois se formos pensar com clareza, qualquer coisa, até mesmo a própria vida, pode ser encarada como matemática. E isso não depõe contra seu valor. Mas, entendestes isso como uma ofensa mortal e pessoal. Aliás, sabes o que também é matemática? A vaidade dos músicos! O resultado matemático é sempre o mesmo: EU!

Desculpe se estou tomando seu tempo precioso, mas esta mensagem é necessária para que meu ponto de vista seja exposto. E a titulo de informação: todas as referencias ao nome da dupla de compositores foi removida, incluindo os vídeos. Para mim essa história acaba aqui. Mas uma coisa lhe deixo bem clara: remova também todas as referências as MINHAS poesias de todos os lugares onde porventura as tenha colocado. Principalmente da tal editora, pois se essas musicas vierem a publico, saberei recorrer sobre meus direitos. E não ouse, nem no banheiro da sua casa, usar uma de minhas criações em suas musicas. Pois garanto que se o fizer, irás conhecer um lado meu que não acredito que vais gostar. Em palavras mais simples: estás absolutamente desautorizado legalmente por mim a usar uma sequer linha de um poema meu. 

Ficamos em paz, cada um tocando sua vida como sempre. Desisti finalmente do sonho de ter minhas poesias musicadas. Desisti de um sonho para que ele não se transforme em outro pesadelo.  E por ultimo: é totalmente desnecessário perderes seu tempo em responder a presente mensagem. Já perdi tempo demais. Use seu tempo para compor suas magníficas musicas que um dia poderão estar nos palcos mais refinados do mundo, sem minhas poesias, é claro. 

Atenciosamente
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Escritor, Poeta, Webdesigner, Artesão, Editor Artesanal e Webradialista
Site: www.abarata.com.br
www.baratacichetto.blogspot.com


28/09/2012

02/10/2012

(Marcelo Moreira) Politicamente Correto e Mediocridade Elegem Novo Alvo: A Crítica



O grande jornalista Marcelo Moreira, editor do Combate Rock, do Jornal da Tarde (SP), publicou o texto abaixo onde fala sobre a perigosa onda do "Politicamente Correto" Num texto claro e lúcido, ele discorre sobre a falta de critério, de educação e de informação das pessoas que tentam calar quem discorda ou ataca determinados "estandartes" da cultura. Entre outras coisas, ele cita o massacre que sofri por parte dos leitores do Whiplash, quando da publicação de textos falando sobre "plágios" de Led Zeppelin e Raul Seixas. Um texto para ser lido e refletido. (Os negritos são meus).
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Politicamente Correto e Mediocridade Elegem Novo Alvo: A Crítica
1 de outubro de 2012
Marcelo Moreira

O politicamente correto está em cruzada firme para matar a liberdade de expressão e de opinião. Tem fracassado na maioria das vezes, principalmente quando “respaldado” por argumentos ideológicos retrógrados ou de origem religiosa igualmente estapafúrdios.

De mãos dadas com a ignorância e com a falta de respeito, o politicamente correto agora está atacando, ainda que de forma atabalhoada, a crítica nas áreas de cultura, artes e espetáculos, tanto em jornais como na internet.

Parece existir uma regra não escrita de que é proibido falar mal de qualquer coisa e de alguém, e que tudo precisa ser sempre relativizado, e que a tal “contextualização” serve como muleta para toda e qualquer justificativa para que se não se fale mal de uma obra de arte.

Os exemplos vão do mais simples e rasteiro – legiões de fãs inconformado com críticas negativas a seus ídolos – ao mais pedante e arrogante pseudointelectualismo de boteco movido a tintas malcheirosas de ideologia burra e ultrapassada – a situação absurda mais recente é o patrulhamento em cima do suposto conteúdo racista de algumas obras de Monteiro Lobato.

Se a internet revolucionou a forma de como o ser humano lida e obtém informação, também mudou para pior a forma de como as pessoas discutem e debatem. A internet jogou o debate na lata do lixo em grande parte dos assuntos relevantes em qualquer parte do mundo.

Transformou-se em uma enorme cracolândia (parafraseando o sábio jornalista Décio Trujillo Júnior), onde a desqualificação virou o principal argumento de discussão – e ferramenta obrigatória de indigentes intelectuais e culturais para mascarar a própria ignorância.

Ter opinião é pecado no século XXI dominado pela tecnologia, pela web e pelas redes sociais. A crítica negativa de um disco ou um livro é apedrejada de forma inacreditável apenas por ser negativa – com a interatividade, leitores/internautas travam um debate de baixíssimo nível, como se o ídolo fosse unanimidade e inatacável.

Não se respeita mais na internet e nos jornais o direito de jornalistas, críticos e especialistas respeitados, com pelo menos duas ou três décadas de ofício, de opinar. Ninguém diverge, contesta ou discorda com educação ou argumentos. Diverge-se, contesta-se e se discorda com ameaças e agressões verbais de todos os tempos. É um movimento inaceitável de cassação do direito de criticar e opinar. 

Tal quadro desalentador é observado de forma mais acentuada na área de cultura popular, particularmente na música. O anonimato e a distância tornaram a covardia e a agressão gratuita ferramentas essenciais para a imposição de ideias ou para protestar de forma a intimidar articulistas ou especialistas de todos os matizes.

Os ataques veementes e constantes contra a opinião e a crítica, quase sempre de forma tola, vazia e inconsequente, instauraram um clima de inquisição na internet. Mais do que a arquibancada violenta de um Fla-Flu ou um Corinthians e Palmeiras, qualquer crítica ao trabalho de certos artistas vira motivo para um autêntico linchamento moral e ético contra o autor.

Vários textos do Combate Rock foram alvo de leitores enfurecidos e atormentados por conta de críticas aos trabalhos de gente como Mutantes, Nirvana, Raul Seixas, Legião Urbana, Restart, Charlie Brown Jr e Los Hermanos, entre outros.

Parte expressiva dos “comentários”, em língua com algum parentesco com o português, abusou de xingamentos, desqualificações rasteiras e protestos estéreis contra os autores. Em nenhum momento chegaram perto de argumentar com algum nível de decência o objeto da questão – as críticas em si.

O poeta e escritor Luiz Carlos “Barata” Cichetto, conhecido no meio underground do rock e dos cenários literários alternativos de São Paulo e Rio de Janeiro, sofreu uma ação massiva de xingamentos e desqualificações quando publicou no site Whiplash, o melhor e mais diversificado sobre rock em português.

Ele escreveu um texto onde apontava as coincidências e quase plágios na obra de Raul Seixas – texto já reproduzido no Combate Rock. Detalhado e bem fundamentado, o artigo foi desqualificado por todos, mas em nenhum momento foi contestado de forma séria.

Acreditar que toda essa várzea é o retrato da internet é um equívoco tremendo e uma injustiça para com a imensa maioria de pessoas sérias e que usam a web com prudência e inteligência. No entanto, não há como ignorar a sensação de que é justamente a cracolândia é que domina o ambiente virtual, tanto em português como em qualquer língua. A precarização e o baixo nível não são privilégio dos brasileiros.

Ainda assim, é assustadora a indigência intelectual que dominam fóruns e páginas de opinião de blogs, portais e sites brasileiros. Nem é o caso de mencionar os ambientes esportivos dedicados ao futebol, onde o clima de arquibancada é compatível com a ausência de educação e inteligência na maioria das vezes – na verdade, parece que isso é requisito básico para tais ambientes.

O desconhecimento total da função de jornalistas e críticos revela de forma inequívoca o elevado grau de desinformação do público em geral, evidenciando, por outro lado, um viés extremamente perigoso: a intolerância para com a divergência, a diversidade e a diferença.

Não são poucos os iletrados que “questionam” o papel do jornalismo, da mídia e da imprensa, chegando à petulância de dizer (ou seria “determinar”) o que um jornalista deve ou não escrever, e como tem de escrever. “Jornalista não pode dar opinião” é apenas a mais frequente dos lixos publicados em páginas de comentários em grandes portais de internet.

O baixo nível predominante na internet e a incapacidade – ou recusa – de compreensão de qualquer texto opinativo é um indicativo preocupante de uma tendência autoritária que predomina no grande público – algo bastante comum em ambientes de discussão política, seja de direita ou esquerda, igualmente de níveis baixos de inteligência, cultura e tolerância.

A tentativa de imposição de uma “homogeneização” de pensamento artístico-cultural – onde o politicamente correto, a ausência de senso crítico e a esterilidade de ideias predominam – é inócua, mas não menos desalentadora.

Qual o sentido de opinar, criticar, debater e pensar em um ambiente que repele a vida inteligente, onde o que interessa é a futilidade e o entretenimento mais rasteiro e pueril que existe?

Levar luz às trevas? Por mais que intelectualmente seja tentador, essa motivação é pedante demais. Satisfação pessoal? Egoísta demais.

O fato é que críticos, colunistas e jornalistas especializados são cada vez mais lidos na internet, seja em blogs pessoais ou em espaços próprios em grandes portais ou portais de grandes jornais.

Os acessos e o número de comentários só aumentam no Estadão.com e na maioria dos blogs e espaços de colunistas no UOL, só para citar alguns exemplos. Portanto, eis a maior vitória da vida inteligente na internet: criticados, desqualificados, xingados e até ameaçados, mas cada vez mais lidos em um verdadeiro mar de mediocridade.

É maior prova de vida inteligente na web – prova incontestável de que críticos, colunistas e jornalistas especializados serão sempre cada vez mais necessários.

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Link Original: http://blogs.estadao.com.br/combate_rock/politicamente-correto-e-mediocridade-elegem-novo-alvo-a-critica/#comments
Outras Ligações:
O Suprassumo dos Subestimados: Rolando Castello Junior: http://whiplash.net/materias/biografias/164331-patrulhadoespaco.html
Led Zeppelin: Cópia Infiel Ato 2, Moral e Ética Parte 2: http://whiplash.net/materias/biografias/163867-ledzeppelin.html
Led Zeppelin: Cópia Infiel Ato 2, Moral e Ética Parte 1: http://whiplash.net/materias/biografias/163317-ledzeppelin.html
Cópia Infiel: Ato 1: Raul Seixas e o Dolo de Ouro: http://whiplash.net/materias/biografias/163133-raulseixas.html

Nota Final: Na data de ontem, enviei um e-mail ao editor do Whiplash, informando que não mais publicaria meus textos naquele site.

01/10/2012

Corretamente Políticos


Corretamente Políticos
Luiz Carlos Barata Cichetto

Existe uma onda fascista e castradora varrendo o mundo. A onda do “politicamente correto”. E a pior coisa nela é que colocou a hipocrisia num grau extremamente elevado. As pessoas continuam sendo racistas, continuam não cuidando da natureza, continuam se lixando para os idosos, mas fingem o tempo todo, principalmente nas redes sociais, não serem e não fazerem nada disso. O Reinado da Hipocrisia tomou seu trono e admitir qualquer coisa que não seja considerado politicamente correto sujeita o autor a ser execrado, apedrejado, excluído. E até mesmo processado. Livros são queimados não em praças publicas, mas em tribunais. Pessoas são policiadas não por soldados, mas por "amigos". É bonito falar que todos somos iguais e esse blá-blá-blá todo. Não, nós não somos iguais, temos cores diferentes, gostos, crenças, vícios e desejos diferentes. E afirmar que somos iguais é conversa fiada, hipocrisia brava. Somos diferentes, sim! E a civilização e a evolução humana estão não em fingir que somos idênticos, mas conviver com as diferenças, tolerar, aceitar. O resto é pura hipocrisia!