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29/06/2017

Rugas e Fugas


Rugas e Fugas

Não tenho vergonha das minhas profundas rugas
E nem dos restos que sobraram das minhas fugas
Mas se elas não são cicatrizes das guerras perdidas
Ao menos são máscaras disfarçando minhas feridas.
Barata Cichetto, 29/06/2017

28/06/2017

Uma Rede de Intrigas, na Verdade

Que sociedade complicada, não?! Ah, eu poderia ser simplório e dizer "mundo", no lugar de "sociedade". Mas, não, não quero falar do "mundo", que englobaria "todos" e "todomundo", mas quero falar, sim, sobre essa nossa sociedade medíocre, cuja desfaçatez beira o absurdo. E essa sociedade, representada por uma rede social que efetivamente não me representa, mas que é apenas um meio de eu tentar atingir pessoas que não conseguiria de outras formas. Entretanto, uma rede que se supõe "de amigos", não passa de uma rede de intrigas, uma rede de vaidades. Um culto ao ego, um culto a narciso, um culto a tudo que há de ruim nessa mesma sociedade. Responsabiliza-se políticos, retirando de seus próprios ombros a responsabilidade. Tratam hipocritamente o restante das pessoas como "iguais", mas se acham "mais iguais que os outros." Falam e bufam sobre arte e não fazem nada para incentivar artistas que não sejam os mesmos ou a si próprios. Enfim, estou ficando muito cansado dessa lenga-lenga hipócrita, essa rede de hipocrisia. Poucos são verdadeiros nesta "sociedade". Há uns dez dias removi 1200 "amigos" desta sociedade anônima. Ainda ficou muito. E quem sabe, em breve eu me auto-remova.

28/06/2017

27/06/2017

E Ainda Pensas Que é Feliz?

Há algum tempo, Cioran perguntou: "Todos os seres são infelizes; mas quantos o sabem?" E se, em meados do Século XX, poucos sabiam, imaginem agora, nesse hediondo inicio de XXI, quando o mundo inteiro, coberto por um manto vulnerável, se transformou numa praça de guerra, onde nem mesmo as regras claras de uma guerra são aplicadas. Mesmo numa guerra há honra e ética, mas não nesta, que nunca foi declarada, mas que é travada em todos os cantos do planeta. As mãos invisíveis dos que a comandam empunham relógios dourados, que marcam apenas a hora do começo, nunca do fim. E essas mãos mortíferas tem nomes, ou ao menos alcunhas: religião e política. E agem exatamente da mesma forma impiedosa, transformando em zumbis aqueles que o seguem, roubando-lhes a alma e a virtude. E a alma e a virtude são singulares, individuais. Pessoas infelizes e duras, cruéis, achando que exercem sua liberdade, mas que são escravos de teologias e ideologias. Duras e cruéis contra aqueles que lhes deram o melhor. E tolos e cabisbaixos contra aqueles que lhes consomem a individualidade, a maior virtude, por ser ser alma, de um ser humano. Pensam ser libertadores, mas são, muito, muito escravos. Roubaram tudo. Saquearam tudo. Jogaram filhos contra pais, irmãos contra irmãos, amigos contra amigos. Não há mais inocentes neste mundo. Não há mais pessoas felizes, Cioran! E ninguém sabe. Ninguém mais sabe sequer o que é felicidade.
 
Barata Cichetto , 26/06/2017

15/06/2017

O Tempo, Essa Prostituta

Anteontem o Tempo parou ao meu lado na calçada. Usava botas de cano alto, minissaia e tinha as belas pernas de fora e um par de bicos pontiagudos saltados pela blusa. Piscou com cílios postiços e me perguntou quanto eu podia pagar. Fui embora pisando firme no concreto da calçada. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Ontem o Tempo parou ao meu lado dentro de um carro importado. Usava roupas caras, vestido discreto, perfume francês e tinha nas mãos uma bolsa cheia de dinheiro. Piscou os faróis e me perguntou quanto eu queria receber. Depois foi embora pisando no acelerador, enquanto eu fiquei parado no asfalto esperando o tempo voltar e me dar outra piscada. Nunca voltou. O Tempo, essa prostituta, me enganou.

Hoje o Tempo ainda para do meu lado. Mas nua, pés descalços e dentes quebrados. E não me pergunta quanto posso pagar ou quanto quero receber. Ainda assim, pisca pra mim, com olhos remelentos e ficamos abraçados e nus, sem esperar mais nada. O Tempo, essa prostituta, sempre me enganou.

Amanhã o Tempo não irá mais parar ao meu lado. Estará inerte, sem respiração. Sem pedir ou perguntar mais nada. Não irá piscar, pois seus olhos estarão cerrados e mortos. O Tempo, essa prostituta, nunca se enganou.

14/06/2017

13/06/2017

Chacrinha Estava Certo

Sou, e com orgulho, de tempos em que a comunicação era lenta. A escrita era a mão ou datilografada. Uma mensagem demorava dias, semanas, até chegar ao destinatário. Por isso tinha que ser pensada, articulada. Não tinha que ser imediata, voraz, sem análise. Mas inventaram a velocidade, a Internet. E cada dia mais rápida. E a comunicação passou a ter que ser instantânea. Comunica-se, mas não se pensa. Esse é o resultado dessa era digital. Temos muita, mas muita informação. Tanta, que nenhum cérebro é capaz de processar tudo. E isso gera mais confusão mental, estresse, paranoia do se imagina. O resultado é que não conseguimos chegar à conclusão nenhuma. Sobre nada. Falamos, falamos. E no fim nos desentendemos. Confundimos-nos ao tentarmos explicar. Chacrinha estava certo: "eu vim para confundir, não para explicar."
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Barata Cichetto, 13/06/2017