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26/07/2019

A Mulher Líquida

A Mulher Líquida
Luiz Carlos Cichetto


"A Mulher Líquida", meu primeiro romance - ao menos o primeiro que tive coragem e paciência de concluir e publicar -, conta com oitenta personagens, que com maior ou menor influência fazem parte do fluxo multiversal de Angela Maria, a protagonista. Muitos desses são referências literárias minhas, outros, espero, podem um dia se transformar em, no futuro, para outros autores.
A história é narrada em primeira pessoa, no feminino, uma proeza que pode despertar a ira de feministas de saco roxo, e acusando-me de tantos istas quanto lhes cabem em seus cérebros de carne moída. Mas não é a elas que busco como leitoras, e pouco me interessam suas pautas politicamente corretas alimentadas por comunistas milionários.
Angela Maria ama poucas coisas no mundo além do prazer, e uma delas é o compositor Belchior, cujas musicas ponteiam toda a narrativa. Ela não gosta de ler, nem tem interesse por qualquer espécie de arte, mas sem saber se envolve em situações e com personagens saídos da história e das estórias da Arte.
"A Mulher Líquida" é a biografia romanceada de muitas mulheres. Um romance que jamais seria lido por sua protagonista.

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Foto: Carlos Manuel (Viseu - Portugal)

25/07/2019

Araraquariana Nº 2

Araraquariana Nº 2 
Luiz Carlos Cichetto

Cheguei à cidade. Forasteiro. Desarmado. De braços abertos. Fui recebido. A balas. Então saquei minhas almas. E caí. Ferido. Mas cai atirando. Com a mão direita. Que a esquerda é inútil. Tinha botas de cowboy. Que gastaram na estrada. Chutaram a boca. Do meu estômago. E eu senti a dor. Mas não morri. Corri. E me escondi. Num vagão enferrujado. Mas não era o bastante. Fui encontrado. E morto. E esquartejado. Ao som da "Internacional". Fui sepultado. Feito bandido. Ressurgi. Ainda ontem. Quase Agosto. Depois de um ano. Como quem ressuscita. Por desgosto. E jurei que nunca mais. Eu morreria. Por que ainda não era. O dia de estar morto.

22/07/2019

Eu Não Sou Escritor

Eu Não Sou Escritor
Luiz Carlos Cichetto
Brigitte Werner By Pixavay

Não, eu não sou escritor de Facebook, nem de Internet. Somente. Nasci primeiro que essas coisas. Sou escritor. E ponto. Não de uma geração remelenta, politicamente correta, disfarce de estupidez e ignorância, e de submissão a ideologias corruptas.
Não, eu não sou poeta de Facebook, nem de Twitter. Apenas. Sou poeta antes de qualquer coisa. Sou poeta. E ponto. Não da geração das facilidades, dos computadores e celulares, das liberdades, e da rabugice precoce, alimentada de leite com mamão e açúcar.
Não, não sou artista de Facebook, nem de Youtube. Somente apenas. Sou artista das mãos sujas, das roupas rasgadas não por moda, mas por falta de dinheiro. Sou artista. E ponto. Não artista da fome, mas pela fome. Não da geração que tem fome, mas não come, por não saber nem comer, que morre de inanição diante de prato de feijão.
Não, não sou filósofo de Facebook, nem de Instagram. Nem apenas, nem tão somente. Sou filósofo por deformação, não por formação, de um diploma outorgado pela reitoria da faculdade do pensamento livre. Não da geração de cérebros triturados por professores de estória com camiseta vermelha, alimentada por mentiras e tolices sobre a humanidade.

08/12/2018

DOWNLOAD FREE - 10 Livros de Barata Cichetto

DOWNLOAD FREE - 10 Livros de Barata Cichetto

Aos amigos que afirmam gostar dos meus escritos, e que não puderam ou não quiseram comprar meus livros: acabei de colocar 10 deles - anteriormente lançados em papel - no Internet Archive para leitura e/ou download grátis. Os livros são:
- O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei uma Porrada
- Troco Poesia Por Dinamite
- Syd Barrett Não Mora Mais Aqui!
- O Poeta e Seus Espelhos
- O Cu de Vênus/O Câncer, o Leão e o Escorpião
- Manifesto Sem Eira Nem Beira
- Manual do Adultério Moderno
- Imprinting
- Falo
- Poemas de Pau Duro

O link: https://archive.org/details/@luiz_carlos_cichetto

Não deixem de comentar/favoritar. Enjoy

Bosta

Bosta
Barata Cichetto

Abro a janela da rua e mostro meu pinto. Sinto, mas é o que tenho a mostrar. O crente batendo palminhas ridículas no portão e eu penso que deuses não sabem tocar a campainha. Desgrenhado, mostro o dedo médio e coloco as cuecas para secar no varal. Sujas, com marcas nos fundilhos. E os crentes desistem de carregar minha alma ao céu. Cai o véu. Cai a máscara e os deuses devem estar putos comigo. Afinal, sou apenas um bosta de um poeta que não deixará heranças aos filhos e netos. Não tem dinheiro e os crentes batem em outro portão. Tem olhos mágicos e câmeras nas portas. Jeová não entra. Nem sai. Daqui ninguém sai. Nem entra. Sou apóstata. Aposto no escuro e encosto no meio fio. Não sei dirigir, nem tenho carro. Jeová nunca me deu. Nem meu pai, nem meu filho, nem o espírito santo. Espírito Santo, Bahia, Salvador. O salvador mora em Salvador? Ou em El Salvador. Che Guevara não era santo nem guerreiro. Médico motociclista e ateu. Feito eu, que nem sou judeu. Deu? Fodeu! O que é teu não é meu. Meu, apenas meu eu, aquele que te fodeu... Hahahaha... Enfie suas jóias, seu condomínio fechado, seu helicóptero argentino e suas casas no rabo. E eu me acabo. E enrabo teu cu. Sou porco? Não tenho sorte, só a morte. Por sorte. Guarde teus segredos, resguarde seus medos. Aos meus dedos. No seu cu. Adote um artista, mate um ativista e leia uma revista. Contigo. Veja. Mas seja o que for, não venha. Guarde bem sua senha. Debaixo do colchão. De espumas flutuantes. De Castro. O Alves. Navio negreiro e barco bêbado. Bêbados no barco, arco do triunfo. Rimbaud e as mercenárias. Plebe rude e bolinhas de gude. Chupe meu pau antes de cuspir. Chute seu mal antes de se vestir. Jogue as crianças no rio. Ou na privada. Despeje os fetos. Abençoe os netos. E reze para que os deuses te perdoem. Peça perdão, mas não peça desculpas. Guarde suas culpas, debaixo do edredom chinês. Xadrez. Comprado na Vinte e Cinco. Reze um pai nosso. Negue o pai nosso. Ainda posso. Renegar. Negar. E cagar. Na tua cabeça. E antes que esqueça, guarde minha herança. Como lembrança. Amarga esperança. Do porvir. Biscoito de polvilho. Barulho e sujeira. Pombos jogando xadrez. Ratos de saias. Tombos. Os muçulmanos e os manos. Da favela. Atearam fogo na tua mansão. Da rua dos mestres. Ao mestre com carinho. Aos mestres um cantinho. Caminho suave, cartilha dos bobos. Robôs humanos tomaram de assalto o trem pagador. E o pombo cagador escolheu tua cabeça para cagar. Sorte sua. Não tenho raiz, nem país. Não sou árvore nem flor. Que se cheire. Sou bosta, mas sou feliz, mais bosta é quem me diz. Sou bosta, mas sou... Luiz.

16/07/2016