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28/12/2012

Guernica


Guernica
(Dedicado a Pablo Picasso)
Luiz Carlos Cichetto
Do Livro: "Cohena Vive!"

A minha língua é instrumento que lhe corta e que lhe afaga
É a poesia minha língua afiada que lhe sangra feito adaga.
Com ela arranco minhas tripas, mas delas não faço coração
Das tripas eu faço cordas e faço armas, mas não decoração.

07/3/2012

26/12/2012

Aos Poetas Bacanas

Aos Poetas Bacanas
Luiz Carlos Barata Cichetto


E eu, que pensei que ser poeta era ser bom, que ser poeta era demais, que ser poeta era ser... Era ser. Seria, caso não fosse a poesia o disfarce dos medíocres e dos hipócritas. Seria bom caso não fosse ruim, demais se não fosse o que menos importa. Poesia é conversa de chato, de prepotente e de arrogante, metido a intelectual. A maioria desses tolos adora falar que escreve poesia em guardanapo de papel em botecos imundos, mas são mentirosos. Falam disso com honra, mas isso é estúpido. Ah, esses poetas que querem ser Beats, Hippies e Groupies, que querem ser Buk, que querem ser do contra só para serem considerados os bacanas da turma. Estou cheio disso! Eu pensei mesmo que poetas eram irmãos, mas são apenas tolos empedernidos, idiotas sem cultura, com discursos pseudo-intelectuais, onde arrotam uma fome que nunca sentiram, beijam um asfalto que nunca queimou seus pés e fazem odes a putas que nunca comeram. Falam de puteiros que nunca entraram e de bibliotecas que conhecem apenas a fachada. Estou cansado deles e de sua poesia sem nexo, com palavras roubadas dos mestres, sexo frouxo em orgasmos sem tesão. Larguei de mão a poesia por causa desses medíocres, que falam de um sofrimento que não lhes pertence, de uma dor ocorrida na França ou nas estradas americanas e não conhecem sequer o caminho da periferia, dos subúrbios pobres e imundos. Não abri meu presente de Natal e daqui a alguns dias começa tudo de novo. Quarenta anos comendo a merda do pão que o diabo amassou com a bunda e agora chegam a mim e falam sobre seu ódio ou sobre amores perdidos numa adolescência eterna. E por falar em eterno, nunca beijaram a bunda de deus e nunca comeram o rabo do diabo e se acham no direito de falar sobre religião e sobre gozos. Não sabem nada, meus queridos. Acham que as casas de rosas são o palco da poesia e chamam de mestre a qualquer um. Não existem mestres vivos na poesia, porque a poesia é essa universidade em que o único diploma é a morte. Tese de mestrado de poeta é defendida no cemitério ou no crematório, de dentro do tumulo ou debaixo das chamas. Nunca sangraram, de fato, esses que falam do sangue de revoluções travadas dentro de seus quartos bem decorados; nunca gozaram de fato, esses que falam de orgasmo segurando o próprio pinto ou enfiando os dedos na própria buceta. São masturbadores, enfim. Esses, que falam em bissexualidade, mas não entendem nem de biscoito recheado. Não sabem foder de fato. Ah, esses poetas, falsos profetas, realmente patetas, que falam com pudor em cu, caralho e buceta e que infamizam seus nomes, aos bugalhos, chacoalhos e canetas, sem notar que ficam ruborizados perante suas mães e que cujas tias lésbicas ainda lhes repreende o palavrão. Eh, esses tolos que fumam maconha na frente da câmera do computador e batem suas punhetas embaixo da ponte, achando que são bandeiras de sua revolução, pensando que grito é poesia e que escarro é metralhadora. Deixo agora a poesia jogada pelas ruas, que a comam esses eunucos. Estou cansado de sentir fome de fato e o hálito de salame desses patéticos. Cheiro de whisky, cerveja e roupas de grife. E agora, promessa de final de ano: arrumar um emprego, de carteira assinada, trem lotado as seis da manhã e uma proposta de uma aposentaria por idade daqui a dez anos. Fiquem com a poesia, queridas crianças estúpidas que a usam feito as putas: aos seus nefandos desejos, escadas de seus egos.  Estou com fortes dores de cabeça, o neurologista me disse que tenho que parar.

18/12/2012

Banho de Merda


Banho de Merda
Luiz Carlos Barata Cichetto

Quando escrevo, faço questão de exercer meu sacrossanto direito à liberdade de pensamento. Um sagrado e santo direito que não foi concedido, mas tomado à força. Conquistado por mim com a derrubada do monárquico poder da religiosidade sagrada. Eu o derrubei, e assim conquistei o direito à minha liberdade. Não estou preso a nenhuma deidade e sim a única coisa, o único ser, a quem rendo glórias e urras. E a única sacralidade e santidade a quem devo devoção é a mim mesmo. Sou senhor de mim e não aceito nenhum dogma. Nada é sagrado, nada é eterno, nada é milagroso. Não existem milagres, nem santos, nem deuses. Sobre minha cabeça o pendulo do tempo pesa, e a espada da morte espeta meu crânio. O tempo e a morte, a morte e o tempo... Únicos deuses que temo, por sua realidade e realeza. Escrevo por teimosia e maledicência, escrevo por culpa e por inocência. Por ausência e indecência. A escrita ou a morte, gritou o ditador empunhando a luz do fim do túnel. Então entregue suas armas, grita a policial gostosa com jeito de puta. Não me entrego, grito eu, segurando a caneta com os dentes. Morro mas não me entrego, penso eu, ainda imaginando que sou um herói do velho leste. O sol nasce no Leste e no extremo leste não habita mais meu coração. Enterrem meu coração na curva do Rio. Mas não de Janeiro, nem de Fevereiro. Enterrem na curva do Rio Tietê, onde na minha infância eu pescava com meu pai. Há muito não há mais peixes no Tietê nem em rio nenhum. Apenas merda correndo a céu aberto em direção ao mar de merda onde pessoas ricas tomam sol. Banham-se na merda e se acham bacanas. São tolos os ricos que tem carros e vão para a praia tomar banho de sol e de merda. O sol nasceu para todos, menos para aqueles da escuridão. A merda também nasceu para todos... Nem todos, apenas para aquele que tem cu. Nem quero escrever mais, não tenho mais vontade. Principalmente nessa época beirando o natal cristão, com pessoas gastando muito dinheiro, consumindo até a merda, gastando o que não tem para ostentar o que não pode. Foda-se o natal! Quero dormir e acordar depois do Carnaval. Quando acaba o ano que ainda nem começou? Feliz ano velho. Feliz ano, velho! Velho é a puta que te pariu! Agora estou gripado, cansado e sem dinheiro nem nada. Quero acabar logo de escrever isso, que me dá no saco ficar escrevendo um monte de merda que ninguém lê. Pensar em literatura numa terra em que as pessoas não leem sequer receita de bolos... Ah, danem-se, os literatos, danem-se os professores de literatura, danem-se os poetas das casas de rosas. Daqui a pouco estou morto mesmo e então... Cremem meu coração e joguem na curva do Rio... Que elas se misturarão ao resto das merdas que banharão os ricos que tomam sol nas praias.... Banhos de sol, de merda e de minhas cinzas...

17/12/2012

Barata A Ferro e Fogo - Programa 4


Barata A Ferro e Fogo
Idéias a prova de balas...
Produção e Apresentação: Barata Cichetto
www.abarata.com.br
15 anos de Sexo, Poesia e Rock and Roll... a ferro e fogo
Programa 4 - 17/12/2012
www.radioaferroefogo.com

1
Nora Ney - Cansei de Rock
João Bosco - Bandalhismo
Tuca - Ilha do Quarto Azul
2
Ronnie Von - Máquina Voadora
Loyce e os Gnomos - Era Uma Nota De 50 Cruzeiros
Duduca & Dalvan - Massa Falida

3
Pussy Galore - Fuck You, Man
Holy Moses and Doro - Too Drunk To Fuck (Wacken 2003)
The Atomic Bitchwax - Liquor Queen
4
Lobão - Para o Mano Caetano
Project Dragons - Não Haverá Outro Amanhã
Thelema e Jack Santiago - Cidade dos Anjos
5
Uganga - Fronteiras da Tolerância
Mano Cássio (Impacto Social) - Minha Arma
Facção Central - O Espetáculo do Circo dos Horrores
6
Gwar - A Short History Of The End
Gil Scott-Heron - The Revolution Will Not Be Televised
David Bowie -Warszawa
7
Andragonia - Pull The Trigger
Psychotic Eyes - The Hand of Fate
Caravellus - Behind The Mask
8
Deep Purple - Ricochet (Early Version of Speed King)
Jethro Tull - Moths
Genesis - The Musical Box
Final
Uriah Heep - Rock 'N' Roll Medley (Roll Over Beethoven_Blue Suede Shoes_Mean Woman Blues_Hound Dog_At The Hop_Whole Lotta Shakin'_Goin' On_Blue Suede Shoes)



15/12/2012

Prefácio a “Raul Seixas: Vômito de Metáforas”, de Isaac Soares de Souza


Prefácio a “Raul Seixas: Vômito de Metáforas”, de Isaac Soares de Souza
Luiz Carlos Barata Cichetto


Sabe aquelas pessoas que você conhece muito recentemente e acredita que, pelo histórico coincidente, gostos afinidades deveria ter sido seu amigo desde pelo menos adolescência? É o caso entre eu e Isaac Soares de Souza. Há poucos meses recebi um email dele elogiando um texto meu que foi alvo de muita fúria, onde eu falava sobre os plágios cometidos por Raul Seixas e dizendo-se meio envergonhado por não ter conhecido meu trabalho antes. O fato é que a vergonha foi de ambas as partes, pois também descobri nele um grande escritor, com vivências que poderiam ser parte das minhas, como a amizade, durante muitos anos, com Raul Seixas. Para completar, somos do mesmo "ano da graça do nascimento de Cazuza, Tim Burton e Bruce Dickinson", como gosto de definir 1958. E sendo, nós dois, além dos famosos acima, nascidos numa época perdida no tempo, maldita e frouxa, nos dedicamos, cada um de seu lado a experimentar, nos dedicar às nossas paixões e depois escrever. Temos também em comum a formação na Universidade da Vida, onde o diploma é a certidão de óbito. E é ela quem nos oferece a mal-formação e a deformação necessárias a sermos escritores por excelência, por desejo e por raiva, numa desconstrução filosófica de uma frase proferida por Raul, o mesmo Seixas que de certa forma nos colocou um no caminho do outro. E afirmo isso sem que com isso eu precise trair meu ateismo mutante e mefamórfico. Afinal, tanto ele, Santos Seixas, como Isaac e eu, sabemos que não existem verdades absolutas, apenas individuais. E são essas verdades individuais de Raul, que Isaac apresenta, juntamente com pensamentos próprios neste "Raul Seixas: Vômito de Metáforas". E como pósfacio desse prefácio, na redundância do regurgito de Isaac, metamorfoseado em espumas cristalinas do mar da intranquilidade raulseixista, cíclicas camadas de alumbramento, desgosto e poesia, deixo um poema de Raul, para sua degustação, congestão e vômito: 

Metido a Escrever (1984)
(Por que se eu não escrevesse por certo morreria)
Eu, louco do absurdo / Cansado de cansaços / Desmorono-me em breves reticências / Meus dentes caem / Meus lábios doem de tanto arder / Ardor de falar / Palavras inúteis / Poeta do caos / Imbecil como uma criança / Imprudente como uma mulher / Estômago ácido-espelho-da língua? / (Raul Seixas)
Luiz Carlos Barata Cichetto, Poeta, Escritor, Webdesigner e Editor Artesanal. Ou apenas outro cara metido a escrever...

15/12/2012