Barata Sem Eira Nem Beira 2015 - Programa 11
Run Kowalski
Bloco 1 - Ciberpajé - "Egrégora"
Poesia: Barata - Ainda Sobre a Vontade de Morrer
Lou Reed e Metallica - The View
John Cale - Venus In Furs (Live)
David Bowie - Life On Mars
Bloco 2 - Respeito é Um Bem Individual, Único e Essencial!
Poesia: Palco do Nada (Ivan Silva)
Liquid Jesus - Finding My Way
Lisker - Kalean Festa (1979)
Tublues - Noite Longa
Bloco 3 - Apresentação Campinas (4/07), Rock In Poetry no Rick'n'Roll (11/07) - São Caetano do Sul
Poesia: (Isaac Soares de Souza) - A Palavra é Um Acinte
Sweet - Action
UFO - Lights Out
The Beatles - Helter Skelter
Trecho de Batman (Coringa)
Poesia: Oh! Não Maldigam (Álvares de Azevedo)
Genesis - Musical Box
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Ciberpajé - "Egrégora"
01 – Posthuman Tantra & Luiz Carlos Barata Cichetto (Brasil)
02 – Muqueta na Oreia (Brasil)
03 – Zemlya (Brasil)
04 – Blues Riders (Brasil)
05 – Transzendenz (Suíça)
06 – Alpha III (Brasil)
07 – Poolsar (Brasil)
08 – Each Second (Brasil)
09 – Gorium (Brasil)
10 – Blakr (Inglaterra)
11 – Gabriel Fox (Brasil)
12 – Hidden In Plain Sight (Brasil)
13 – God Pussy (Brasil)
14 – Nix’s Eyes (Brasil)
15 – Emme Ya (Colômbia)
16 – Vento Motivo (Brasil)
17 – Iamí (Brasil)
18 – ANT[ISM] (Brasil)
19 – Melek-tha (França)
20 – Kamboja (Brasil)
21 – Dimitri Brandi (Brasil)
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A Palavra é Um AcinteIsaac Soares de Souza - (Para Barata Cichetto e Torquato Neto)
Nunca ouvi uma verdade vomitada na cara,como as palavras espargidas por Torquato Neto,Foi como sentir um falo invadindo na marra o próprio reto, como sabre que corta a carnefeito míssil que uma fortaleza atinge,devastando a muralha fortificadade qualquer cidadela,palavras que uivam como se fossema mais depravada das cadelas,Estuprada e varada até o esfincter"Leve um homem e um boi ao matadouro,O que berrar mais na hora do perigo é o homem,nem que seja o boiO poeta Barata Cichetto,homem do gueto, cujos escritos espreito,foi mais além no falar perfeito:"Leve uma puta e uma santa na beira do córrego,a que chupar melhor sua rola é a santa,mesmo que seja a puta."Como Nico, The Bitch,A palavra é um acintecontra os indecentes.
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Oh! Não MaldigamÁlvares de Azevedo
Oh! não maldigam o mancebo exaustoQue nas orgias gastou o peito insano...Que foi ao lupanar pedir um leito,Onde a sede febril lhe adormecesse!
Não podia dormir! nas longas noitesPediu ao vício os beijos de veneno...E amou a saturnal, o vinho, o jogoE a convulsão nos seios da perdida!
Misérrimo! não creu... Não o maldigam,Se uma sina fatal o arrebatava...Se na torrente das paixões dormindoFoi naufragar nas solidões do crime.
Oh! não maldigam o mancebo exaustoQue no vício embalou, a rir, os sonhos,Que lhes manchou as perfumadas trançasNos travesseiros da mulher sem brio!
Se ele poeta nodoou seus lábios...É que fervia um coração de fogoE da matéria a convulsão impuraA voz do coração emudecia!
E quando p’la manhã da longa insôniaDo leito profanado ele se erguia,Sentindo a brisa lhe beijar no rostoE a febre arrefecer nos roxos lábios...
E o corpo adormecia e repousavaNa serenada relva da campina...E as aves da manhã em torno deleOs sonhos do poeta acalentavam...
Vinha um anjo de amor uni-lo ao peito,Vinha uma nuvem derramar-lhe a sombra...E a alma que chorava a infâmia deleSecava o pranto e suspirava ainda!
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Palco do NadaIvan Silva
Aos delírios e gargalhadasSentem-se no palco do nada.Sem febre ou razão difundidaAs cortinas se abrem à platéia viva!
Assistam: O velho palhaço chora,No sorriso mais tolo do mundo.Em uma hora terrível: é sua revolta!Em uma ira tranqüila: é sua revolta!
A malícia é sempre contidaComo se o louco tivesse memória.Às vezes a platéia se comove
E no final, acaba—“Como pode?” A cortina se fecha—Saíram todos pela porta,Com medo da platéia morta.