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28/06/2013

Eu e Meus Espelhos

EU E MEUS ESPELHOS
Luiz Carlos Cichetto


Exatamente no dia em que completo 55 anos de idade e cerca de quarenta anos como poeta e escritor, concluo outra série de poemas. Uma idéia, meio espontânea, surgiu quando, após iniciar uma nova série em 25 de Março de 2013. Portador de uma ânsia absurda de escrever, criei um objetivo intimo: 90 poemas em 90 dias. Não era um compromisso formal, mas algo realmente interno e tive o cuidado de não forçar a escrita para não perder a espontaneidade, fator essencial à poesia.

Mas as coisas foram saindo, e teve dias de eu escrever três ou quatro poemas. Mais uma vez decidi colocar fim à carreira de poeta por achar que já disse tudo o que tinha o que dizer usando tal forma de expressão. E estabeleci que 25 de Junho seria o "dead end". O fato é que, quatro ou cinco dias antes desse dia já tinha 99. Faltava uma, que não saia. Parecia que estava realmente esperando o nascer do dia 25 para completar o ciclo proposto. E foi realmente assim que ocorreu.

"Cohena Vive!" era titulo de um de meus livros mais recentes, baseado num sonho e onde eu demonstrava meus sentimentos de luta. E um final para o atual não poderia ser diferente do que a morte desse "personagem". "Cohena" tinha que morrer, pois assim se fechava um ciclo. E eu o matei! 

O titulo desse trabalho foi indiretamente dado pela amiga Joanna Franko, uma pessoa que tem sido uma das maiores incentivadoras do meu trabalho, quando ao comentar outro texto meu que tinha por mote os espelhos usou a frase: "O Poeta e Seus Espelhos".

Estes cem poemas completam oitocentos da minha era moderna. E todos, sem exceção, frutos talvez podres da minha cabeça que não pára de se assustar com uma sociedade humana de merda, que caminha rápido à extinção. Não acredito mais em nada mais do que se possa chamar de apego á humanidade. E acredito que ao retratar isso, sob a forma de poemas que são na verdade espelhos, coloco não apenas o meu, mas o sentimento de toda a humanidade, que no fundo tem medo desse espelho.

E por fim, espero que sintam, mais que qualquer outra coisa, o desejo constante nestes poemas. Sintam-nos como sentem orgasmo. Pois sentir é a única coisa que nos sobra neste momento. A Poesia morre a cada dia, porque morre a capacidade dos seres humanos de sentir orgasmos verdadeiros. E se eu puder, de alguma forma causar-te um orgasmo com algum desses meus poemas-pintos estarei feliz. Se em 100 poemas, gozados em 90 dias, eu puder te causar apenas um orgasmo... Decerto gozarei contigo.  No espelho!

Cohena Está Morto! Viva o prazer!

25/06/2013

Rádio Barata Livre - Barata Sem Eira Nem Beira - Programa 20

Rádio Barata Livre - Barata Sem Eira Nem Beira
Produção e Apresentação: Barata Cichetto
Segundas, das 21 as 23 horas pela Stay Rock Brasil
Reapresentação, terças, das 16 as 18.
Programa Nº. 20 - 24/06/2013

- Thunderbirds Are Go!!!
- Abertura: Spiderman - Ramones
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Bloco 1 -  A Arca do Barata (PI² ou Politicamente Incorreto ao Quadrado - 4)
- Jag Panzer - In A Gadda Da Vida
- Johnny Rivers - Secret Agent Man
- Gary Numan - Cars
- Eric Burdon And The Animals - San Francisco Nights
(Battlestar Galactica (1978))
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Bloco 2 - Cópia Infiel
Poesia: "Tempos Grossos"
- The T-Bones - How Many More Times - 1964
- Blues Magoos - Yellow Rose
- Jake Holmes - Dazed And Confused
- Spirit - Taurus
(Mod Squad)
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Bloco 3 -
- Ucla Bruin Marching Band - Aqualung
- Crazy World of Arthur Brown - Fire
- Babe Ruth - The Mexican (Live in Canada - 1974)
- Bitter Creek - Plastic Thunder (The First Heavy Metal Song Ever Made -1967)
(Captain Scarlet and the Mysterons (1967-68))
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Bloco 4 - Especial V8
- V8 - Angeles De Las Tinieblas
- V8 - Hiena De Metal
- V8 - Tiempos Metalicos
- V8 - Torturador
(Space 1999 (1975))
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Bloco 5 - Uma Ilha / Um Disco (Parte 3)
- Grand Funk Railroad - 1971 - Survival) - Gimme Shelter
- Pink Floyd (1967 - The Piper At The Gates Of Dawn) - The Gnome
- Uriah Heep (1972 - The Magician's Birthday) - Echoes In the Dark
- Pink Floyd (1973 - The Dark Side Of The Moon) - Us And Them
(The Ventures - Peter Gun)
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Bloco 6
- Mão Morta - Cão de Morte
- Detonautas - Ensaio Sobre a Cegueira
(Anjo do Espaço)
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Encerramento:
Poesia: "Oito ou Oitenta (Aos 80 Anos de Meu Pai)"
- Patrulha do Espaço - Poder (Chizzo Napoli / Versão e adaptação Castello/Benevolo)
(Perdidos no Espaço)
- Sangue de Barata - Aniversário (Barata e Raul Cichetto)
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Os Filhos da Morte Burra
(Edu Planchêz )
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Jovens sem nenhuma utopia
Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas
Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando Pessoa
Fechados nas sexuais telas da impotência
Se masturbam contemplando corpos em decomposição!
Norte da minha fé,
Onde estavam o beija-flor e o arco-íris
na hora do nascimento dessas criaturas
Quantas gotas de flor restam
nos corredores dos céus de vossas bocas?
Quais fontes clamam por vossos nomes?
Eu entrando na virtuosa idade
E eles entrando em idade nenhuma.
Os filhos da morte burra
Cheiram o branco pó da anemia,
esqueceram que um dia tocaram na poesia
da transgressão em pleno ventre de suas esquecidas mães
Esqueceram de colar o ouvido ao chão
para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.
Os filhos da morte burra
Jamais levantam uma folha para conhecer o labor do insetos
Jamais erguem taças de orvalho para brindar a vigorosa lua
Os filhos da morte burra,
desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminação
Apenas abrem a boca para vomitar.

Cohena Está Morto!

Cohena Está Morto!
Barata Cichetto

E agora, ao completar cinquenta e cinco de idade
Sinto faltar o ar que mantém a minha serenidade
Enlouqueço dia após dia, nada a me separar da dor
Pois então que morra a loucura, morte ao imperador.

Alucinado, tenho medo do escuro, de altura e de mim
Espelhos causam asco e tenho medo do inicio e do fim
Não reconheço o meu reflexo e nem minha perenidade
Padeço ante o silêncio da noite e pereço na eternidade.

E Junho é gelado, pois bebamos a saúde do adversário
No mês em que minha morte completa outro aniversário
A morte é um estado de nada e o nada é o estado do ser
E portanto nada espero da morte, nada espero de nascer.

E não há em mim apenas um átomo que não seja rima
E nenhuma célula cancerígena que a ela não reprima
Mas não há neste dia nada a ser anotado em meu diário
Apenas o dia após outro, folha arrancada do calendário.

25/06/2013

21/06/2013

Patrulha do Espaço - Poder

Video da música "Poder", da banda Patrulha do Espaço e adaptação do logo originalmente criado por Johnny Adriani,  por Barata Cichetto.


19/06/2013

Escafandro

Escafandro
Barata Cichetto
Do Livro "Sangue de Barata" - 2003


Mergulho em águas profundas em busca de uma paixão abissal
Falta oxigênio em meu cérebro, corre em meu sangue água e sal
O mar profundo e escuro da solidão é o mundo que habito agora
Uma sereia tatuada em meu peito, uma deusa, não uma senhora

Um escafandro furado, um tanque de oxigênio de muito pesar
Bolhas de ar em meu sangue, bolhas de sangue em meu ar
Meu barco está ancorado em um porto distante da realidade
Sou apenas um mergulhador sagrado em busca de liberdade.

Mergulhar, mergulhar, mergulhar em águas mais profundas
Sereias púrpuras com peles transparentes e doces bundas
Ou sereias aladas nadando com asas de plástico amarelo
E nada em minha superfície nada com tanta graça e tão belo.

Então eu mergulho até o fundo, afundo na areia minha mão
Quase afogado, respiro profundo, busco ar em meu pulmão
O escafandro pesado abandono, a liberdade alcanço por fim
Mas ninguém irá ao mar jogar ramalhetes de rosas por mim.

8/1/2003


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