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10/12/2012

PI2, (Pi Ao Quadrado) ou Politicamente Incorreto ao Quadrado - Editorial

PI2, (Pi Ao Quadrado) ou Politicamente Incorreto ao Quadrado - Editorial

A tendência, quando se pensa diferente da maioria, é em determinados momentos nos considerarmos loucos.  Aquela coisa, que aprendemos desde pequenos, dentro dos conceitos da “democracia”, de que se a maioria pensa e quer uma coisa, esta coisa deve estar correta. Mas quando começamos a ler e pesquisar, buscando outros pensamentos de outras pessoas, acabamos por chegar a conclusão que, ou não somos realmente loucos, ou ao menos não somos tão poucos.

Quando comecei a explanar meus pensamentos, comecei a ser tachado de "Politicamente Incorreto" e na época nem sabia exatamente o que era isso. Havia conhecido o “Patrulhamento Ideológico”, ainda nos anos 1970, mas comecei a perceber que as coisas atualmente eram muito piores e mais danosas e perigosas. E também a perceber que existem, não apenas no mundo acadêmico e até na própria mídia, pessoas que também tem esse pensamento. Filósofos como o Luiz Felipe Pondé no Brasil e Roger Scruton na Inglaterra; e jornalistas como Walter Navarro. E mesmo dentre as pessoas, digamos, mais simples, pessoas comuns, que apesar de não estarem debaixo dos holofotes e na frente de microfones de rádio e televisão, também tem esse pensamento na contramão. Pessoas que questionam seu mundo e que não aceitam o que é vomitado e imposto a força. 

E foi baseado nisso que lancei a ideia desta revista. Aglutinar esse pensamento que não tem lado, não está nem à direita nem a esquerda, muito menos no centro. Ou se está de algum lado, é o do pensamento livre, coisa que tem sido combatido pelo poder dominante que descobriu que a melhor maneira de dominar as pessoas seria com a "pasteurização" e a uniformização do pensamento, nivelando por baixo os conceitos sociais e morais, transformando até mesmo coisas simples e necessárias como cantigas de roda e o humor em alvos de criticas, e até mesmo de processos. 

Aliás, os processos judiciais substituíram bem a chibata e a tortura nos porões da repressão militar. Antes, os que pensavam diferente do que era imposto eram torturados e mortos, hoje são processados, o que as vezes na prática significa a mesma coisa, impedindo até mesmo essas pessoas de sobreviver. 

Pensar e expor o pensamento livre, de fato, se tornou algo muito perigoso, como na "crimidéia" de Orwell. Pensar diferente está se tornando crime, a partir da premissa inventada de uma igualdade que não existe e chegando a absurdos de fazer com que as pessoas se sintam no dever de explicar porque estão usando a palavra "preto", em qualquer circunstância e por qualquer motivo. A coisa se instala na mente das pessoas, criando o pior tipo de censura, aquela que impede que o criador de usar determinadas palavras, formas e cores . Uma guerra suja.

E como não sou - a maioria de nós não é - afeito a armas, tiros e explosões, nos resta apenas uma forma de lutar nessa guerra suja: continuando a pensar e explanar seu pensamento das formas que ainda podemos. E esse é o motivo maior da existência de PI2, Pi Ao Quadrado, ou Politicamente Incorreto ao Quadrado. 

Luiz Carlos Barata Cichetto


Politicamente Incorretos Ao Quadrado :
  • Luiz Felipe Pondé
  • Walter Navarro
  • Luiz Carlos Barata Cichetto
  • Delciderio do Carmo
  • Toni, Le Fou
  • Renato Pittas
  • Emanuel R. Marques
  • Marcelo Moreira
  • Gabriel Fox
  • Diego El Khouri
  • Glauco Mattoso
  • Giovani Iemini
  • Wellington Vinícius Fochetto Jr.
  • Isaac Soares de Souza
  • Eliezer Soares de Souza
  • Joanna Franko
  • Alejandra Arce D Fenelon
  • Celso Moraes F.
  • Roger Scruton
  • Erika Zaituni
  • Carlos Drummond de Andrade

Download Direto (PDF) - 62 MB - 88 Páginas:
www.mediafire.com/?1ih9ztnq8pndt5u
ou
http://www.4shared.com/office/O3tT9SWC/pi2_01_Revista.html?



Barata A Ferro e Fogo - Programa 3


Barata A Ferro e Fogo
Idéias a prova de balas... 
Produção e Apresentação: Barata Cichetto
www.abarata.com.br
15 anos de Sexo, Poesia e Rock and Roll... a ferro e fogo
Programa 3 - 10/12/2012
www.radioaferroefogo.com

Bloco Argentina (Rolando Castello Junior)
01-01 - Aeroblus - Tema Solisimo
01-02 - Crucis - Los Delirios del Mariscal
01-03 - La Renga - La Furia de la Bestia Rock
01-04 - El Riff - Ojo Animal

Bloco Argentina  (Gabriel Fox)
02-01 - Bersuit Vergarabat - El Tiempo No Para
02-02 - Orion's Beethoven - Amistades Desparejas
02-03 - Rata Blanca - La Leyenda Del Hada y El Mago
02-04 - V8 - Brigadas Metalicas

Bloco America Latina
03-01 - Los Impala - Children Of The Forest (Venezuela)
03-02 - Indiogenes - (Peru)
03-03 - Cabezas de Cera (Fractal Sónico 95) - Las Glorias de Baco (México)
03-04 - Tabernarios -  Tabernarios (Chile)

Bloco Espanha
04-01- Tierra Santa - Nerón
04-02 - Mago de OZ -  Fiesta Pagana
04-03 - Obus - Va Aestallar El Obus
04-04 - Baron Rojo - Rockero Indomable

Bloco Claudio Neanderthal:
05-01 - Shangai - Solaris
05-02 - Jeronimo - Heya
05-03 - T.2. - No More White Horses
05-04 - The Smith - The Weight (Easy Rider)

http://blogneanderthal.blogspot.com.br

Bloco Blue Sonic:
06-01 - Rock da Mortalha - Dr Fausto
06-02 - Rock da Mortalha - Salve-se Quem Puder

03/12/2012

Barata A Ferro e Fogo - Programa 2

Barata A Ferro e Fogo
Programa 2

Barata A Ferro e Fogo
Idéias a prova de balas...
Produção e Apresentação: Barata Cichetto
www.abarata.com.br
15 anos de Sexo, Poesia e Rock and Roll... a ferro e fogo
Programa 2 - 03/12/2012
www.radioaferroefogo.com

(Abertura: Poesia: "Entre o Vão e a Plataforma)

Bloco 1
(Texto Livre)
Foghat - Honey Hush
Uriah Heep - Traveller In Time
Ted Nugent - Wang Dang Sweet Poontang
Slade - Born To Be Wild

Bloco 2
(Poesia: Cum Mortuis in Língua Mortua)
UFO - Lights Out
Babe Ruth - The Mexican
Curved Air - Vivaldi
Gentle Giant - Working All Day

Bloco 3
(Texto Livre)
The Beatles - Helter Skelter
Creedence - Travelin Band
Bad Company - Bad Company
Lynyrd Skynyrd - Simple Man

Bloco 4
(Poesia: "A Sombra de Objetos Inexistentes"
Patrulha do Espaço - Universo Conspirante
Made In Brazil - Kamikaze do Rock
Alceu Valença  - Você Pensa
Raimundos - Andar na Pedra

Bloco 5
(Texto Livre)
Hawkwind - Master Of The Universe
Hawkwind - Sonic Attack

02/12/2012

Insônia

Insônia
Luiz Carlos Barata Cichetto

O que faço acordado às cinco da manhã, perguntou minha mulher. Faço escritos, faço escritos, disse eu, constrangido por estar acordado numa ainda madrugada de domingo, enquanto a maioria das pessoas dormem o sono reparador das mágoas e cansaços da semana, outros chegam da balada bêbados e mal amados e outros ainda acordam para ir a igreja distante em busca de algo tão perto. Mas é domingo, disse ela, com cara de sono, já que foi acordada pelo matraquear do meu teclado. A poesia não descansa, e não tem fim de semana; disse eu com cara de azedo. Não tem descanso semanal remunerado, não tem férias nem décimo terceiro salário; completei com começo de irritação. Minhas gatas ronronam e se acomodam no meu colo e minha mulher desiste e retorna para a cama quente enquanto eu ainda espero pela inspiração que talvez chegue junto com os primeiros raios da manhã. O Sol sairá hoje, ainda penso enquanto olho o cursor solitário e idiota piscando na tela do computador e bato nas teclas esperando que o som acorde minha inspiração. Estou perdendo tempo, penso. Mas o tempo é a única coisa que um poeta tem a perder, porque é a única coisa que lhe pertence.”Quem não tem nada, nada tem a perder”, disse o poeta na canção. E eu perdi a canção, perdi o tempo e perdi a hora. Estou atrasado. Que faço acordado às cinco e meia da manhã, pergunta o Sol esfregando os olhos, enquanto a ultima estrela solitária ainda pisca. O Sol é o único que não perde o tempo nem perde a hora. E agora eu lhe respondo que esperava sua chegada, desejo-lhe um bom dia – talvez devesse desejar boa noite - e vou dormir. A poesia? Ah, bem, a poesia pode esperar até que chegue outra noite. Ou dia.

01/12/2012

A Cadeira (Baseado em Fatos Reais)

A Cadeira (Baseado em Fatos Reais)
Luiz Carlos Barata Cichetto

Minha cadeira quebrou. Era de ferro, velha, estava enferrujada e foi soldada por um soldador pouco habilidoso. Desmontou e eu me esborrachei no chão, batendo as costas e a cabeça no piso da sala. Quase rachei a cabeça e quebrei alguns ossos das costas, mas entrei em desespero quando vi aos pedaços a minha cadeira. "Só me faltava essa agora!" Pensei enquanto jogava os pedaços no quintal, quase acertando a gata.

Minha cadeira, o que faço sem minha cadeira?  Sou agora um escritor sem uma cadeira e isso é um sério problema. Como escrever? De pé? Sentado no chão com o teclado do computador no colo? Como escrever sem ela? Como concentrar-me em pensamentos? Como acender o cigarro e apoiar os cotovelos sobre a mesa, buscando as idéias fugidias que comporão minha próxima obra? Estou aleijado, morto, sem capacidade de reação, de criação e minha inspiração parece que se partiu em pedaços, juntamente com a cadeira.

Um banco de plástico? Um banco de plástico não é uma cadeira, não a um escritor. A um escritor, uma cadeira tem que ser de fato uma cadeira. Não é a toa, que o premio máximo de um escritor é uma Cadeira na Academia de Letras. A cadeira é o trono de um escritor, onde ele exerce o papel de imperador sobre sua obra, decidindo o destino de seus personagens, matando-os ou fazendo-os amar, odiar, caminhar, matar.  E é de sua cadeira que um escritor comanda, cria ou destrói mundos  E agora, eu perdera meu poder quando meu trono, de ferro, espuma e tecido se espatifou. Tive a nítida impressão que escutei gritos quando ela se quebrou...Seriam os meus?

Minha cadeira não era comum, dessas que tem quatro pernas, era daquelas de escritório, com rodízios que deslizam. É bem possível que tenha pertencido a um escriturário entediado ou a um chefe de repartição que a usava como o trono de um rei efêmero a ditar ordens a subordinados amedrontados. Quem sabe até quantas orgias teriam acontecido sobre ela, com secretárias em busca de promoção e diretores de satisfação. Ela tinha rodas e com ela eu deslizava da mesa ate à estante em busca de algum livro importante. E como fazer isso agora, como eu poderia chegar até a estante sem as rodas mágicas da minha cadeira? 

Não era cara, a minha cadeira, eu a encontrei abandonada numa calçada, abandonada, partida e rasgada. Parecia triste ali, naquela calçada, e eu a recolhi e a consertei como quem cura as feridas de um cachorro ou de uma amante. E como o dono e um cachorro ou como amantes, fomos úteis um ao outro durante anos. E parecia também que ficaríamos juntos para sempre. Mas a fadiga do velho metal e a incompetência da solda mal feita tinham colocado o fim naquela eternidade.

Mas ontem, quando eu me preparava para escrever a obra prima da minha vida, meu grande livro, minha maior história, ela estalou e quebrou, me jogando no chão frio. Maldita cadeira! Até pensei em escrever um poema ou uma crônica sobre a cadeira quebrada, mas desisti da idéia, pois quem afinal leria sobre uma cadeira quebrada? Escrever sobre uma cadeira quebrada... Ah, coisa de louco, maluco mesmo... Que escritor com alguma insanidade escreveria sobre isso? Cadeira maldita!

E então minha obra não saiu, as palavras não saíram, o livro não saiu. E estranhamente não me senti mal por isso, pois agora, ao olhar aqueles pedaços de ferro, espuma e tecido, abandonados no quintal sob a chuva e o sol, ainda penso com tristeza sobre cães feridos, sobre amantes perdidas... E sinto falta da minha cadeira.