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18/05/2019

Poema de Sete Faces Além da Minha

POESIA EM PROSA | Poema de Sete Faces Além da Minha
Luiz Carlos Cichetto
Outra Face do "BBibliotecário", de Gazua, por Celso Moraes F.

Um dia conheci Carlos. E Carlos, que poderia ser eu mesmo, mas era um outro, que não Mário nem Oswald, mas da família. E ele me disse, "Vai, Carlos, vai ser gauche na vida!". E eu disse: - Vai, Carlos, vai se foder na vida! E nem sabia para qualquer Carlos eu dizia aquilo, se ao outro ou se a mim mesmo. Afinal, como Carlos também são o Roberto e Erasmo, e como Carlos também é outro, que não fala com anjo torto, nem está morto, feito o outro Carlos e eu. Um dia conheci Andrade, que não tinha maldade, mas tinha tesão. E Andrade me disse que se chamasse Raimundo, seu nome seria Solução. E por fim eu disse: - Vai, Carlos, vai para o mundo, ser gauche, na puta que te pariu!

17/05/2019

15/05/2019

O Suicídio Metafórico de Barata Cichetto

O Suicídio Metafórico de Barata Cichetto
Luiz Carlos Cichetto


Meu suicídio sempre foi e sempre será metafórico, minhas metáforas sempre serão suicidas, com algum toque adicional de homicídio. Sou perigo aos que cercam, aos que me cercam, e que de alguma forma fabricam cercas. Acerca de mim, apenas eu, o que comete diariamente suicídios metafóricos e metáforas suicidas. O que me cerca não é a cerca, nem a seca. O que me cerca e beira, a eira, a esteira de praia e os ratos de esgoto. Baratas são duras de roer, cascadura, cascudas e pontiagudas. Morri na mesma época que nasceu a estupidez mundial. Meu suicídio é metafórico e alegórico, metafísico e alérgico, metástico e estático, metálico e anárquico. Sou osso duro de roer, mas roo até os ossos, mesmo que sejam os meus. São teus meus castigos, são meus meus perigos. E não somos mais amigos. Estou sempre a perigo, mesmo que são, e mesmo que salvo, sou alvo e mesmo que alvo estou salvo. Não há mais perigo quando se morre. Agora vou me deitar. Quem sabe eu morra antes de acordar, ou acorde antes de morrer. Corra, que ainda dá tempo de me socorrer. Morra, que ainda dá tempo de me matar. Ainda há tempo de me suicidar.

14/05/2019

14/05/2019

Inspirados (Poemas Para Cheirar)

Inspirados (Poemas Para Cheirar)
Inspirados no Titulo do Livro de Dimitri Brandi, "Baseados - Poemas Para Acender"
Barata Cichetto

Há tanta poesia pairando no ar,
Que sequer a podemos respirar.

E tanta poesia a nos inspirar,
Que mal as podemos respirar.

E tanta que possamos cheirar,
Que mal pagamos por esperar.

E há tanta poesia a nos mirar,
Que nem podemos as acertar.

15/05/2019

12/05/2019

A Morte Dura Uma Eternidade

A Morte Dura Uma Eternidade
Luiz Carlos Cichetto

Amigos que acreditam ser, eles próprios, loucos e malucos, afirmam que sou, eu mesmo, um careta. E há os outros, que veem a si próprios como conservadores, que decretam que sou, minha própria pessoa, um doido sem cura.
Outros que juram ser ateus, acreditam e tem fé, que eu seja, eu mesmo, religioso demais, enquanto existem os outros, que na crença, são capazes de blasfêmias, apontando ser eu um maldito ateu.
E tenho também amigos outros, que comunistas eles próprios, declaram que sou eu um maldito capitalista, enquanto tantos e quantos outros, propriamente ou não capitalistas, jogam-me na vala escura dos comunistas.
E ainda existem tantos outros que acreditam ser aquilo que são, e sendo assim, certos de que não são os outros senão o lado oposto de seus rótulos, por que afinal é preciso um para que vários existam. É preciso a diferença para que a igualdade prevaleça. E é preciso que exista o mal para que o bem aconteça. A morte dura uma eternidade, e não há o certo nem o errado, quando prevalece a individualidade.

12/05/2019

11/05/2019

Tomo | Poesia em Prosa

Tomo
Luiz Carlos Cichetto
"BBibliotecário" - Arte Por Celso Moraes F. - Goiás

Eu ainda honro compromissos. Feito omissos e submissos. Ainda tomo comprimidos. Feito oprimidos e suprimidos. Ainda tomo no cu. Ainda tomo emprestado. Empresto o que foi tomado. Ainda tomo coca-cola de garrafa. Ainda tomo cerveja de garrafa. Pinga de litro. Água com açúcar. Tomo o que me pertence. Ainda tomo sopa de letrinhas. Ainda tomo na bunda. Eu ainda como. Bucetas. Macarrão. Arroz e feijão. Como como? Com a boca. Com o pau. Com os dentes. Dentadura postiça. Como carniça. E engraxo sapatos. E ainda sou engraçado. Desgraçado. Sem graça. Sem eira e sem beira. Ainda sei. Que seis são meia dúzia. E que meia dúzia e meia são nove. Noves fora o que sobra? A prova dos nove. À prova dos nove. Aprova? A prova de história. Qual é minha nota? Anota. Com letra de forma. De qualquer forma. Em norma culta. Em norma adulta. Norma adulta é uma puta. Ainda como a Norma. Como a norma. Anormal. É normal. Formal. Ainda honro. As calças que calço. E os sapatos que piso. No pasto da desonra. Honro a honra. De honrar. Que honra e glória. São de lutar. Sexta-feira é dia. De honrar compromissos. Tomar comprimidos. E tomar no cu.

10/05/2019