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06/01/2013

Thelema

Thelema
(Palavra grega que significa "vontade" ou "desejo")
Barata Cichetto


Decomposition Of Thelema
epilogue.net

Não tenho talento, nem cultura, muito menos tenho estudo
E em meu desalento, à esta altura, ergo alto o meu escudo
E nem é de mim o que falo, o falo é rígido e fodo com tudo
A poesia nem namoro, bebo sangue, sou morcego rotundo.

Não sou escritor, tenho vinho tinto nas artérias, cérebro morto
Sou um prescritor de fábulas, pinto as matérias, Cérbero torto
Sofro de um espasmo agnóstico ante ao saber da humanidade
Estou pasmo ante ao pleonasmo e perante as leis da igualdade.

03/01/2013

Um Conto de Ano Novo


Um Conto de Ano Novo
Luiz Carlos Barata Cichetto


Era o fim. E eu poderia ter dado adeus às noites extensas e intensas, às putas mal dormidas e drogadas, custando apenas um par de notas de pequeno valor. Era o fim, poderia ser o fim das tardes de sonolência, das manhãs cinzentas e dos lençóis cobertos de esperma e vômito de Cynar.  Poderia mesmo ser o fim, das dores de cabeça de ressaca, do estomago embrulhado em todas as manhãs e das caganeiras fedorentas por causa da bebida. Sim, poderia ser o fim de meus sonhos de poeta boêmio, amante de putas e garrafas, de esquinas escuras e lâmpadas que mal iluminam os rostos dos perdidos da madrugada. Um fim anunciado, pois todo fim existe e a tudo existe um fim. É inevitável, tudo sempre chega ao fim. Amizades de bar então, essas não são duradouras, não sobrevivem a ressaca da manhã seguinte. O vômito e as dores de cabeça acabam com as mais belas amizades.

E naquela ultima noite do ultimo dia do ano, saímos, eu e meu melhor amigo de bar, abraçados e cantando aquela antiga e estúpida canção de noite de virada de ano: "Adeus ano velho, feliz ano novo..." As bocas tortas, as pernas moles e babávamos enquanto cantávamos, segurando cada um uma garrafa de vinho, do mais barato que encontramos. "Que tudo se realize, no ano que vai nascer". Que musica idiota era aquela que nós, sem controlar nossas mentes entorpecidas insistíamos em cantar.

Havia duas putas paradas na esquina, microsaias e belas coxas, mas bundas flácidas e peitos caídos. Nós as beijamos e lhes desejamos “Feliz Ano Novo”, sem antes enfiar as mãos entre suas coxas, o que rendeu ao meu amigo, um sonoro tapa na cara da mulher que ele bolinava. A que eu agarrei e joguei vinho decote abaixo, parecia mais ligada ao espírito do momento e deixou que eu bolinasse sua bunda flácida e só ficou brava quando eu estalei o elástico de sua calcinha. Ai meu destino foi idêntico ao do meu amigo: uma mão espalmada na minha cara. “Estão querendo foder de graça, é?! Então vão para casa comer suas mulheres, seus filhos da puta!”. Aquilo era mesmo o fim.

"Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!" E aquelas putas não estavam dispostas a dar nada, apenas a vender. Mandamos as duas tomarem no cu e continuamos nosso caminho, debaixo dos palavrões ditos pelas mulheres “da vida”. "Para os solteiros, sorte no amor, nenhuma esperança perdida" E nós ali, com as esperanças perdidas, sem sorte no amor depois da recusa das putas em nos dar amor gratuito. Solteiros e bêbados já dentro da madrugada de um novo ano. Ah, apenas um outro dia do calendário. Apenas isso. E era mesmo o fim. 

Das ruas, víamos e ouvíamos as famílias alegres cantando a chegada do novo ano e achávamos que eles eram mesmo felizes. Parecia que eram mesmo todos felizes naquela noite, menos nós. Menos eu, meu amigo e as putas. Nós éramos bêbados, desviados da sociedade, prostituidos e nos arrastávamos pelas calçadas feito dejetos, feito cânceres extirpados do organismo da sociedade. Éramos doenças, muito mais que doentes.

"Para os casados, nenhuma briga, paz e sossego na vida." Lembrei das minhas ex-esposas, meu amigo de ex amantes e as putas, as putas deviam estar lembrando de seus ex-clientes, daquelas que se casam com elas a cada trepada. Se casam por cinco minutos, depois se divorciam e vão para suas casas, onde esposas estúpidas os esperam para o jantar requentado.

Aquela canção estúpida parecia estar por todos os cantos, parecia não terminar nunca. Passava da meia noite, e, portanto já era um ano novo. Novinho em folha, mas aquela cantoria maldita não parava. Os fogos de artifício explodindo sobre nossas cabeças. Maldita musica, malditas putas, maldito ano novo, maldito meu amigo, maldito eu. E aquilo bem que poderia mesmo ser o fim.

Poderia. E assim eu poderia ter dado adeus aquelas bebedeiras, ressacas, caganeiras, poesias, putas e amigos bêbados, da mesma forma que todos dão adeus ao "ano velho". Mas não era o fim. Era o começo.

01/01/2013

02/01/2013

Jogos Mortais


Jogos Mortais
Barata Cichetto


Ela nua, sentada no sofá, enquanto jogamos baralho
Minha língua na sua orelha, ela querendo o caralho
As duplas de ases, pares de reis e as trincas de damas
Contamos histórias alegres, choramos nossos dramas.

Porque somos agora loucos feito a cristãos e trepamos
E feito aos leões de circo a nós mesmos nos devoramos.

Acabamos essa jogada, é hora de lhe dar meu caralho
E nos misturamos feito a réstia do alho ao seu bugalho
E ela nua, acende o ódio nos olhos, buceta em chamas
Quero jogar, ela quer morrer, e jogamos nossos dramas.

Então nós jogamos a morte, e ela apenas joga por mim
Acabou, a morte é a banca e é ela quem ganha por fim.


30/12/2012

Feliz Ano Novo (2 Poemas de Anos Diferentes)


Feliz Ano Novo
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Do Livro: "Sangue de Barata"


Acaba o ano e eu também acabo agora mesmo
Termino do jeito que comecei, sem eixo e a esmo.
A mão que ergue é a mesma que joga ao chão
Mesma mão que acaricia e abandona ao colchão.

Amanhã um outro dia nascerá ao contrário de mim
Que agora sem começo deixo quedar ao próprio fim
Todos irão ter as lembranças das minhas mazelas
Sem que percebam ou sintam as minhas seqüelas.

Há tempos sem lembrança estou morto do pescoço acima
Do pescoço para baixo pouco restou da minha pobre rima.
Estou morrendo a quarenta e cinco anos, e não é pouco
Agradeço a meus pais por não terem tido um filho louco.

Acaba o ano e estou aleijado do pescoço para baixo agora
Acabou. Certo! Não existe mais a minha pequena senhora
Ainda amo o objeto do meu amor, ainda tenho fome e sede
Ah, mas o que me resta apenas é deitar e dormir na rede.

31/12/2002

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Feliz Ano Novo
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
Do Livro: "O Cu de Vênus"


Estou bêbado, cansado e infeliz... Ah, um solitário, enfim
Mas então o que sobra de um ano que chega ao seu fim?
Anos acabam anos começam, calendários apenas tristezas
Relógios são jóias e jóias são apenas pedaços de riquezas.

Não tenho propriedades e não sou dono do tempo, afinal
Apenas espero chegar o tempo, e tempo é estrada vicinal
Morro porque o tempo corre, corro porque o tempo morre
Morto ao meu tempo e o tempo é apenas vida que escorre.

Agarro os ponteiros de um relógio dourado, a força aplico
Mas não tenho poder de o tempo deter, um dia lhe explico
Uso então a frieza do tempo mostrando que morro ontem
Porque o tempo é morte, ao contrário do que lhe contem.

Bêbado, cansado e infeliz, busco quedas de braço inglórias
Pois com o tempo tenho brigas históricas e poucas glórias
Ao tempo tenho que pagar a conta da minha morte, amém
Sabendo que ao tempo nada devo, nem agora e nem além.

31/12/2009

28/12/2012

(Isaac Soares de Souza) Eu Não Sou Poeta


O Grande Amigo Isaac Soares de Souza publicou no Facebook um poema onde cita suas grandes influencias poéticas. E para minha surpresa, dedicou alguns versos a mim. Como diria o rei dos tolos "são tantas emoções". Sem palavras para agradecer, meu amigo.

EU NÃO SOU POETA
Isaac Soares de Souza

Eu não sou poeta, tão-somente escrevo versos
Escrever poesia não é simplesmente escrever versos
O poeta é compromissado com a vida e com a palavra
Pois, assim como a palavra o poeta é verbo
E o verbo reverbera e influi na esfera da vida,
Como procela que se alastra e a tudo devasta
Eu não sou poeta, sou aprendiz e escrevo simples versos
Conjeturando sobre o presente e o porvir
Rimar palavras, assim como uma criança rima ão com coração
Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão
É como denegrir a verdadeira meta a que se dispôs um poeta
E eu não sou poeta, sou um discipulo da poesia,
A poesia tem como inimigo feroz qualquer ditadura,
Regimes autoritários são os calvários dos poetas
Na Rússia do Século XX a poesia florescia,
Viveu um momento raro de esplendor, Antes e depois da Revolução de Outubro,
Uma legião de artistas e poetas de exímia extirpe
Animaram a vida do povo russo:
Mas o regime soviético, autoritário e perverso
Matou toda a poesia e calou a maioria dos seus grandes poetas.
Nas primeiras décadas do século XX a poesia circula em larga escala
E impregna a vida de toda a Rússia,
Livros de poesia, na Rússia de então, atingiam a marca dos 100 mil exemplares vendidos,
20 mil livros,
Era a tiragem mínima que o povo adquiria
E a poesia florescia numa permanente celebração
Anna Akhmátova era poeta de mão cheia,
Poeta de ideais libertários, não temia o regime soviético,
Considerada uma mulher sem freios morais,
Anna culminou no expurgo, encetado pelos verdugos,
Mas sua poesia porque era poesia, permanece viva
Maiakóvski era poeta e foi lançado em desgraça,
Pois sentira a enorme pressão que privara, então,
A literatura do ar de liberdade de outrora,
Sufocada agora, pela garra sangrenta do regime russo
E não viu outra alternativa,
Senão dar cabo da própria vida,
Aos 37 anos de idade.
Maiakóvski, hoje resgatado ao panteão dos grandes poetas,
Mártir da poesia...
Lêdo Ivo, poeta maior, alagoano descendente de caetés,
Tinha a poesia a seus pés, pois fazia versos como quem ama uma mulher,
Cônscio de seu dever de poeta, assim morreu Lêdo Ivo,
Que permanecerá sempre vivo, enraizado em sua própria poesia...
Poeta foi Carlos Drummond de Andrade,
Affonso Romano de Sant´Ana é um grande poeta,
Assim como sabe fazer poesia o genial Ferreira Gullar,
Eu, Isaac Soares de Souza, não sei poetar
Escrevo versos como quem quer vomitar,
Palavras, palavras, sem métrica, sem rima sem compromisso
E a poesia é compromissada com a vida, senão não pode ser chamada de poesia
A poesia de WILBETT OLIVEIRA,
Viceja, faceira, à sorrelfa por entre as frestas
Da maltratada poesia brasileira...
Sua poesia é altaneira, porque brota de uma Oliveira...
Cruz & Sousa, cuja poesia negra de sofrimento,
Permanece como um alento, mais que verdadeira
Castro Alves, o poeta da Liberdade,
Estes são os eternos poetas, ascetas, profetas
Literatos de prêmios, modernos e eternos
Assim como o Boca do Inferno,
O grande Gregório de Matos,
Augusto dos Anjos, o poeta da morte,
Augusto, arguto, saprófago em sua genialidade,
Escreveu somente a verdade,
Embora o considerem ainda um poeta de mal agouro,
Sua poesia vale ouro,
pois deu à morte a mesma importância que tem a vida,
Mesmo porque vida e morte são fundidas,
Antagônicas mas gêmeas, eternas e perenes ao mesmo tempo,
Porque ambas são dirigidas pelo tempo,
Uma sem a presença da outra, esvair-se-ia exaurida...
A poesia do maldito-bendito Luiz Carlos Barata Cichetto,
Foi atirada ao gueto
Da ignorância daqueles que não a entenderam ou medrados diante dela,
Do poder de eloqüência farta,
Se borraram de pavor do Barata
E arquitetaram fadá-la ao esquecimento,
Mas Barata é como mosca que não adianta dedetizar
Insetos sempre haverão de se proliferar
E a poesia do Barata é epidêmica,
Criada exatamente pra empestar
Já a minha poesia não tem graça, devassa, cróia,
Meus versos passeiam nos guetos da esbórnia,
E sobrevêm como ataques
Da mais cruel covardia,
Porque eu sou o Isaac,
Eu não escrevo poesia...
Estou aprendendo com meus poetas preferidos a escrever poesia...

28/12/2012