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02/10/2017

War Pigs

War Pigs
 Barata Cichetto

Quero penetrar nas linhas inimigas. Abrindo fogo com minha metralhadora giratória. Abrir fogo. Por entre as linhas quase paralelas das tuas coxas. Abrir teus flancos. Esmagar tuas trincheiras.  Dinamitar teus orgasmos. Enfiar tua cara na poeira. Te fazer comer grama. Invadir tua propriedade. Desapropriar tua impropriedade. Coletivizar tua privacidade. Te privar de verdade. Da tua individualidade. Te cortar com foice. Te esmagar com martelo. Rasgar tua bandeira. Te foder inteira. Morder teus dentes. Lamber tua língua. Cortar teu raciocínio. Contar teus mortos. Descontar teus impostos. Teus postos. Explodir teus limites. Destruir teus sagrados. Matar teus inocentes. Quebrar teus dentes. Invadir tuas praias. Afundar teus barcos. Derrubar seus voos. Implodir tuas pontes. Dominar teus montes. Plantar minas. Jogar granadas no teu celeiro. Queimar teus campos. Tua morada. Enterrar teus mortos. Em cova rasa. Deixar aos urubus. Tua carcaça. Afogar teus fetos. Perseguir teus netos. Te empalar pelo reto. Incendiar tua cabana. Queimar tua cana. Tua cama. E teu pijama. Deixar em chamas. Teu esplendor. Causar dor. Matar teu ditador. Teu imperador. Estuprar tua rainha. Tua princesa. Tua beleza. Cortar a faca tua tua garganta. Tua tristeza. Acabar com tua esperança. Proibir tua dança. Secar tua chuva. Costurar tua vulva. Te deixar viúva. De mim. Por mim.  Te matar de fome. De sede. De vontade de morrer. Te deixar viver. Te aprisionar. Na minha gruta. Apodrecer. Tua fruta. Te odiar. Te chamar. De algo. Por algo. Por alguém. Declarar guerra. A única maneira. De eu poder. Ter. Poder.

02/10/2017

01/10/2017

Falo!

Falo!

Eu. Que sou o que falo. E falo o que sou. Se sou falo. Falo o que sou. Calo meus calos. Dolorosos calos. Calo minhas cicatrizes. Calo tudo o que puder ser calado. E falo. Falo o que precisa ser falado. Calos. Calo. Calor. Calorosos. Dolorosos. Calos. Falo sobre meu falo. Falo. E falo sobre o que calo. Cicatrizes abertas. Meretrizes têm méritos. Féretros. Diretrizes. A diretriz da meretriz. Da atriz pornô. Do centro da cidade. Se cala. E fala. Com a vagina. Imagina! Uma meretriz. Que fala com o cu. Peida a meretriz. Na tua cara de santa. E se faz por merecer. Merece a meretriz. Aprendiz. De Feiticeira. A vassoura varre a cidade. Nas mãos do gari. Gary Cooper em A Nascente. O gari nunca viu Gary falar seu discurso no tribunal. O tribunal do gari é o balcão da padaria. Do boteco. A cachaça é o Juiz. E o meritíssimo convoca a meretriz para depor. Depois. Não existe o depois. Só o agora. E agora eu calo. Que não falo. Com qualquer um. Nenhum. Nem um. Sequer. Se quer. Pegue. Pegue e ponha na boca. Meu pau sujo. Chupa, cadela. O pau do Juiz. Do gari. E do Gary. Cooper. Na cooperativa. Coopere. Porra. Coopere. Opere. Tempere. Não há mais possibilidades nas ruas. Elas estão tomadas por traficantes. E por políticos. Traficaram as almas das meretrizes. As diretrizes são as balas. As falas são coisas do passado. Palavras são coisas do passado. Só há imagem. Fotografias. Vídeos. Filmes em três dimensões. A quarta fica pra depois. Então fala! Fala, cadela! Falo contigo. Não responde. Não seja a vitima de si própria. Desaproprie. A maldade. Não seja uma puta. Não aborte. Não corte. O cordão. Com os dentes. Primavera nos dentes. Sementes podres. Nobres. E não cobre. Quando chupar. O preço do cobre. No mercado aberto. Commodities. Cobre. Ouro. Metal. Heavy Metal é a lei. Então que se cumpra. Em última instância. Por inconstância. Pegue o papel. A certidão de casamento. E enfie no rabo. Junto com a aliança. Sem esperança. E pegue sua criança. E saia com ela. Até o fim. Ai de mim. Ai de si. Ai de só. Somente. Semente. Se mente. Não é verdade. Não existe verdade. Só a sua. A minha não serve. Não te serve. Então ferve seu leite. E se deleite. Até espumar. Pelos cantos da boca. Te dou formigas. Amigas. Estrebuche. Largue o celular. Acabou!
28/09/2017

27/09/2017

Bolo de Tolo

Sou tolo. Até que me provem o contrário. Ou o contrário do contrário. Sou um tolo. Por acreditar na inocência das mulheres. Por acreditar no sentido de palavras que não tem. Por acreditar em palavras de mulheres. Ou simplesmente em palavras. Ou ainda simplesmente em mulheres. Sou um tolo. Idiota que pensa. Que pensa que não é idiota. Uma cenoura pendurada em frente a meu focinho e ando o dia inteiro, sem nunca perceber que jamais poderei alcançar. A tolice é parte de mim. Como a cor dos meus olhos e dos meus cabelos. E não confundam tolice com ingenuidade. Ingênuos nem sempre são tolos. E tolos nem sempre são ingênuos. Há sempre tolice na ingenuidade, no entanto. Sou um tolo, por direito, não por decreto. Um tonto que acredita nas cenouras que apodrecem e nunca serão alcançadas. E nunca percebe que elas apodrecem. E as palavras são como cenouras que apodreceram e eu não percebo. Fazer poesia é diferente que fazer um bolo de cenouras. Um bolo é algo util. Mas a poesia é o bolo do tolo. Que não come. Não sei fazer bolos. Sou tolo. Apenas trabalhar. E escrever. E escrever por trabalho. E trabalhar por paixão. A paixão pelo trabalho, pela escrita, pelo que podem produzir minha cabeça e minhas mãos fazem de mim um tolo eterno. Então fico aqui serrando e lixando palavras feito um marceneiro tolo. Pregando pregos em palavras, cimentando rimas, sedimentando sentidos e sentimentos tolos. Tolos. Tolos. Sou mesmo um tolo. Jamais deixarei de ser. Ninguém acredita o quanto sou. E às vezes me iludo que não sou. Mas sou. Adoçam-me a boca. Tiram o açúcar. Me deixam sem nada. Perdas e danos. Herança de tolos. Não há herança aos tolos. E cobram mais e mais e quanto mais dou, mais querem. E o tolo dá tudo. Menos a cenoura pendurada em seu focinho. O cabresto da tolice é foda. Não enxerga o tolo um centímetro adiante de seu nariz de cavalo. E "não se mata cavalo?" Cavalos de patas quebradas são inúteis. Não servem pra nada. São tolos. Acaba assim, como apenas um tolo terminaria um texto.

27/09/2017

25/09/2017

Vaca Profana

Lembra de mim? Eu não. Não lembro de mim. Lembro de ti. E de quanto era bom. Lembrar de existir. Lembro bem de ti. Do teu melado escorrendo pelas minhas pernas. Sentada no meu pau. E lembro de mim, sim. Te colocando de quatro na cama. E chupando teu cu. Segurando teus peitos enormes. Que desafiavam a Lei da Gravidade. Lembro que queria engravidar. De mim. Lembro daquilo que me pedia. E lembro que fedia. Quando gozava. E peidava. Lembro dos gemidos. Temidos. Grunhidos. Latidos. Uivos. Loba criança. Menina. Lembro do cheiro. Da tua buceta. Lembro que me pedia. Mais. Que me mordia. Demais. Que sabia. Menos. Mais ou menos. Jamais. Lembro que não era mais ou menos. Era mais. Demais. Jamais. Que era pequena. Que era grande. A tua bunda. Que era puta. Que era lésbica. Era tudo o que queria. E eu era sempre o teu querer. E eu queria. Te foder. Te bater. Te comer. Eu era um tolo. E queria teu bolo. Enfeitado de sangue. Coração triturado. Desamado padrão. Podre. Poeta. Nobre. Pobre. E era rico. Quando te via. Sentada no pinico. A mijar. Sangue. Tua calcinha enterrada na bunda. Uniforme de vagabunda. Tetas. Short de nylon. Chinelos de couro. Ouro nos olhos. Gozo instantâneo. De quatro. Chupava meu pau. E a eletricidade acabou na casa. E eu, brincando de eletricista. Lhe dei um choque. E mordeu meu rosto. Com gosto. Depois passou os dedos. Lambeu meu sangue. E soube de meus segredos. E eu e meus medos. Tinha todos. Os que podia. E com meus medos. Te fodia. E queria. Foder mais. Era amante. Concubina do diabo. Fugida da igreja. Nascida na desgraça. Congregada. Desejo do Cão. Manteiga com pão. Saudades do não. De te foder no chão. No carpete. Queimar meu joelho. Te foder no espelho. Quebrar o encanto. Ah, que pranto é esse agora? Por que chora? Morta? Enterrada? Cremada? Gorda? Jogada? Pelada? Pirada? Drogada? Que nada! Não existe mais nada. A não ser a maldita poesia. Que insiste. Resiste. Em riste. Feito meu pau. Que fode. Que pode. E que explode. Quando chega. Ao fim. E numa manhã de segunda sem feira. Bato punheta pensando em tua buceta. Amarga. Com gosto de giro. E de quebra. Toda a angustia torta. Te pensando morta. Em pé na porta. Da solidão. Lembro dos teus pedidos. Dos gemidos. Fremidos. Lembro de me mandar embora. A tal hora. E chorar pela volta. Na hora tal. E tal senhora. Besuntar de óleo de amêndoas. Doces. Comida baiana. Na feira de artesanato. Da Praia. Grande. Enorme. Demais. Ir a feira. Com sacola e chinelos havaianas azuis. Comprar brócolis. Alface. Repolho. Sob o olho esperto e desejoso. Do feirante. Que te queria feito fruta. Na sua banca. Que a queria feito puta. Na sua cama. E eu sabia. Que não era nem puta. Nem freira. Nem Maria. Nem Rita. Era vadia. Escrava. Senhoria. E sabia. Que tinha desejo. Por teu pai. E eu por teu espírito. Era um santo. No teu altar. Profano. Humano. Demais. E penso que o Inferno. Não é um lugar. Onde possas estar. E nos outros. Não pode passar. Olho as cicatrizes dos teus cigarros nas minhas pernas e costas. E pergunto se ainda gostas. De maltratar. Sade. Sadista. Maloqueira. A beira. Da linha. E não há mais trem de carga. Na tua ferrovia. Não ande na linha. Ouça Johnny Cash. Não sabe? Percebe. Recebe. Há um pote de ouro no fim do teu arco-íris. E na tua íris cor de mel. Lentes de contato que te dei. Já que não podia te dar olhos. Nem visão. Nem vistas ao mar. Nem televisão. Canivetes ao mar. Calcinha lambuzada de porra alheia. E ali alheia. A mim. E a minha vontade. De te matar. Cortar tua garganta. Servir na janta. Aos cachorros da rua. Depois uivar para a Lua. Cheia de malícia. De quem chama a Polícia. O pai. Ou o Pai. Ninguém poderia te salvar. Nem eu. Nem ninguém. E eu. Um eterno desajeitado. Rejeitado. Nem sabia o que era esporrar. Mesmo assim esporrei. Na tua cara. E a minha tara. Era te fuder. Na frente da outra. De outras. De outros. De todos. Com quem pudesse fuder. Fudida. Querida. Ferida sangrando. Numa segunda. Sem feira. Nem feirantes. Sem amantes. Sem brilho. Só o Sol. Idiota. Teimando aquecer. E eu. Idiota. Tentando esquecer.

25/09/2017

21/09/2017

Nem São Nem Salvo

Sobrevivi. Nem são nem salvo. Nem tão são. Nem tão salvo. Nem sujo nem alvo. Nem cabeludo nem calvo. Sobrevivi. Alvo! De balas. Doces. De festim. Alvo! De denúncias. De renúncias. De pronúncias. Dei três tiros na cara da morte. E sobrevivi. Por sorte.  E não há mais nada a ser feito. Aproveito. Em proveito próprio. Do conceito. De misericórdia. Misantropia. Entropia. Distopia. Há mais porcos que chiqueiros. Admirável. Mundo. Novo. Bravo mundo novo. Bravo! Escravo. Da dor. E da agonia. Bravo mundo. Alvo mundo. Salvo mundo. Cada uma no seu dia. E todas no mesmo minuto. Mas é fato. Que sobrevivi. Sem saber de fato. Se vivi.

20/09/2017